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10 doenças provocadas pelo cigarro (e o que fazer)

Revisão médica: Dr. Gonzalo Ramirez
Psicólogo e Clínico Geral
fevereiro 2023

O cigarro pode causar doenças respiratórias, como enfisema pulmonar e bronquite crônica, doenças cardiovasculares, como pressão alta, infarto, AVC, aneurisma ou trombose, impotência sexual em homens, além de diversos tipos de câncer, como câncer de pulmão, bexiga ou boca, por exemplo.

Isto acontece devido às substâncias químicas presentes no cigarro, como nicotina, alcatrão, monóxido de carbono ou formol, que são capazes de provocar inflamação nos pulmões e nos vasos sanguíneos, interferir no fluxo sanguíneo, aumentar o depósito de gordura nos vasos sanguíneos, além de provocar alterações na genética das células. 

Mesmo as pessoas que fumam pouco ou que não fumam, mas inalam a fumaça de outras pessoas, podem sofrer consequências. Além disso, não só o cigarro tradicional industrializado faz mal, como também as versões fumo mascado, palha, cachimbo, charuto, narguilé e cigarro eletrônico (VAPE). Veja também os riscos do cigarro eletrônico.

Imagem ilustrativa número 1

Principais doenças causadas pelo cigarro

Algumas das doenças que podem ser causadas pelo uso do cigarro são:

1. Enfisema pulmonar e bronquite

O enfisema e a bronquite crônica são um tipo de doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC), que podem devido a fumaça e outras substâncias presentes no cigarro que provocam uma inflamação ou obstrução crônica no revestimento dos brônquios ou bronquíolos, e aos poucos levam a destruição do tecido que forma as vias respiratórias, dificultando as trocas gasosas de modo eficiente.

Os principais sintomas que surgem neste tipo de doença são falta de ar, tosse crônica e casos de pneumonia frequente. A falta de ar, inicialmente, surge ao realizar esforços, mas à medida que a doença se agrava, pode surgir mesmo estando parado e resultar em complicações, como hipertensão pulmonar e infecção respiratória. Entenda como identificar e como tratar a DPOC.

O que fazer: deve-se consultar o clínico geral ou pneumologista para que sejam feitos exames, diagnosticado o tipo de doença pulmonar, e assim indicado o tratamento mais adequado, que normalmente inclui o uso de bombinhas inalatórias contendo medicamentos que abrem as vias respiratórias, facilitando a passagem do ar.

Nos casos em que é observada piora dos sintomas, o médico pode indicar o uso de corticoides ou de oxigênio. Além disso, é fundamental deixar de fumar para evitar a progressão da inflamação dos pulmões e piora dos sintomas.

2. Infarto e AVC

O cigarro produz alterações cardiovasculares, acelerando os batimentos cardíacos e contraindo as principais artérias, o que leva à alteração no ritmo dos batimentos cardíacos e aumento da pressão arterial, o que pode provocar infarto, angina, AVC e aneurisma.

O cigarro causa inflamação na parede dos vasos sanguíneos e, por isso, aumenta as chances do desenvolvimento de doenças cardiovasculares, como infarto, AVC, trombose e aneurismas.

A pessoa que fuma pode apresentar mais chances de ter pressão alta, apresentar dores no peito, como a angina, e ter placas de gorduras nos vasos, por exemplo, o que aumenta o risco de doenças cardiovasculares, principalmente se associadas com outras situações de risco, como pressão alta, colesterol alto e diabetes.

O que fazer: é importante consultar um cardiologista para que seja avaliada a saúde do coração e seja iniciado o tratamento, que nesses casos pode incluir o uso de remédios que controlem a formação de coágulos sanguíneos, como o ácido acetilsalicílico (AAS) e o clopidogrel, e de remédios que controlem a pressão arterial.

Em casos mais graves, pode ser recomendada a realização de cirurgia e, no caso do AVC, pode ser necessário fazer um cateterismo cerebral, que é um procedimento que tem como objetivo remover o coágulo. Entenda como é feito o cateterismo cerebral.

3. Impotência sexual

O fumo causa impotência em homens, especialmente com menos de 50 anos, tanto por alterar a liberação dos hormônios importantes para o contato íntimo, como por inibir o fluxo sanguíneo que bombeia o sangue para o pênis, necessário para manter a ereção, além de também interferir na qualidade do esperma.

