Sífilis: o que é, sintomas, tipos, transmissão e tratamento

Revisão médica: Drª. Sheila Sedicias
Ginecologista
abril 2022
  1. Tipos
  2. Sintomas
  3. Transmissão
  4. Diagnóstico
  5. Tratamento
  6. Sífilis tem cura?

A sífilis é uma infecção sexualmente transmissível causada pela bactéria Treponema pallidum que, na maior parte dos casos, é transmitida através da relação sexual sem proteção.

Os primeiros sintomas são feridas indolores no pênis, no ânus ou na vulva que, se não forem tratadas, desaparecem espontaneamente e retornam depois de semanas, meses ou anos nas suas formas secundária ou terciária, que são mais graves.

A sífilis tem cura e o seu tratamento é feito através de injeções de penicilina, orientadas pelo médico de acordo com a fase da doença em que o paciente se encontra. Veja como tratar e alcançar a cura da sífilis.

Tipos de sífilis

A sífilis pode ser classificada em alguns tipos de acordo com o estágio em que a doença se encontra, o que é definido de acordo com os sinais e sintomas apresentados e desenvolvimento da bactéria. Assim, os tipos de sífilis são:

  • Sífilis primária, que é caracterizada pelo aparecimento de sintomas na região genial cerca de 3 semanas após o contato com a bactéria;
  • Sífilis secundária, que surge algumas semanas após o desaparecimento dos sintomas da sífilis primária, sendo indicativo de desenvolvimento da bactéria;
  • Sífilis terciária, que é a forma mais grave de sífilis e cujos sintomas podem aparecer anos após o contato com a bactéria responsável pela doença;
  • Sífilis congênita, em que a bactéria é passado da mãe para o bebê durante a gestação ou no momento do parto, resultando em alterações no desenvolvimento do bebê.

O desenvolvimento dos tipos de sífilis está principalmente relacionado com a ausência de tratamento ou realização de tratamento inadequado, já que assim a bactéria não é devidamente eliminada, permanecendo no organismo por mais tempo e levando ao aparecimento de formas mais graves da doença.

Sintomas da sífilis

O primeiro sintoma da sífilis é uma ferida que não sangra e não dói, que surge após o contato direto com a ferida de sífilis de outra pessoa. No entanto, os sintomas têm tendência a ir evoluindo, variando de acordo com a fase da infecção:

1. Sífilis primária

A sífilis primária é o estágio inicial da doença, que surge cerca de 3 semanas após o contato com a bactéria responsável pela doença, o Treponema pallidum. Essa fase é caracterizada pelo aparecimento do cancro duro, que corresponde a uma pequena ferida ou caroço que não dói ou causa desconforto, e que desaparece após cerca de 4 a 5 semanas, sem deixar cicatrizes.

Nos homens, essas feridas geralmente aparecem em volta do prepúcio, enquanto nas mulheres elas surgem nos pequenos lábios e na parede vaginal. Também é comum o aparecimento dessa ferida no ânus, na boca, na língua, nas mamas e nos dedos das mãos. Neste período, também podem surgir ínguas na virilha ou próximo à região afetada. Saiba mais sobre as principais causas de feridas no pênis.

2. Sífilis secundária

Após o desaparecimento das lesões do cancro duro, que é um período de inatividade que pode durar de seis a oito semanas, a doença poderá entrar novamente em atividade caso não seja identificada e tratada. Desta vez, o comprometimento ocorrerá na pele e nos órgãos internos, já a bactéria foi capaz de multiplicar e se espalhar para outros locais do corpo por meio da corrente sanguínea.

As novas lesões são caracterizadas como manchas rosadas ou pequenos caroços acastanhados que surgem na pele, na boca, no nariz, nas palmas das mãos e nas plantas dos pés, podendo haver algumas vezes também descamação intensa da pele. Outros sintomas que podem surgir são:

  • Manchas vermelhas na pele, na boca, no nariz, nas palmas das mãos e nas plantas dos pés;
  • Descamação da pele;
  • Ínguas em todo o corpo, mas principalmente na região genital;
  • Dor de cabeça;
  • Dor muscular;
  • Dor de garganta;
  • Mal estar;
  • Febre leve, geralmente abaixo de 38ºC;
  • Falta de apetite;
  • Perda de peso.

Essa fase continua durante os dois primeiros anos da doença, e surge em forma de surtos que regridem espontaneamente, mas que passam a ser cada vez mais duradouros.

3. Sífilis terciária

A sífilis terciária aparece em pessoas que não conseguiram combater espontaneamente a doença na sua fase secundária ou que não fizeram o tratamento adequado. Neste estágio, a sífilis é caracterizada por:

  • Lesões maiores na pele, boca e nariz;
  • Problemas em órgãos internos: coração, nervos, ossos, músculos, fígado e vasos sanguíneos;
  • Dor de cabeça constante;
  • Náuseas e vômitos frequentes;
  • Rigidez do pescoço, com dificuldade para movimentar a cabeça;
  • Convulsões;
  • Perda auditiva;
  • Vertigem, insônia e AVC;
  • Reflexos exagerados e pupilas dilatadas;
  • Delírios, alucinações, diminuição da memória recente, da capacidade de orientação, de realizar cálculos matemáticos simples e de falar quando há paresia geral.

