Tuberculose: o que é, sintomas, tipos, transmissão e tratamento

Revisão médica: Drª Sylvia Hinrichsen
Infectologista
agosto 2022

A tuberculose é uma infecção causada pela bactéria Mycobacterium tuberculosis, popularmente conhecido como bacilo de Koch (BK), que entra no organismo pelas vias aéreas superiores, por meio da inalação de gotículas de saliva ou secreções nasais liberadas quando uma pessoa infectada tosse, espirra ou fala. 

A tuberculose afeta principalmente os pulmões, levando ao surgimento de tosse seca e com sangue, dor no peito e dificuldade para respirar, mas também pode afetar outros órgãos, como rins, ossos ou cérebro, por exemplo, resultando em sintomas como dor nos ossos, sangue na urina ou dor de cabeça.

É importante consultar o infectologista ou o clínico geral assim que surgem os primeiros sintomas sugestivos de tuberculose, pois assim é possível iniciar o tratamento precoce, que costuma ser feito com uma combinação de antibióticos.

Sintomas de tuberculose

Os principais sintomas de tuberculose são:

  • Tosse com ou sem sangue;
  • Tosse persistente, por mais de 3 semanas;
  • Perda de peso sem motivo aparente;
  • Dor no peito ao tossir ou respirar;
  • Dificuldade respiratória;
  • Cansaço excessivo;
  • Febre baixa;
  • Calafrios;
  • Suor noturno.

Esses sintomas são mais comuns quando a bactéria se desenvolve nos pulmões. 

Além disso, quando a bactéria desenvolve-se em outros órgãos, como rins, cérebro ou coluna, é possível que surjam outros sintomas como inchaço no local em que a bactéria está instalada, dor nas costas ou presença de sangue na urina. Conheça outros sintomas da tuberculose.

Tipos de tuberculose

De acordo com o local que a bactéria da tuberculose se instala e desenvolve-se, a tuberculose pode ser classificada em alguns tipos, sendo os principais:

  • Tuberculose pulmonar: é a forma mais comum da doença e ocorre devido a entrada do bacilo nas vias respiratórias superiores e alojamento nos pulmões. Esse tipo de tuberculose é caracterizado por tosse seca e constantes com ou sem sangue, sendo a tosse a principal forma de contágio, já que as gotículas de saliva liberadas por meio da tosse contêm os bacilos de Koch, podendo infectar outras pessoas;
  • Tuberculose miliar: é uma das formas mais graves da tuberculose e ocorre quando o bacilo entra na corrente sanguínea e chega a todos os órgãos, havendo risco de meningite. Além do pulmão ser gravemente acometido, outros órgãos também podem ser;
  • Tuberculose óssea: apesar de não ser muito comum ocorre quando o bacilo consegue penetrar e se desenvolver nos ossos, o que pode provocar dor e inflamação, que nem sempre é inicialmente diagnosticada e tratada como sendo tuberculose;
  • Tuberculose ganglionar: é causada pela entrada do bacilo no sistema linfático, podendo acometer os gânglios do tórax, virilha, abdômen ou, mais frequentemente, do pescoço. Esse tipo de tuberculose extrapulmonar não é contagioso e tem cura quando tratado da maneira correta;
  • Tuberculose pleural: ocorre quando o bacilo acomete a pleura, tecido que reveste os pulmões, causando intensa dificuldade em respirar. Esse tipo de tuberculose extrapulmonar não é contagioso, no entanto pode ser adquirido ao se entrar em contato com pessoa com tuberculose pulmonar ou ser uma evolução da tuberculose pulmonar;
  • Tuberculose cerebral ou neurotuberculose: é causada pela entrada do bacilo no sistema nervoso central, podendo resultar em meningite ou encefalopatia, e sintomas como dor de cabeça, rigidez na nuca, vômitos ou até convulsões.

É importante que o tipo de tuberculose seja identificado pelo infectologista ou clínico geral de acordo com os sintoma apresentados pela pessoa e resultado de exames, pois assim é possível que possa ser iniciado o tratamento adequado para combater a bactéria e, assim, prevenir o desenvolvimento da doença e surgimento de complicações.

No caso da tuberculose pulmonar, o diagnóstico pode ser feito por meio da realização de raio-x de tórax e exame do escarro com pesquisa do bacilo da tuberculose, também chamado de pesquisa de BAAR (Bacilo Álcool-Ácido Resistente). Para diagnosticar a tuberculose extrapulmonar recomenda-se a realização de biópsia do tecido afetado. Pode-se ainda realizar um teste cutâneo de tuberculina, conhecido também por teste de Mantoux ou PPD, que é negativo em 1/3 dos pacientes. Entenda como é feito o PPD.

Conheça mais sobre a tuberculose, tipos e como é feito o diagnóstico no vídeo a seguir:

Como acontece a transmissão

A transmissão da tuberculose pode acontecer pelo ar, de pessoa para pessoa através da inspiração de gotículas infectadas liberadas através da tosse, espirro ou fala. A transmissão só pode acontecer se houver comprometimento pulmonar e até 15 dias após o início do tratamento. 

As pessoas que possuem o sistema imune comprometido por doenças ou devido à idade, que fumam e/ou consumem drogas possuem mais chances de serem infectadas pelo bacilo da tuberculose e desenvolverem a doença.

A prevenção das formas mais graves da tuberculose pode ser feita através da vacina BCG ainda na infância. Além disso recomenda-se evitar locais fechados, mal ventilados e com pouca ou nenhuma exposição solar, mas é essencial manter-se afastado de pessoas diagnosticadas com tuberculose. Veja como ocorre a transmissão da tuberculose e como se prevenir.

Como é feito o tratamento

O tratamento para tuberculose é gratuito, e por isso, se a pessoa desconfia que está com a doença, deverá procurar o hospital ou posto de saúde imediatamente. O tratamento consiste no uso de medicamentos do tipo tuberculostáticos por cerca de 6 meses seguidos ou de acordo com a orientação do pneumologista. Em geral, o esquema de tratamento indicado para tuberculose é a combinação de Rifampicina, Isoniazida, Pirazinamida e Etambutol.

Nos 15 primeiros dias de tratamento, a pessoa deve ficar isolada, pois ainda pode transmitir o bacilo da tuberculose para outras pessoas. Após esse período pode voltar para a sua rotina normal e continuar usando os medicamentos. Entenda como é feito o tratamento da tuberculose.

Tuberculose tem cura

A tuberculose tem cura quando o tratamento é feito da maneira correta de acordo com as recomendações do médico. O tempo de tratamento é em torno de 6 meses consecutivos, o que quer dizer que mesmo que os sintomas desapareçam em 1 semana, a pessoa deverá continuar tomando os remédios até completar os 6 meses. Caso isso não aconteça, pode ser que o bacilo da tuberculose não seja eliminado do organismo e a doença não ser curada, além disso, pode haver resistência bacteriana, o que torna o tratamento mais difícil.

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Atualizado por Flávia Costa - Farmacêutica, em agosto de 2022. Revisão médica por Drª Sylvia Hinrichsen - Infectologista, em outubro de 2019.

Bibliografia

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Revisão médica:
Drª Sylvia Hinrichsen
Infectologista
Médica infectologista, doutorada em Medicina Tropical pela Universidade Federal de Pernambuco, em 1995. Cremepe: 6522