A síndrome da bexiga dolorosa, também conhecida por cistite intersticial, é uma inflamação crônica da parede da bexiga, que pode causar dor pélvica, urgência para urinar, aumento da frequência urinária e dor durante o ato sexual.
Embora a causa exata ainda não seja totalmente conhecida, a síndrome da bexiga dolorosa pode ser desencadeada por infecções urinárias recorrentes, excesso de sensibilidade nos nervos da bexiga, além de doenças autoimunes.
O tratamento é indicado pelo urologista e consiste em aliviar os sintomas, podendo incluir mudanças no estilo de vida, fisioterapia pélvica, medicamentos orais e, em casos graves, técnicas como neuromodulação ou cirurgia podem ser consideradas.
Sintomas da síndrome da bexiga dolorosa
A síndrome da bexiga dolorosa pode causar sintomas como:
- Sensação de pressão, queimação ou dor na região da bexiga ou pélvica;
- Urgência para urinar;
- Aumento da frequência urinária;
- Desconforto ao encher a bexiga;
- Dor durante relações sexuais;
- Alívio temporário da dor após urinar.
Além disso, pode haver sensação de queimação ao urinar, que muitas vezes é confundida com uma infecção urinária, mas os exames não detectam bactérias.
Em alguns casos, a mulher também pode sentir a piora da dor durante o período menstrual, e nos homens pode haver dor ou desconforto no pênis e escroto.
A intensidade dos sintomas pode variar ao longo do dia e pode piorar após a ingestão de alimentos e bebidas que irritam a bexiga, como café, chá, álcool, refrigerantes, alimentos ácidos ou picantes.
Como é feito o diagnóstico
O diagnóstico da síndrome da bexiga dolorosa é feito por urologistas, através da avaliação dos sintomas, histórico médico da pessoa e um exame físico, incluindo avaliação da região pélvica.
Marque uma consulta com o urologista mais próximo da sua região para uma avaliação:
O médico também pode solicitar exames de cultura de urina, para descartar infecções ou outras doenças. Veja para que serve a cultura de urina.
Em alguns casos, o urologista pode solicitar cistoscopia, exame em que se insere uma câmera na bexiga para verificar inflamação, lesões chamadas de Hunner ou outras alterações.
Leia também: Cistoscopia: o que é, para que serve e como é feita tuasaude.com/cistoscopiaPossíveis causas
Diversos fatores podem contribuem para a síndrome da bexiga dolorosa, entre eles:
- Defeitos na camada protetora da bexiga, que podem permitir que substâncias da urina irritem a parede da bexiga;
- Inflamação crônica, que pode danificar a bexiga;
- Excesso de sensibilidade nos nervos da bexiga, causando dor e urgência;
- Infecções urinárias repetidas, que podem predispor à irritação crônica da bexiga;
- Doenças autoimunes, como fibromialgia ou síndrome do intestino irritável, são frequentemente associadas à condição.
Em caso de histórico familiar, o risco de desenvolver a síndrome da bexiga dolorosa pode ser maior.
Tratamento da síndrome da bexiga dolorosa
O tratamento para a síndrome da bexiga dolorosa é indicado pelo urologista e pode incluir:
1. Mudanças no estilo de vida
O tratamento inicial geralmente inclui alterações no estilo de vida, como evitar alimentos e bebidas que pioram os sintomas, como café, álcool, refrigerantes, alimentos ácidos ou picantes.
Além disso, prática de exercício físico, técnicas de relaxamento, redução do estresse e redução do uso do cigarro também contribuem para aliviar os sintomas.
Leia também: 8 técnicas de relaxamento para acalmar a mente tuasaude.com/acalmar-a-mente2. Fisioterapia pélvica
A fisioterapia direcionada à região pélvica pode aliviar a dor e melhorar o controle da bexiga.
Entre os exercícios mais comuns utilizados na fisioterapia pélvica estão os exercícios de Kegel, que consistem em contrair e relaxar os músculos do assoalho pélvico para fortalecê-los. Saiba como fazer os exercícios de Kegel.
No entanto, o fisioterapeuta também pode combinar Kegel com técnicas de relaxamento e massagem para relaxar e alongar os músculos, reduzindo a pressão na bexiga e melhorando os sintomas.
O programa de fisioterapia é sempre personalizado, adaptando-se às necessidades específicas de cada pessoa.
3. Medicação
O tratamento pode consistir no uso de alguns dos seguintes medicamentos:
- Analgésicos e anti-inflamatórios não esteroides (AINEs), como ibuprofeno ou naproxeno, para reduzir a dor e a inflamação. Em casos mais graves, o médico pode prescrever opioides, como tramadol, para controlar a dor intensa de forma temporária;
- Instilações intravesicais, que consistem na aplicação direta de medicação na bexiga, ajudando a proteger a mucosa e reduzir a inflamação. Um exemplo comum é o dimetilsulfóxido, usado em alguns protocolos médicos para aliviar dor e urgência urinária;
- Amitriptilina, um antidepressivo tricíclico que também é eficaz no controle da dor crônica e na redução da frequência urinária;
- Cimetidina, tradicionalmente usada para problemas gástricos, mas que pode ajudar a aliviar sintomas da bexiga dolorosa em algumas pessoas;
- Hidroxizina ou outros anti-histamínicos, indicados quando há suspeita de inflamação de origem alérgica, ajudando a reduzir a irritação e a sensação de queimação na bexiga.
Além disso, o urologista também pode indicar o polissulfato sódico de pentosana, que ajuda a restaurar a barreira protetora da bexiga, ou o ácido hialurônico, usado para repor essa proteção natural do tecido que recobre a parede da bexiga.
4. Neuromodulação
A neuromodulação é uma técnica utilizada em casos mais graves, quando outras terapias não são suficientes. Consiste em estimular os nervos que controlam a bexiga por meio de impulsos elétricos, visando reduzir a dor e a frequência urinária. Entenda como é feita a neuromodulação.
5. Cirurgia
A cirurgia é considerada uma última opção e é indicada apenas em casos graves, quando todas as terapias conservadoras e minimamente invasivas falharam.
O tipo de cirurgia depende da condição específica da bexiga, podendo incluir ressecção de lesões ou, em casos extremos, procedimentos que reduzem a capacidade da bexiga ou substituem sua função.
Síndrome da bexiga dolorosa tem cura?
A síndrome da bexiga dolorosa não tem cura definitiva, sendo uma condição crônica, ou seja, os sintomas podem persistir por longos períodos, mas existem tratamentos que ajudam a controlar a dor, reduzir a urgência urinária e melhorar a qualidade de vida.