Assim, a pessoa que fuma pode ter dificuldades para iniciar ou manter o contato íntimo até o final, causando alguns constrangimentos. Entretanto, parar de fumar costuma reverter parcial ou totalmente esta situação.

O que fazer: nesses casos o mais recomendado é parar de fumar, já que dessa forma é possível ter a capacidade sexual restabelecida. Em alguns casos pode ser interessante também ter sessões com psicólogo ou sexólogo, pois podem ajudar a reverter a impotência. 

4. Doenças reumáticas

O tabagismo aumenta o risco de desenvolver a artrite reumatoide, com presença de dor, inchaço e vermelhidão nas articulações, principalmente nas mãos, e aumentam a gravidade e dificuldade do seu tratamento, já que diminui a eficácia dos medicamentos para tratar artrite.

O tabagismo também aumenta o risco do desenvolvimento de doenças cardiovasculares nas pessoas com doenças reumáticas devido ao aumento da inflamação e disfunção das células do organismo.

O que fazer: no caso de doenças reumáticas, além de parar de fumar, é importante que a pessoa seja acompanhada pelo reumatologista e faça exames regulares com o objetivo de verificar se há alterações e se há necessidade de alteração na dose do medicamento devido ao fumo. Veja como é o tratamento da artrite reumatoide.

5. Úlceras gástricas

O cigarro favorece o surgimento de novas úlceras no estômago, atrasa a sua cicatrização, interfere na efetividade do tratamento para erradicá-las e aumenta as complicações relacionadas às úlceras.

O cigarro aumenta em 4 vezes as chances de desenvolver uma úlcera gástrica, assim como outras doenças do trato gastrointestinal, como gastrite, refluxo e doença inflamatória intestinal, por exemplo, devido ao aumento das inflamações também nas mucosas do estômago e intestino.

Por isso, é comum que pessoas que fumam tenham mais sintomas como dor no estômago, queimação, má-digestão e alterações no ritmo intestinal.

O que fazer: para tratar as úlceras gástricas, o gastroenterologista ou clínico geral indicam o uso de medicamentos que diminuem a acidez do estômago, evitando a piora dos sintomas e a progressão da úlcera.

Além disso, pode ser indicado o uso de medicamentos analgésicos para controlar as dores e mudança nos hábitos alimentares, devendo ser evitados alimentos muito ácidos, quentes e que promovem a liberação do ácido gástrico, como é o caso do café, molhos e do chá preto. Veja como deve ser o tratamento para úlcera gástrica.

6. Alterações visuais

As substâncias da fumaça do cigarro também aumentam o risco de desenvolvimento de doenças oculares, como catarata e degeneração macular, por aumentar as chances de disfunção e inflamação das células.

A catarata causa embaçamento ou deixa a visão com aspecto borrado, o que dificulta a capacidade visual, principalmente à noite. Já na degeneração macular, ocorrem alterações no centro da visão, que fica embaçada, podendo piorar com o tempo.

O que fazer: é recomendado consultar o oftalmologista para que a visão seja avaliada e, caso seja necessário, pode ser indicada a realização de cirurgia para corrigir o problema.

7. Alterações da memória

O cigarro está associado ao aumento do risco de desenvolver demência, tanto pela doença de Alzheimer, quanto por lesões cerebrais decorrentes de micro-AVCs.

As síndromes demenciais provocam perda de memória, que piora ao longo do tempo, e podem causar alterações, também, no comportamento e na capacidade de comunicação.

O que fazer: uma das formas de estimular a memória é por meio da realização de exercícios com jogos de palavras ou de imagens, além de ter uma alimentação rica em ômega 3, que é uma substância que promove a saúde do cérebro, e ter uma boa noite de sono. Confira mais dicas para melhorar a memória.

8. Complicações na gravidez

No caso das grávidas que fumam ou inalam fumaça de cigarro em excesso, as toxinas do cigarro podem provocar diversas complicações, como aborto espontâneo, retardamento de crescimento do feto, nascimento prematuro ou mesmo morte do bebê, por isso, é muito importante que a mulher deixe de fumar antes de ficar grávida.

