Pescoço inchado: 10 causas e o que fazer

agosto 2022

O pescoço inchado pode surgir devido a inflamações ou infecções, como no caso de gripes, resfriados, mononucleose infecciosa, otite ou amigdalite, por exemplo, o que leva ao aumento dos linfonodos presentes no pescoço, mas também pode ser indicativo de câncer, como o linfoma.

Dependendo da sua causa, inchaço no pescoço pode ser acompanhado de outros sintomas, como aumento da temperatura local, dor, vermelhidão e sensibilidade ao toque, formação de pus ou febre.

Na presença de inchaço no pescoço que dura mais de 3 dias ou está acompanhado de outros sintomas, é importante consultar o clínico geral ou infectologista, para que sejam avaliadas as suas características e os sintomas associados, e, assim, ser possível identificar a causa e iniciado o tratamento mais adequado.

As principais causas de pescoço inchado são:

1. Infecções virais

As infecções virais, como gripe, resfriado, mononucleose infecciosa, dengue, Zika ou citomegalovírus, podem causar inchaço no pescoço devido ao surgimento de ínguas, como uma resposta do sistema imunológico para combater as infecções.

As ínguas podem surgir em qualquer local do pescoço, e podem estar associadas a outros sintomas, como dor de garganta, febre ou mal estar generalizado.

O que fazer: deve-se fazer repouso e aumentar a ingestão de líquidos, pois o inchaço no pescoço normalmente desaparece quando o vírus é eliminado. Em alguns casos, o médico pode recomendar o uso de analgésicos ou antitérmicos, dependendo do tipo de infecção, para ajudar a aliviar os sintomas. Conheça as principais infecções causadas por vírus e como é feito o tratamento.

2. Infecções bacterianas

Algumas infecções bacterianas, como otite, amigdalite, sinusite ou faringite, por exemplo, podem levar o surgimento de ínguas no pescoço, atrás da orelha, mandíbula ou nuca, resultando em inchaço no pescoço.

Essas infecções normalmente estão acompanhadas de outros sintomas, como febre, dor de garganta, dificuldade em engolir, dor de ouvido, tosse, dor no rosto ou até pus na garganta ou ouvido, por exemplo.

O que fazer: o tratamento das infecções bacterianas deve ser feito com orientação do clínico geral ou otorrinolaringologista, que devem receitar antibióticos, o que varia de acordo com o tipo de infecção. Veja como é feito o tratamento da sinusite, otite, amigdalite e faringite.

3. Inflamação dos gânglios linfáticos

A inflamação dos gânglios linfáticos no pescoço, também conhecidos como linfonodos, pode levar ao surgimento de ínguas, além de dor, vermelhidão ou sensibilidade na pele ou febre.

A inflamação dos gânglios linfáticos, também chamada de adenite ou linfadenite cervical, geralmente indicam uma inflamação ou infecção da região, podendo também surgir devido a doenças auto-imunes, uso de remédios ou mesmo câncer de cabeça, pescoço ou linfoma, por exemplo. Veja outras causas da inflamação dos gânglios linfáticos.

O que fazer: o tratamento deve ser feito com orientação do clínico geral, de acordo com a causa da inflamação no linfonodo, podendo ser indicado o uso de remédios anti-inflamatórios, antibióticos, antivirais, corticóides ou terapia biológica, por exemplo. Já no caso de ter sido causada por câncer pode ser recomendado a remoção cirúrgica do gânglio ou do tumor que está causando o seu inchaço, além da realização de sessões de quimioterapia ou radioterapia.

4. Alterações na tireoide

Algumas alterações na tireoide, como hipotireoidismo ou hipertireoidismo, podem causar inchaço do pescoço, conhecido como bócio, que é caracterizado pelo aumento da glândula tireoide na tentativa de compensar a produção de hormônios tireoidianos. Conheça outras doenças relacionadas à tireoide.

O que fazer: é importante ir ao endocrinologista para que sejam feitos exames de imagem e laboratoriais que possam confirmar o diagnóstico. O tratamento é feito de acordo com a causa do bócio, podendo ser feito por meio da administração de iodo ou reposição hormonal, por exemplo. Veja como é feito o tratamento do bócio.

5. Caxumba

A caxumba, também conhecida como papeira ou parotidite infecciosa, é uma doença causada pelo vírus da família Paramyxoviridae que se aloja nas glândulas parótidas, submandibulares e sublinguais, promovendo o inchaço do rosto e, principalmente, da lateral do pescoço.

Além do inchaço no pescoço, outros sintomas da caxumba são febre, dor ao engolir ou dor no rosto e na região do pescoço. Saiba identificar todos os sintomas de caxumba.

