Sífilis na gravidez: riscos para o bebê e tratamento

Revisão médica: Drª. Sheila Sedicias
Ginecologista
março 2022

A sífilis na gravidez pode prejudicar o bebê, pois quando a grávida não faz o tratamento há um grande risco do bebê pegar sífilis através da placenta, podendo desenvolver graves problemas de saúde como surdez, cegueira, problemas neurológicos e nos ossos.

Para identificar a sífilis na gravidez é importante que a mulher realize o teste de VDRL no início da gestação para verificar se está infectada pela bactéria responsável pela doença e, em caso positivo, a gravidade da doença.

É importante que o tratamento para a sífilis na gravidez seja iniciado assim que for feito o diagnóstico, pois assim é possível prevenir a infecção do bebê. O tratamento deve ser feito sob a orientação do médico e costuma ser realizado com injeções de Penicilina, de acordo com o estágio da doença. É importante que o parceiro também faça o tratamento e que a grávida não tenha relações sem camisinha até o final do tratamento.

Principais riscos para o bebê

A sífilis na gravidez é grave principalmente se a infecção estiver na fase inicial, em que é mais transmissível, embora a contaminação possa acontecer em qualquer fase da gestação. O bebê também pode ser contaminado durante o parto normal, se houver alguma ferida de sífilis na região da vagina.

Caso a sífilis seja transmitida para o bebê, os principais riscos são:

  • Parto prematuro, morte fetal, bebê com baixo peso ao nascer,
  • Manchas na pele, alterações nos ossos;
  • Fissura perto da boca, síndrome nefrótica, edema,
  • Convulsões, meningite;
  • Deformação do nariz, nos dentes, na mandíbula, céu da boca
  • Surdez e dificuldade de aprendizado.

A maioria dos bebês infectados não apresenta qualquer sintoma ao nascer e, por isso, todos precisam realizar o exame VDRL ao nascer, 3 e 6 meses depois, iniciando o tratamento logo que a doença seja descoberta. Veja o que é o exame VDRL e como entender o resultado.

Como é feito o tratamento

O tratamento para sífilis na gravidez deve ser indicado pelo obstetra e, normalmente, é feito com injeções de Penicilina em 1, 2 ou 3 doses, dependendo da gravidade e do tempo de contaminação:

  • Sífilis primária na gravidez: 1 dose única de Penicilina;
  • Sífilis secundária na gravidez ou latente recente, com menos de um ano de evolução: 2 doses de Penicilina, uma por semana;
  • Sífilis terciária na gravidez, latente tardia, com mais de um ano de evolução ou de tempo desconhecido: 3 doses de Penicilina, uma por semana.

É muito importante que a gestante faça o tratamento até o fim para evitar transmitir a sífilis para o bebê, que não tenha relações desprotegidas até acabar o tratamento e que o parceiro também realize o tratamento para a sífilis para evitar a progressão da doença e para evitar a recontaminação da mulher.

É importante ainda que, ao nascer, o bebê seja avaliado para que, caso seja necessário, faça o tratamento também com Penicilina, o mais rapidamente possível. Saiba mais sobre a sífilis no bebê e como deve ser o tratamento.

Efeitos colaterais do tratamento na gestante

Com o tratamento com Penicilina, a gestante pode ter alguns efeitos colaterais como contrações, febre, dor de cabeça, nos músculos ou articulações, calafrios e diarreia.

Para diminuir a febre e as dores de cabeça, a gestante pode colocar uma compressa com água fria na testa. Para as dores musculares e nas articulações uma boa opção é tomar um banho quente ou receber uma massagem relaxante. O Paracetamol também pode ajudar a aliviar estes efeitos colaterais, mas deve ser utilizado com cautela.

Para a diarreia, uma boa dica é aumentar a ingestão de yakult, pois este iogurte contém lactobacilos vivos que ajudam a regular o intestino, assim como tomar água de coco para compensar as perdas de água e hidratar o organismo.

Grávida alérgica a penicilina

O tratamento da sífilis para gestante alérgica à penicilina pode ser feito com outros antibióticos, como estearato de eritromicina, durante 15 dias em caso de sífilis recente, ou 30 dias em caso de sífilis tardia.

Sinais de melhora e piora

Os sinais de melhora da sífilis na gravidez incluem a diminuição ou o desaparecimento das feridas na região íntima, assim como das lesões na pele e boca, se existirem, e diminuição do inchaço e da dor das ínguas.

Os sinais de piora da sífilis na gravidez incluem o aumento das feridas na região íntima, aparecimento ou aumento de lesões na pele e na boca, aumento das ínguas, febre, rigidez muscular e paralisia dos membros.

Complicações da sífilis na gravidez

As complicações da sífilis na gravidez podem ocorrer nas grávidas que não realizam o tratamento de forma correta. Uma possível complicação é transmitir a sífilis para o bebê através da placenta ou do canal do parto. Nestes casos, diz-se que o bebê possui sífilis congênita e também deve receber tratamento com penicilina porque a sífilis quando não tratada pode afetar o desenvolvimento do bebê e causar problemas como cegueira, surdez ou retardo mental.

Outra complicação grave da sífilis para mulher é a neurossífilis em que o cérebro e a medula são infectados podendo provocar lesões no sistema nervoso como paralisia ou cegueira.

Saiba mais sobre a doença, no vídeo seguinte:

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Atualizado por Equipe Editorial do Tua Saúde, em março de 2022. Revisão médica por Drª. Sheila Sedicias - Ginecologista, em fevereiro de 2016.
Revisão médica:
Drª. Sheila Sedicias
Ginecologista
Médica mastologista e ginecologista formada pela Universidade Federal de Pernambuco, em 2008 com registro profissional no CRM PE 17459.

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