Anticoagulantes: o que são, para que servem e principais tipos

agosto 2022
  1. Indicações
  2. Anticoagulantes orais
  3. Anticoagulantes injetáveis
  4. Anticoagulantes naturais
  5. Cuidados

Os anticoagulantes são remédios que impedem a formação de coágulos no sangue, sendo normalmente indicados para a prevenção ou o tratamento de trombose venosa profunda, embolia pulmonar, AVC, infarto ou arritmias cardíacas, por exemplo.

Assim, os anticoagulantes, conhecidos popularmente como “remédios para afinar o sangue”, permitem que o sangue se mantenha sempre líquido dentro dos vasos e possa circular livremente, sendo recomendados para pessoas que sofreram doenças provocadas por coágulos ou que tenham maior risco de as desenvolver.

Os anticoagulantes mais comumente indicados pelo médico são a heparina, varfarina e rivaroxabana, que devem ser usados com cuidado e sempre com acompanhamento médico, já que o seu uso incorreto, pode levar à ocorrência de hemorragias graves.

Para que servem

Os anticoagulantes são indicados para a prevenção ou tratamento de:

Além disso, os anticoagulantes podem ser indicados pelo médico para prevenir a formação de coágulos devido ao uso de prótese de válvulas cardíacas mecânicas, de quadril ou joelho, por exemplo, ou usados antes de cirurgias ou em pessoas hospitalizadas que passam muito tempo acamadas.

Principais tipos de anticoagulantes

Os anticoagulantes podem ser usados na forma de comprimidos ou injeção, sendo os principais:

1. Anticoagulantes orais

Os anticoagulantes orais agem diretamente sobre fatores que participam da coagulação sanguínea, como vitamina K, fator Xa ou trombina IIa, e desta forma impedem a formação do coágulo.

Os principais anticoagulantes orais que podem ser indicados pelo médico são:

  • Inibidores da vitamina K, como a varfarina (Marevan);
  • Inibidores do fator Xa, como rivaroxabana (Xarelto), apixabana (Equilis) ou edoxabana (Lixiana);
  • Inibidores da trombina IIa, como dabigatrana (Pradaxa).

Esses remédios devem ser usados com orientação médica, sendo que no caso da varfarina deve-se fazer acompanhamento médico regularmente, sendo necessários exames de sangue pelo menos 1 vez por mês, ou de acordo com a indicação médica, como tempo de protrombina e RNI, de forma a ajustar a dose do tratamento.

Além disso, esses anticoagulantes devendo ser sempre indicados pelo médico de acordo com a condição a ser tratada e com doses individualizadas, pois não devem ser usados por gestantes, mulheres em amamentação, ou por pessoas que tenham risco de sangramento ou problemas hepáticos ou renais, por exemplo.

2. Anticoagulantes injetáveis

Os anticoagulantes injetáveis são administrados por via intravenosa ou subcutânea, em hospitais, conforme indicação médica, sendo os principais:

  • Heparina não fracionada, como heparina (Liquemine);
  • Heparina de baixo peso molecular, como enoxaparina, dalteparina e tinzaparina;
  • Inibidores da trombina, como argatroban, bivalirudina ou desirudina.

Estes medicamentos são geralmente usados para prevenir a doença tromboembólica venosa em pessoas que foram submetidas a cirurgias, que apresentam mobilidade reduzida, para prevenir a formação de trombos durante a hemodiálise, ou no tratamento do infarto agudo do miocárdio.

A heparina também pode ser usada em gestantes, para a prevenção de trombose, pois não interfere na formação do bebê. Saiba como usar a heparina corretamente.

Cuidados durante o tratamento

Durante o tratamento com anticoagulantes, é importante:

  • Relatar ao médico sempre que houver mudanças na dieta ou no uso de medicamentos para não desregular a ação do anticoagulante;
  • Evitar misturar dois tipos de anticoagulantes, exceto em casos de indicação médica;
  • Observar sinais de sangramento, como excesso de manchas na pele, sangramento de gengivas, sangue na urina ou nas fezes e, em caso de presença de algum deles, procurar um médico.

Alguns alimentos ricos em vitamina K reduzem a ação de certos anticoagulantes, como a varfarina, devendo-se ter cuidados no seu consumo. No entanto, como a dose do anticoagulante é ajustável para a necessidade de cada pessoa, não é necessário parar o consumo de todos estes alimentos, mas, sim, evitar a mudança brusca da alimentação, mantendo uma quantidade constante na dieta.

Exemplos desses alimentos são os vegetais verde-escuros e folhosos, como espinafre, couve, alface, além de repolho, brócolis e couve-flor, por exemplo. Veja a lista completa dos alimentos ricos em vitamina K.

Remédios anticoagulantes naturais

Existem algumas substâncias fitoterápicas, popularmente conhecidas como capazes de "afinar" o sangue e diminuir o risco de formação de coágulos, como Ginkgo biloba ou Dong quai, por exemplo.

Estas plantas podem ser utilizadas em chás ou ingeridas sob a forma de cápsulas, vendidas em lojas de produtos naturais. Entretanto, o seu uso não deve substituir os medicamentos receitados pelo médico, e não devem ser utilizados em conjunto com outros anticoagulantes.

Além disso, só devem ser tomados após o conhecimento do médico, pois podem interferir na ação de outros medicamentos, e, assim como outros medicamentos, estes fitoterápicos deve ser interrompidos no pré-operatório de qualquer cirurgia.

Remédios caseiros que não devem ser usados com os anticoagulantes

É comum que algumas pessoas usem fitoterápicos ou remédios caseiros, sem indicação médica, no dia-a-dia, por acharem que são naturais e que não fazem mal. Porém, alguns deles podem interagir, geralmente intensificando, o efeito dos anticoagulantes, o que causa risco de sangramento, colocando em risco a vida da pessoa.

Assim, pessoas que fazem uso de medicamentos anticoagulantes ou anti-agregantes, devem ter um cuidado especial quando tomarem remédios caseiros ou suplementos alimentares preparados à base de:

  • Alho;
  • Ginkgo Biloba;
  • Ginseng;
  • Sálvia vermelha;
  • Guaco;
  • Dong Quai ou Angélica chinesa;
  • Castanha-da-índia;
  • Boldo;
  • Guaraná;
  • Arnica.

Devido a este tipo de interação entre os medicamentos e os remédios naturais, é importante apenas tomar medicamentos após indicação ou aprovação do médico.

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Atualizado e revisto clinicamente por Flávia Costa - Farmacêutica, em agosto de 2022.

Bibliografia

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Mostrar bibliografia completa
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Revisão clínica:
Flávia Costa
Farmacêutica
Formada em Farmácia pelo Centro Universitário Newton Paiva em 2003. Mestre em Ciências Biomédicas pela UBI, Portugal.