O que fazer: o tratamento da caxumba é feito com o objetivo de aliviar os sintomas, sendo recomendado pelo clínico geral fazer repouso e usar medicamentos para aliviar o desconforto, como o paracetamol ou o ibuprofeno, por exemplo. Saiba como é feito o tratamento da caxumba.

A melhor forma de prevenir a caxumba é por meio da administração da vacina tríplice viral, que deve ser feita logo no primeiro ano de vida e que protege contra caxumba, sarampo e rubéola. Veja como é feito o esquema de doses da vacina tríplice viral.

6. Doenças autoimunes

As doenças autoimunes, como lúpus ou artrite reumatoide, afetam gravemente o sistema imune e, por isso, as células de defesa podem se acumular nos gânglios linfáticos, provocando a sua inflamação e o surgimento das ínguas.

Nestes casos, as ínguas podem aparecer em vários locais do corpo, além do pescoço, e também é comum o aparecimento de outros sintomas como dor muscular, náuseas, vômitos e suores noturnos.

O que fazer: se existir suspeitas de estar com uma doença autoimune é aconselhado ir no clínico geral para fazer exames gerais e iniciar o tratamento adequado, se necessário.

7. Tuberculose ganglionar

A tuberculose ganglionar é uma doença infecciosa, causada pela bactéria Mycobacterium tuberculosis, pode levar ao surgimento de Ínguas no pescoço e no tórax, podendo também estar presentes na nuca, axilas ou virilha.

Esse tipo de tuberculose é mais comum em pessoas com infecção pelo vírus do HIV e em mulheres com idade entre os 20 e os 40 anos. Entenda melhor o que é a tuberculose ganglionar.

O que fazer: deve-se consultar o pneumologista, infectologista ou clínico geral, que pode indicar o tratamento com antibióticos, como rifampicina, isoniazida ou pirazinamida, por no mínimo 6 meses.

8. Síndrome de Cushing

A síndrome de Cushing é uma doença endócrina caracterizada pelo aumento da concentração de cortisol no sangue, o que faz com que haja aumento rápido de peso e acúmulo de gordura na região abdominal e no rosto, o que torna o pescoço inchado, por exemplo.

Essa síndrome pode ser causada por uso prolongado e em doses elevadas de corticoides ou tumor na glândula pituitária, por exemplo. Veja outras causas da síndrome de Cushing.

O que fazer: deve-se consultar o clínico geral ou endocrinologista para que seja feito o diagnóstico e, assim, iniciado o tratamento que que pode ser feito com a redução da dose do corticóide ou a interrupção do seu uso, ou no caso de um tumor na hipófise, pode ser indicada a realização de cirurgia para remover o tumor, além de quimio ou radioterapia.

9. Celulite bacteriana

A celulite bacteriana é uma infecção na pele causada por bactérias do tipo Staphylococcus ou Streptococcus que contaminam a pele, como o pescoço, por exemplo, após uma lesão, como uma ferida ou picada de inseto.

Este tipo de infecção normalmente causa inchaço, dor e calor no local, vermelhidão, além de poder vir associado a febre, calafrios e fraqueza.

O que fazer: o tratamento da celulite bacteriana é feito com orientação do clínico geral ou infectologista, com o uso de antibióticos na forma de comprimidos ou na veia. Veja como é feito o tratamento da celulite bacteriana.

10. Linfoma

O caroço na nuca pode surgir devido ao linfoma, que é um tipo de câncer dos linfonodos, levando ao surgimento de ínguas no pescoço, que não some após 1 ou 2 meses e não para de crescer.

Geralmente, neste tipo de câncer outros sintomas podem estar presentes, como febre, suor noturno, cansaço excessivo e emagrecimento sem motivo aparente. Saiba identificar todos os sintomas do linfoma.

O que fazer: deve-se consultar o clínico geral, o hematologista ou o oncologista para que sejam feitos exames de sangue, tomografia ou PET-CT, por exemplo, para identificar o tipo de linfoma, e iniciar o tratamento mais adequado, que geralmente é feito com quimioterapia ou radioterapia. Confira todas as opções de tratamento para o linfoma.

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Atualizado por Marcela Lemos - Biomédica, em agosto de 2022. Revisão médica por Dr.ª Clarisse Bezerra - Médica de Saúde Familiar, em novembro de 2019.

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Revisão médica:
Dr.ª Clarisse Bezerra
Médica de Saúde Familiar
Formada em Medicina pelo Centro Universitário Christus e especialista em Saúde da Família pela Universidade Estácio de Sá. Registro CRM-CE nº 16976.