Dor na relação: 9 principais causas e o que fazer

Revisão médica: Drª. Sheila Sedicias
Ginecologista
julho 2022

A dor durante as relações sexuais é um sintoma que pode estar presente na vida íntima de alguns casais em qualquer momento da relação sexual, podendo estar relacionada com alterações físicas ou psicológicas, chegando a ser um problema que pode afetar a relação.

A dispareunia, que é como a dor na relação sexual é conhecida, tem várias causas, podendo ser devido devido à diminuição da libido, excesso de estresse, uso de medicamentos ou infecções sexualmente transmissíveis, por exemplo.

Por isso, é importante que o ginecologista seja consultado, no caso das mulheres, ou urologista, nos casos dos homens, para que seja identificada a causa da dor e, assim, ser iniciado o tratamento adequado.

As principais causas de dor na relação sexual são:

1. Diminuição da libido

A diminuição da libido é uma das principais causas de dor e ardência durante a relação sexual, principalmente nas mulheres, pois leva à diminuição da lubrificação vaginal, o que torna a penetração mais dolorosa. A diminuição da libido pode acontecer devido a diversos fatores, sendo os principais o excesso de estresse, que além de diminuir a lubrificação dificulta a excitação, uso de alguns medicamentos, principalmente antidepressivos e anti hipertensores, e problemas conjugais.

O que fazer: Nestes casos é recomendado consultar um clínico geral para que se possa identificar a causa da diminuição da libido e, no caso de ser devido ao uso de medicamentos, pode ser indicada a troca ou suspensão do medicamento. Além disso, o apoio de um psicólogo é fundamental, já que assim é possível que se possa aliviar o estresse ou encontrar estratégias para resolver os conflitos do casal.

2. Alergia

Alguns problemas de pele, como a dermatite de contato provocada pelo uso de sabonetes íntimos ou lubrificantes, podem levar ao surgimento de feridas na região íntima da mulher ou do homem, causando coceira, desconforto e dor durante a relação sexual.

O que fazer: Caso seja verificada que a dor durante a relação sexual é devido à alérgica, é recomendado evitar o uso de produtos que possam ser irritantes para a região íntima e consultar um dermatologista ou ginecologista para iniciar o tratamento adequado para o problema.

3. Infecções Sexualmente Transmissíveis (ISTs)

As infecções sexualmente transmissíveis são as principais causas de dor durante a relação sexual. Nas mulheres a principal IST relacionada com a dor na relação sexual é a pelo protozoário Trichomonas vaginalis, responsável pela tricomoníase, enquanto que nos homens é mais frequente a infecção pelo Mycoplasma hominis. Outras infecções sexualmente transmissíveis que podem causar dor e desconforto nas relações sexuais são herpes genital e gonorreia.

Essas infecções, além de causarem dor durante a relação sexual, levam ao aparecimento de outros sinais e sintomas, como coceira, sensação de queimação na região íntima, presença de corrimentos, aparecimento de feridas ou manchas na região genital.

O que fazer: Nesses casos, é recomendado seguir a orientação do ginecologista ou do urologista, que indica o tratamento de acordo com o microrganismo responsável pela doença, sendo na maioria das vezes indicado o uso de antibióticos. Além disso, é importante manter a região genital sempre limpa, urinar após as relações sexuais e evitar o contato sexual sem camisinha.

4. Alterações hormonais

A dor na relação sexual devido às alterações hormonais é mais frequente nas mulheres que estão entrando na menopausa ou que fazem uso de medicamentos de reposição hormonal, o que provoca desregulação dos níveis de estrogênio no organismo, diminui a lubrificação da vagina e facilita o surgimento de dor durante o contato íntimo.

O que fazer: A dor causada pelas alterações hormonais e que tem como consequência a diminuição da lubrificação, pode ser solucionada com o uso de lubrificantes íntimas, no entanto, é importante consultar o ginecologista caso se tenha entrado na menopausa para iniciar o tratamento adequado e evitar outros incômodos como ondas de calor ou palpitações.

5. Infecção urinária

As infecções urinárias, além de coceira na região genital, queimação e dor ao urinar e surgimento de corrimento, também pode levar à dor durante a relação sexual tanto nos homens quanto nas mulheres, sendo mais frequente nesse caso devido à anatomia dos órgãos genitais femininos, que faz com que sejam mais suscetíveis a infecções.

O que fazer: É indicado consultar o urologista ou o ginecologista para que seja iniciado o tratamento, que dependo do microrganismo identificado como causador da infecção, podendo então ser indicado o uso de antibióticos ou antifúngicos. Além disso, é importante manter uma boa higiene íntima, beber bastante líquidos, evitar a relação sexual sem camisinha e usar roupa íntima de algodão.

6. Pós-parto

O período de pós-parto pode ser muito desconfortável para a mulher, especialmente após um parto natural devido às lesões que podem ter surgido na região íntima. Além disso, o sangramento que ocorre depois do parto pode durar várias semanas, tornando o contato íntimo desconfortável.

O que fazer: É recomendado voltar a ter relações sexuais depois das 3 semanas de pós-parto pois existe menos risco de infecção e o sangramento é menor, porém, a mulher que deve decidir quando se sente mais confortável para voltar a ter contato íntimo.

Além disso, outra forma de melhorar a relação sexual é através da prática do Pompoarismo, uma técnica que melhorar e aumentar o prazer sexual durante o contato íntimo. Veja como praticar o pompoarismo para melhorar a vida sexual.

7. Disfunção erétil

A disfunção erétil é um distúrbio sexual masculino que pode causar o desenvolvimento de deformações no pênis em alguns homens, podendo provocar dor durante a penetração tanto no homem como na mulher.

O que fazer: Deve-se consultar um urologista caso existam problemas relacionados com a ereção, no entanto, para melhorar os resultados é recomendado fazer uma alimentação pobre em gorduras, açúcar e álcool, pois são substâncias que podem piorar o problema.

8. Fimose

A fimose consiste na dificuldade de expor a glande do pênis quando a pele que a recobre não tem abertura suficiente, provocando dor intensa durante a relação sexual. Este problema normalmente tende a desaparecer até a puberdade mas pode se manter até a idade adulta.

O que fazer: É recomendado consultar um urologista para avaliar o problema e fazer uma pequena cirurgia para retirar o excesso de pele no pênis. Veja como é feita a cirurgia para fimose.

9. Inflamação da próstata

A inflamação da próstata é um problema comum que pode surgir durante a vida do homem e, normalmente, além de causar dor durante o contato íntimo, especialmente ao ejacular, também pode provocar queimação ao urinar.

O que fazer: É aconselhado consultar o urologista para que seja identificada a causa e possa ser iniciado o tratamento mais adequado, que pode ser feito com anti-inflamatórios e, no caso de haver infecção associada, antibiótico de acordo com o microrganismo envolvido. Além disso, durante o tratamento uma boa dica é tomar um banho quente ou fazer um banho de assento para aliviar a dor durante a relação sexual.

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Atualizado por Equipe Editorial do Tua Saúde, em julho de 2022. Revisão médica por Drª. Sheila Sedicias - Ginecologista, em fevereiro de 2016.
Revisão médica:
Drª. Sheila Sedicias
Ginecologista
Médica mastologista e ginecologista formada pela Universidade Federal de Pernambuco, em 2008 com registro profissional no CRM PE 17459.