Vacina BCG: para que serve, quando tomar e reações adversas

Revisão clínica: Manuel Reis
Enfermeiro
abril 2022
  1. Quando tomar
  2. Como é administrada
  3. Cuidados depois da vacina
  4. Reações adversas
  5. Contraindicações

A BCG é uma vacina indicada contra a tuberculose e é normalmente administrada logo após o nascimento, estando incluída no calendário básico de vacinação da criança. Esta vacina não impede a infecção nem o desenvolvimento da doença, mas impede que ela evolua e evita, na maior parte dos casos, as formas mais graves da doença, como a tuberculose miliar e a meningite tuberculosa. Saiba mais sobre a tuberculose.

A vacina BCG é composta por bactérias da estirpe Mycobacterium bovis (Bacillus Calmette-Guérin), que têm uma carga viral atenuada e que, por isso, ajudam a estimular de forma segura o organismo, levando à produção de anticorpos contra a doença, que serão ativados caso a bactéria entre no organismo.

A vacina é disponibilizada gratuitamente pelo Ministério da Saúde, sendo normalmente administrada na maternidade ou no posto de saúde logo após o nascimento.

Quando tomar

No Brasil, a vacina BCG é indicada para recém-nascidos com peso igual ou maior a 2kg e, por isso, costuma ser aplicada logo após o nascimento, ainda na maternidade.

Já em Portugal, a vacina BCG geralmente só é indicada para bebês com um elevado risco de desenvolver a infecção.

Como é administrada

A vacina BCG deve ser administrada diretamente na camada superior da pele, por um médico, enfermeiro ou profissional de saúde treinado. Geralmente, para crianças com idade inferior a 12 meses a dose recomendada é de 0,05 mL, e com idade superior a 12 meses é de 0,1 mL.

Esta vacina é sempre aplicada no braço direito da criança, e a resposta à vacina leva de 3 a 6 meses para aparecer, sendo notada quando surge uma pequena mancha vermelha elevada na pele, que evolui para uma pequena ferida e, finalmente, uma cicatriz.

O que significa a cicatriz da vacina BGC?

A formação da cicatriz indica que houve uma reação do organismo às bactérias injetadas na pele, sendo considerado um sinal de que a vacina foi capaz de estimular a imunidade do bebê.

No entanto, a ausência da cicatriz não indica necessariamente uma falta de imunização, não sendo recomendado que a vacina seja reaplicada se não existir cicatriza, já que não existem evidências científicas de que seja benéfico.

Cuidados a ter depois da vacina

Depois de receber a vacina, a criança pode apresentar uma lesão no local da injeção. Para que a cicatrização seja feita corretamente deve-se evitar cobrir a lesão, manter o local limpo, não aplicar qualquer tipo de medicamento, nem fazer curativo.

Possíveis reações adversas

Normalmente a vacina contra tuberculose não leva ao surgimento de efeitos colaterais, além da ocorrência de inchaço, vermelhidão e sensibilidade no local da injeção, que gradualmente muda para uma pequena vesícula e depois para uma úlcera em cerca de 2 a 4 semanas.

Embora seja raro, em alguns casos, pode ocorrer inchaço dos gânglios linfáticos, dor muscular e ferida no local da injeção. Ao surgirem esses efeitos colaterais, é indicado ir ao pediatra para que a criança seja avaliada.

Quem não deve tomar

A vacina é contraindicada para bebês prematuros ou com menos de 2kg, sendo necessário esperar o bebê chegar aos 2kg para que seja administrada a vacina. Além disso, pessoas com alergia a algum componente da fórmula, com doenças congênitas ou imunodepressoras, como infecção generalizada ou AIDS, por exemplo, não devem tomar a vacina.

Qual a duração da proteção?

A duração da proteção é variável. Sabe-se que vai diminuindo ao longo dos anos, pela incapacidade de gerar uma quantidade de células de memória suficientemente robusta e duradoura. Assim, sabe-se que a proteção é superior nos primeiros 3 anos de vida, mas não existem evidências de que a proteção seja superior a 15 anos.

A vacina BCG pode proteger do coronavírus?

Segundo a OMS, não existe qualquer evidência científica que demonstre que a vacina BCG seja capaz de proteger contra o novo coronavírus, causador da infecção COVID-19. No entanto, estão sendo feitas investigações para entender se realmente esta vacina pode ter algum efeito contra o novo coronavírus.

Devido à falta de evidência, a OMS recomenda a vacina BCG apenas para países em que existe um risco aumentado de contrair tuberculose.

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Atualizado e revisto clinicamente por Manuel Reis - Enfermeiro, em abril de 2022.

Bibliografia

  • SOCIEDADE BRASILEIRA DE IMUNIZAÇÕES. Calendário de vacinação - SBIm CRIANÇA. 2021. Disponível em: <https://sbim.org.br/images/calendarios/calend-sbim-crianca.pdf>. Acesso em 16 mar 2022
  • FREITAS, Joana Vanessa C.. Vacinação contra a Tuberculose - Será o fim do BCG na Europa?. Mestrado Integrado em Medicina, 2017. Faculdade de Medicina de Lisboa.
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  • WHO. MODELO DE BULA VACINA BCG . Disponível em: <https://www.who.int/immunization_standards/vaccine_quality/insert_bcg_port.pdf>. Acesso em 18 abr 2019
  • PEREIRA, Susan M.; DANTAS, Odimariles M. S.. Vacina BCG contra tuberculose: efeito protetor e políticas de vacinação. Revista Saúde Pública. 41. 1; 59-66, 2007
  • ZANARDO, Lúcia Helena. VACINA BCG. 2015. Disponível em: <http://www.telessaude.mt.gov.br/Arquivo/Download/2079>.
Revisão clínica:
Manuel Reis
Enfermeiro
Pós-graduado em fitoterapia clínica e formado pela Escola Superior de Enfermagem do Porto, em 2013. Membro nº 79026 da Ordem dos Enfermeiros.