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Câncer de bexiga: o que é, sintomas, causas e tratamento

Revisão clínica: Dr.ª Clarissa Baldotto
Oncologista
janeiro 2023
  1. Sintomas
  2. Causas
  3. Diagnóstico
  4. Tratamento
  5. Cura

O câncer de bexiga é um tumor de células malignas na parede da bexiga, que pode causar sintomas como aumento da vontade para urinar, dor na região inferior da barriga, sangramento na urina, cansaço excessivo e perda de peso sem razão aparente.

Os sintomas do câncer de bexiga são progressivos e podem ser confundidos com outras doenças do sistema urinário, sendo importante que o urologista seja consultado assim que surgirem os primeiros sintomas para que seja feito o diagnóstico e iniciado o tratamento adequado, se necessário.

O câncer de bexiga pode acontecer em qualquer pessoa, no entanto é mais frequente em pessoas que estão expostas frequentemente a produtos químicos como corantes, pesticidas ou arsênico, ou são fumantes, já que o excesso dessas substâncias pode ficar concentrada na bexiga, levando a alterações progressivas nesse órgão.

Imagem ilustrativa número 1

Sintomas de câncer de bexiga

Os principais sintomas de câncer na bexiga são:

  • Sangue na urina, que muitas vezes só é identificado durante a análise da urina em laboratório;
  • Sensação de dor ou queimação ao urinar;
  • Dor na região inferior da barriga;
  • Aumento da necessidade de urinar;
  • Vontade repentina para urinar;
  • Incontinência urinária;
  • Fadiga;
  • Falta de apetite;
  • Perda de peso não-intencional.

Os sinais e sintomas de câncer de bexiga são comuns a outras doenças das vias urinárias, como câncer de próstata, infecção urinária, pedras nos rins ou incontinência urinária, e, por isso, é importante que o clínico geral ou urologista indique a realização de exames para identificar a causa dos sintomas e, assim, indicar o tratamento mais adequado. Confira outras causas de alterações na bexiga.

Principais causas

O câncer na bexiga é uma situação em que há proliferação de células malignas nesse órgão, interferindo no seu funcionamento. O desenvolvimento e disseminação das células malignas pode ser favorecido pela genética ou pela exposição a substâncias tóxicas de forma frequente ou prolongada.

Essas substâncias tóxicas podem ser encontradas no  cigarro, pesticidas, corantes e medicamentos, como ciclofosfamida e arsênico, por exemplo, e podem entrar no organismo através da alimentação, respiração ou contato com a pele. Assim, essas substâncias podem entrar em contato com a parede da bexiga e desencadear a formação de células cancerígenas.

Como é feito o diagnóstico

O diagnóstico do câncer de bexiga é feito pelo urologista ou nefrologista a partir da avaliação dos sinais e sintomas apresentados pela pessoa, além de realização de exame físico.

Para chegar ao diagnóstico, o médico normalmente solicita alguns exames de avaliação do sistema urinário, como exame de urina, ultrassonografia das vias urinárias, ressonância ou tomografia computadorizada, e a cistoscopia, que consiste na introdução de um tubo fino pela uretra para observar o interior da bexiga. Entenda como é feita a cistoscopia.

Além disso, caso haja suspeita de câncer, o médico indica a realização de uma biópsia, em que é retirada uma pequena amostra da região alterada da bexiga para que seja avaliada microscopicamente com objetivo de verificar se aquela alteração é benigna ou maligna. Esta biópsia geralmente é feita durante a cistoscopia.

Estágios do câncer de bexiga

De acordo com as características observadas durante o exame de imagem, o câncer de bexiga pode ser classificado em alguns estágios:

  • Estágio 0 - sem evidência de tumor ou tumores localizados somente no revestimento da bexiga;
  • Estágio 1 - tumor atravessa que o revestimento da bexiga, mas não atinge a camada muscular;
  • Estágio 2 - tumor que atinge a camada muscular da bexiga;
  • Estágio 3 - tumor que ultrapassa a camada muscular da bexiga atingindo os tecidos ao seu redor;
  • Estágio 4 - o tumor se espalha para os gânglios linfáticos e órgãos vizinhos, ou para locais distantes.

É importante que o estágio do câncer de bexiga seja identificado, pois assim é possível definir a gravidade e ser iniciado tratamento mais específico. O estágio que o câncer se encontra depende do tempo que a pessoa o desenvolveu, portanto, é muito importante que o diagnóstico e o início do tratamento sejam feitos o mais rápido possível.

Como é feito o tratamento

O tratamento do câncer de bexiga depende do estágio e do grau de comprometimento do órgão, e pode ser feito através de cirurgia, quimioterapia, radioterapia e imunoterapia, conforme indicação do médico. Quando o câncer de bexiga é identificado logo nos primeiros estágios, há grande chance de cura e, por isso, o diagnóstico precoce é fundamental.

