Sífilis primária: o que é, sintomas e tratamento

março 2022

A sífilis primária é a primeira fase da sífilis, uma infecção sexualmente transmissível causada pela bactéria Treponema pallidum. Nesta primeira fase da sífilis, a doença é caracterizada pelo aparecimento de uma ferida que não dói, não coça e nem causa desconforto, cicatrizando naturalmente e sem precisar de tratamento.

Por causar uma ferida que cicatriza sem tratamento, é comum que a sífilis não seja identificada nem tratada durante a fase primária. Isso faz com que a bactéria continue circulando no corpo e consiga atingir outros órgãos, resultando no aparecimento dos sintomas relacionados com a sífilis secundária e terciária. Conheça mais sobre a sífilis e suas fases.

O ideal é que a sífilis primária seja tratada assim que for diagnosticada, mesmo que ainda não existam outros sintomas além de uma pequena ferida na região genital. Para isso normalmente é utilizado um antibiótico, normalmente penicilina.

Sintomas de sífilis primária

O principal sintoma da sífilis primária é o aparecimento de uma lesão/ferida que:

  • Não coça;
  • Não dói;
  • Não causa desconforto;
  • Libera um líquido transparente;
  • Nas mulheres, pode surgir nos pequenos lábios e na parede da vagina, sendo difíceis de serem identificadas;
  • Nos homens, pode surgir em volta do prepúcio;
  • Caso tenha havido sexo oral ou anal desprotegido, pode aparecer no ânus, boca, língua ou garganta.

A lesão da sífilis primária é também chamada de cancro duro e geralmente aparece cerca de 3 semanas após o contato com a bactéria, o que tende a acontecer devido a uma relação sexual desprotegida ou contato direto com as lesões de outras pessoas infectadas.

Apesar do cancro duro ser bastante característico da doença, muitas vezes não é identificado devido à localização em que aparece, ou não é dada muito importância pela fato de não doer ou causar desconforto e por desaparecer após 4 a 5 semanas sem deixar cicatrizes.

No entanto, mesmo com o desaparecimento do cancro duro não significa que a bactéria foi eliminada do organismo e que não há risco de transmissão. Pelo contrário, a bactéria atinge a circulação e se dirige para outras partes do corpo, dando origem a outros sintomas, como  ínguas, aparecimento de manchas vermelhas na pele, dor de cabeça, febre e mal-estar. Saiba reconhecer os principais sintomas de sífilis.

Como confirmar o diagnóstico

O diagnóstico da sífilis ainda na fase primária é muito importante, pois assim é possível que o tratamento seja iniciado logo em seguida, evitando que a bactéria se multiplique e se espalhe para o corpo e prevenindo também complicações. Assim, o mais recomendado é que assim que a pessoa notar o aparecimento de uma ferida na região genital, anal ou oral que não dói ou coça, vá ao ginecologista, urologista, infectologista ou clínico geral para que seja avaliada.

Caso a pessoa tenha tido comportamento de risco, ou seja, tenha tido relação sexual sem camisinha, o médico pode indicar a realização dos exames para sífilis, que é o teste rápido e o teste não treponêmico, também chamado de VDRL. A partir desses exames, é possível saber se a pessoa tem a infecção pela bactéria Treponema pallidum e em que quantidade, o que é dado pelo exame de VDRL, sendo importante para que o médico defina o tratamento. Entenda o que é o exame VDRL e como interpretar o resultado.

Como é feito o tratamento

O tratamento para sífilis deve ser iniciado assim que for feito o diagnóstico e deve ser feito pelo casal, mesmo que não existam sintomas, já que a bactéria pode permanecer anos no organismo sem levar ao aparecimento de sinais ou sintomas. O tratamento normalmente é feito com o uso de injeções de antibiótico, normalmente a Penicilina Benzatina. No entanto, em alguns casos, o médico pode recomendar que seja feito o uso de Doxiciclina ou Tetraciclina.

O tempo de tratamento e dose do medicamento varia de acordo com a gravidade e tempo de contaminação pela bactéria. Entenda melhor como é feito o tratamento para sífilis.

Veja também mais informações sobre a sífilis no vídeo a seguir:

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Atualizado por Manuel Reis - Enfermeiro, em março de 2022. Revisão clínica por Marcela Lemos - Biomédica, em março de 2022.

Bibliografia

  • BARER, Michael R et al. Medical Microbiology: A guide to microbial infections - pathogenesis, immunity, laboratory investigation and control. 19 ed. Elsevier, 2018. 318-319.
  • MINISTÉRIO DA SAÚDE. Sífilis. Disponível em: <http://www.aids.gov.br/pt-br/publico-geral/o-que-sao-ist/sifilis>. Acesso em 18 fev 2020
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  • MINISTÉRIO DA SAÚDE. Sífilis: o que é, causas, sintomas, tratamento, diagnóstico e prevenção. Disponível em: <https://www.saude.gov.br/saude-de-a-z/sifilis>. Acesso em 18 fev 2020
Revisão clínica:
Marcela Lemos
Biomédica
Mestre em Microbiologia Aplicada, com habilitação em Análises Clínicas e formada pela UFPE em 2017 com registro profissional no CRBM/ PE 08598.

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