Sífilis na gravidez: riscos para o bebê e tratamento

Revisão médica: Drª. Sheila Sedicias
Ginecologista
setembro 2022

A sífilis na gravidez pode prejudicar o bebê devido ao risco de transmissão da infecção para a criança através da placenta, o que pode causar problemas graves à sua saúde como perda auditiva, deficiência visual, problemas neurológicos e nos ossos.

A identificação da sífilis na gravidez pode ser feita inicialmente através de sintomas como feridas na região genital ou manchas vermelhas no corpo, no entanto para confirmar o diagnóstico geralmente são indicados exames no sangue como o VDRL ou FTA-Abs.

Em caso de suspeita de sífilis na gravidez é importante consultar um obstetra para uma avaliação e iniciar o tratamento apropriado, que geralmente envolve a injeção de penicilina. Por meio do tratamento adequado é possível prevenir a transmissão de sífilis para o bebê.

Como identificar a sífilis na gravidez

A sífilis na gravidez pode ser identificada inicialmente por meio do surgimento de uma ferida na região genital, que tende a desaparecer em cerca de 3 a 6 semanas mesmo sem tratamento.

Além disso, embora possam surgir outros sintomas como manchas avermelhadas na pele, perda de cabelo e placas semelhantes a verrugas nas regiões íntimas, estes também tendem a desaparecer gradualmente após algumas semanas. Saiba como identificar os principais sintomas da sífilis.

Assim, para confirmar o diagnóstico de sífilis na gravidez podem ser indicados exames no sangue como o VDRL ou FTA-Abs, que podem identificar anticorpos no sangue contra bactéria que causa a sífilis.

Principais riscos para o bebê

Os principais risco da sífilis para o bebê são:

  • Parto prematuro;
  • Morte fetal; 
  • Baixo peso ao nascer;
  • Manchas na pele; 
  • Alterações nos ossos;
  • Fissura perto da boca;
  • Síndrome nefrótica;
  • Edema;
  • Convulsões;
  • Meningite;
  • Deformação do nariz, nos dentes, na mandíbula, céu da boca;
  • Surdez;
  • Dificuldade de aprendizado.

A sífilis na gravidez é grave principalmente se a infecção estiver na fase inicial, em que é mais transmissível, embora a contaminação possa acontecer em qualquer fase da gestação. O bebê também pode ser contaminado durante o parto normal, se houver alguma ferida de sífilis na região da vagina.

A maioria dos bebês infectados não apresenta qualquer sintoma ao nascer e, por isso, pode ser indicado realizar o exame VDRL regularmente após o nascimento e iniciar o tratamento logo que a doença seja descoberta. Veja o que é o exame VDRL e como entender o resultado.

Como é feito o tratamento

O tratamento para sífilis na gravidez é indicado pelo obstetra e, normalmente, é feito com injeções de penicilina em 1 ou 3 doses, dependendo da gravidade e do tempo de contaminação:

  • Sífilis primária, secundária ou latente recente (com até um ano de evolução) na gravidez: 1 dose única de penicilina;
  • Sífilis latente tardia (com mais de um ano de evolução): 3 doses de penicilina, uma por semana;
  • Sífilis latente com duração desconhecida: 3 doses de penicilina, uma por semana;

É importante realizar o tratamento até o final para evitar transmitir a sífilis para o bebê. Assim, caso o tratamento não seja completo é recomendado consultar um obstetra, que pode indicar iniciar o tratamento novamente. 

Além disso, também é recomendado o tratamento do parceiro e evitar relações desprotegidas durante o período de tratamento para evitar que a mulher se contamine novamente e coloque o bebê em risco.

Após o nascimento do bebê é importante consultar um pediatra para uma avaliação e, caso seja necessário, o tratamento também com penicilina também pode ser indicado para o bebê. Veja como é feito o tratamento da sífilis no bebê.

Efeitos colaterais do tratamento na gestante

Com o tratamento com Penicilina, a gestante pode ter alguns efeitos colaterais como contrações, febre, dor de cabeça, nos músculos ou articulações, calafrios e diarreia, sendo importante informar o médico caso ocorram.

Para diminuir a febre e as dores de cabeça, a gestante pode colocar uma compressa com água fria na testa. Em caso de dor muscular e nas articulações, uma opção é tomar um banho quente ou receber uma massagem relaxante. Além disso, o paracetamol também pode ajudar a aliviar esses efeitos colaterais, mas deve ser utilizado com cautela.

Em caso de diarreia, uma boa dica é aumentar a ingestão de yakult, pois este iogurte contém lactobacilos vivos que ajudam a regular o intestino, assim como tomar bastante água para compensar as perdas de água e hidratar o organismo.

Grávida alérgica a penicilina

O tratamento da sífilis para gestante alérgica à penicilina pode ser feito com outros antibióticos como a ceftriaxona, por exemplo, no entanto, atualmente não há outros antibióticos além da penicilina que garantem o tratamento tanto da mãe quanto do bebê. 

Por isso, é importante consultar um obstetra em caso de suspeita de alergia à penicilina para uma avaliação. Algumas vezes o tratamento da alergia pode ser indicado.

Sinais de melhora e piora

Os sinais de melhora da sífilis na gravidez incluem a diminuição ou o desaparecimento das feridas na região íntima, assim como das lesões na pele e boca, se existirem, e diminuição do inchaço e da dor das ínguas.

Os sinais de piora da sífilis na gravidez incluem o aumento das feridas na região íntima, aparecimento ou aumento de lesões na pele e na boca, aumento das ínguas, febre, rigidez muscular e paralisia dos membros.

Complicações da sífilis na gravidez

As complicações da sífilis na gravidez são mais comuns de ocorrer em grávidas que não realizam o tratamento corretamente. Neste caso, o risco de transmissão da sífilis para o bebê através da placenta ou do canal do parto é maior e o bebê pode desenvolver sífilis congênita.

Outra complicação grave da sífilis para mulher é a neurossífilis em que o cérebro e a medula são infectados podendo provocar lesões no sistema nervoso como paralisia ou cegueira.

Saiba mais sobre a doença, no vídeo seguinte:

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Atualizado por Marcela Lemos - Biomédica, em setembro de 2022. Revisão médica por Drª. Sheila Sedicias - Ginecologista, em fevereiro de 2016.

Bibliografia

  • DEPARTAMENTO DE DOENÇAS DE CONDIÇÕES CRÔNICAS E INFECÇÕES SEXUALMENTE TRANSMISSÍVEIS DO MINISTÉRIO DA SAÚDE. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas para Atenção Integral às Pessoas com Infecções Sexualmente Transmissíveis (IST). 2022. Disponível em: <https://www.gov.br/aids/pt-br/centrais-de-conteudo/pcdts/2022/ist/pcdt-ist-2022_isbn-1.pdf/view>. Acesso em 21 set 2022
  • STATPEARLS. Syphilis. 2022. Disponível em: <https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK534780/>. Acesso em 21 set 2022
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  • ADHIKARI, Emily H. Syphilis in Pregnancy. Obstet Gynecol. Vol.135, n.5. 1121-1135, 2020
Revisão médica:
Drª. Sheila Sedicias
Ginecologista
Médica mastologista e ginecologista formada pela Universidade Federal de Pernambuco, em 2008 com registro profissional no CRM PE 17459.

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