Assim, de acordo com o estágio da doença, sintomas apresentados pela pessoa e estado geral de saúde, as principais opções de tratamento são:

1. Cirurgia

A cirurgia é o tratamento mais usado para curar este tipo de câncer, porém, só tem bons resultados quando o tumor está nos estágios iniciais e se encontra localizado. Alguns procedimentos cirúrgicos que podem ser usados são:

  • Resseção transuretral: consiste na raspagem, retirada ou queimação do tumor quando possui um pequeno tamanho e está localizado na superfície da bexiga;
  • Cistectomia segmentar: consiste na retirada da parte da bexiga afetada pelo tumor;
  • Cistectomia radical: realizada nas fases avançadas da doença e consiste na remoção total da bexiga.

Na remoção total da bexiga podem ser retirados também os gânglios linfáticos, ou outros órgãos próximos da bexiga que possam ter células cancerígenas. No caso dos homens, os órgãos retirados são a próstata, a vesícula seminal e parte dos canais deferentes. Nas mulheres, são removidos o útero, os ovários, as trompas de Falópio e parte da vagina.

2. Imunoterapia com BCG

A imunoterapia utiliza remédios que estimulam o sistema imune para atacar as células do câncer e é mais usada nos casos de câncer superficial da bexiga ou para prevenir novo crescimento do câncer, após a cirurgia, por exemplo.

O medicamento mais utilizado na imunoterapia é o BCG, uma solução que contém bactérias vivas e enfraquecidas, que são introduzidas na bexiga através de um cateter, que vão estimular o sistema imunológico a matar as células cancerígenas.

A pessoa deverá manter a solução BCG na bexiga durante cerca de 2 horas e o tratamento realiza-se uma vez por semana, durante 6 semanas, podendo variar de acordo com a indicação médica. Há outros agentes imunoterápicos que também podem ser recomendados, dependendo do caso.

3. Radioterapia

Este tipo de tratamento utiliza radiação para eliminar as células cancerígenas e pode ser realizada antes da cirurgia, para reduzir o tamanho do tumor, em substituição à cirurgia nos casos em de pessoas que não podem operar, ou depois da cirurgia, para eliminar as células de cancerígenas que ainda possam estar presentes.

A radioterapia pode ser feita de forma externa, através de um aparelho que incide radiação sobre a região da bexiga, ou por radiação interna, em que é colocado um dispositivo na bexiga que liberta a substância radioativa. O tratamento é realizado algumas vezes por semana, durante várias semanas, a depender do estágio do tumor.

4. Quimioterapia e Imunoterapia

A quimioterapia para câncer de bexiga usa remédios para eliminar as células cancerígenas, atuando tanto na própria bexiga como em outros órgãos. Pode ser utilizado apenas um medicamento ou combinação de dois. A imunoterapia também pode ser recomendada dependendo das características do tumor.

Em doentes com câncer de bexiga superficial, o médico pode utilizar a quimioterapia intravesical, em que o remédio é introduzido diretamente na bexiga através de um cateter, ficando a atuar durante várias horas. Este tratamento realiza-se um vez por semana, por várias semanas.

O câncer de bexiga tem cura?

As chances de cura do câncer de bexiga são maiores quando o tumor é identificado logo nos primeiros estágios da doença, pois nessa fase o tumor ainda não está muito desenvolvido, sendo mais fácil de ser combatido através do tratamento indicado pelo médico.

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Atualizado por Manuel Reis - Enfermeiro, em janeiro de 2023. Revisão clínica por Dr.ª Clarissa Baldotto - Oncologista, em janeiro de 2023.

Bibliografia

  • INCA. Câncer de bexiga - versão para Profissionais de Saúde. Disponível em: <https://www.inca.gov.br/tipos-de-cancer/cancer-de-bexiga/profissional-de-saude>. Acesso em 27 mai 2020
  • GOLDMAN, Lee; SCHAFER, Andrew I. . Goldman-Cecil Medicine . 25.ed. Rio de Janeiro: Elsevier, 2018. p. 1374- 1377.
Mostrar bibliografia completa
  • SOCIEDADE BRASILEIRA DE ONCOLOGIA CLÍNICA. Câncer de bexiga. Disponível em: <https://sboc.org.br/images/diretrizes/diretrizes_pdfs/Cancer_de_bexiga.pdf>. Acesso em 26 mai 2020
Revisão clínica:
Dr.ª Clarissa Baldotto
Oncologista
Mestre em Cancerologia pelo Instituto Nacional de Câncer e Doutora em Ciências Médicas pelo Instituto D'Or de Pesquisa e Ensino, com CRM-RJ 705314.