Esse sintomas costumam surgir depois de 10 a 30 anos da infecção inicial, principalmente quando o tratamento não é realizado. Por isso, para evitar complicações em outros órgãos do corpo, deve-se fazer o tratamento logo após o surgimento dos primeiros sintomas da sífilis.

Entenda melhor as fases da sífilis no vídeo a seguir:

4. Sífilis congênita

A sífilis congênita acontece quando o bebê adquire sífilis durante a gestação ou no momento do parto, sendo normalmente devido à mulher que possui sífilis não fazer o tratamento correto para doença. A sífilis durante a gravidez pode causar aborto, mal formações ou morte do bebê ao nascer. Em bebês vivos, os sintomas podem surgir desde as primeiras semanas de vida até mais de 2 anos após o nascimento, e incluem:

  • Manchas arredondadas de cor vermelho pálido ou cor de rosa na pele, incluindo a palma das mãos e a sola dos pés;
  • Irritabilidade fácil;
  • Perda de apetite e da energia para brincar;
  • Pneumonia;
  • Anemia
  • Problemas nos ossos e nos dentes;
  • Perda da audição;
  • Deficiência mental.

​O tratamento para sífilis congênita costuma ser feito com o uso de 2 injeções de penicilina por 10 dias ou 2 injeções de penicilina por 14 dias, dependendo da idade da criança. Veja mais sobre a sífilis congênita.

Como acontece a transmissão

A sífilis é uma infecção sexualmente transmissível e, por isso, pode ser transmitida por meio da relação sexual vaginal, anal ou oral desprotegida, ou seja, sem camisinha, ao entrar em contato com a secreção das lesões presentes na região genital e/ ou anal.

Além disso, a sífilis pode ser transmitida ao compartilhar agulhas, já que a bactéria na fase secundária da doença está circulando no sangue, podendo ser transmitida de uma pessoa para outra através dessa via. Outra forma de transmissão é da mãe para o filho durante a gravidez ou no momento do parto, sendo isso possível de acontecer quando a mulher não faz o tratamento adequado. Entenda melhor como acontece a transmissão da sífilis.

Como é feito o diagnóstico

Para confirmar que se trata de sífilis o médico deve observar a região íntima da pessoa, avaliar a presença de sinais e sintomas indicativos de infecção e investigar se houve contato íntimo sem camisinha.

Mesmo se não houver nenhuma ferida da região genital, nem outras partes do copo o médico pode solicitar um exame chamado VDRL, que é o exame normalmente indicado para realizar o diagnóstico da sífilis, sendo também capaz de fornecer informações sobre a gravidade da doença de acordo com a quantidade de anticorpos contra a bactéria circulantes. Entenda o que é e como é feito o exame VDRL.

Esse exame normalmente é realizado em cada trimestre de gestação em todas as grávidas porque a sífilis é uma doença grave que a mãe pode passar para o bebê, mas que é facilmente curada com antibióticos prescritos pelo médico.

Tratamento para sífilis

O tratamento para sífilis deve ser feito de acordo com a orientação do médico, sendo importante seguir as indicações mesmo que não existam mais sinais ou sintomas visíveis para garantir a eliminação da bactéria. Para isso, o médico normalmente indica injeções de penicilina-benzatina, também chamada de benzetacil. O tempo de tratamento e o número de injeções pode variar de acordo com a fase da doença que a pessoa se encontra e sintomas apresentados. Confira mais detalhes do tratamento para sífilis.

Sífilis tem cura?

A sífilis tem cura e pode ser facilmente tratada com injeções de penicilina, mas seu tratamento deve ser iniciado o mais rapidamente possível para evitar o surgimento de complicações graves em outros órgãos como o cérebro, o coração e os olhos, por exemplo.

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Atualizado por Equipe Editorial do Tua Saúde, em abril de 2022. Revisão médica por Drª. Sheila Sedicias - Ginecologista, em fevereiro de 2016.

Bibliografia

  • BARER, Michael R.. Medical Microbiology: A guide to microbial infections - pathogenesis, immunity, laboratory investigation and control. 19 ed. Elsevier, 2018. 317-322.
  • RADOLF, Justin D. et al. Treponema pallidum, the syphilis spirochete: making a living as a stealth pathogen. Nat Rev Microbiol. Vol 14. 12 ed; 744-759, 2017
Mostrar bibliografia completa
  • WORLD HEALTH ORGANIZATION. WHO Guidelines for the treatment of Treponema pallidum (syphilis). 2016. Disponível em: <https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK384904/pdf/Bookshelf_NBK384904.pdf>. Acesso em 10 abr 2019
  • MINISTÉRIO DA SAÚDE. Sífilis: Estratégias para diagnóstico no Brasil. 2010. Disponível em: <http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/sifilis_estrategia_diagnostico_brasil.pdf>. Acesso em 10 abr 2019
Revisão médica:
Drª. Sheila Sedicias
Ginecologista
Médica mastologista e ginecologista formada pela Universidade Federal de Pernambuco, em 2008 com registro profissional no CRM PE 17459.

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