É importante observar a presença de sangramentos, cólicas intensas ou alterações no crescimento do útero, sendo muito importante fazer o pré-natal corretamente para identificar qualquer alteração, o mais cedo possível.

O que fazer: caso seja verificada qualquer sinal de alteração durante a gravidez que possa ser devido ao cigarro, o melhor a se fazer é ir ao obstetra para que sejam feitos exames para verificar se o bebê está se desenvolvendo corretamente. Veja mais sobre os riscos do cigarro na gravidez.

9. Câncer de bexiga

Grande parte das substâncias cancerígenas presentes no cigarro que entram na circulação, podem chegar nas vias urinárias e não serem eliminadas, aumentando também o risco de desenvolver câncer de bexiga, por ficarem em contato com estas estruturas.

Alguns dos sinais e sintomas que podem ocorrer em pessoas com câncer de bexiga são presença de sangue na urina, dor abdominal, vontade de urinar com mais frequência, dor na zona pélvica e perda de peso, por exemplo. Saiba mais sobre os sintomas do câncer de bexiga.

O que fazer: na presença de sinais e sintomas de câncer de bexiga, e recomendado consultar o urologista ou oncologista para que sejam feitos exames com o objetivo de confirmar o diagnóstico e verificar a extensão do tumor, podendo, assim, ser indicado o tratamento mais recomendado, que pode ser feito com cirurgia, quimioterapia, radioterapia ou imunoterapia. Conheça mais sobre o tratamento do câncer de bexiga. 

10. Câncer de pulmão

Quando as substâncias do cigarro entram em contato com os finos tecidos dos pulmões que fazem as trocas respiratórias, existe o risco de se desenvolver câncer, devido às inflamações e disfunções induzidas por elas.

O câncer de pulmão leva ao surgimento de sintomas como falta de ar, tosse excessiva ou com sangue e perda de peso. Entretanto, muitas vezes, o câncer é silencioso e só causa sintomas quando está avançado, por isso, é importante deixar de fumar o quanto antes, além de fazer acompanhamentos regulares com o pneumologista.

O que fazer: nesse caso a primeira coisa a se fazer é deixar de fumar, além de seguir as orientações de tratamento recomendadas pelo médico. O tratamento para o câncer de pulmão é definido pelo oncologista de acordo com o tipo, classificação, tamanho e estado de saúde da pessoa, podendo ser indicada cirurgia, radioterapia, quimioterapia ou imunoterapia, por exemplo. Entenda como é feito o tratamento do câncer de pulmão.

Além do câncer de pulmão e bexiga, o cigarro é responsável por aumentar o risco de quase 20 tipos de câncer, como câncer de boca, esôfago, estômago, laringe, intestino, rins, pâncreas ou colo uterino, por exemplo. Isto acontece porque o cigarro contém mais de 60 substâncias cancerígenas que são capazes de interferir na informação genética das células, além de causar inflamação.

Assista o vídeo seguinte, em que a nutricionista Tatiana Zanin e o Dr. Drauzio Varella conversam sobre os malefícios do cigarro para a saúde:

Como evitar as doenças causadas pelo cigarro

A única forma de evitar estas doenças é parando de fumar. Apesar de ser difícil abandonar este vício, deve-se ter em mente a importância desta atitude para a saúde, e dar o primeiro passo. Confira algumas para conseguir parar de fumar.

Caso seja difícil conseguir sozinho, existem tratamentos que podem auxiliar no abandono do tabagismo, prescritos pelo pneumologista, como adesivos ou pastilhas de nicotina, além da possibilidade de frequentar grupos de apoio ou ter um acompanhamento psicológico. Normalmente, ao parar de fumar, o risco de desenvolver doenças associadas ao consumo do cigarro diminui.

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Atualizado por Flávia Costa - Farmacêutica, em fevereiro de 2023. Revisão médica por Dr. Gonzalo Ramirez - Psicólogo e Clínico Geral, em fevereiro de 2023.

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Revisão médica:
Dr. Gonzalo Ramirez
Psicólogo e Clínico Geral
Clínico geral pela UPAEP com cédula profissional nº 12420918 e licenciado em Psicologia Clínica pela UDLAP nº 10101998.

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