COVID-19 em crianças: sintomas, tratamento e quando ir ao hospital

Revisão médica: Dr.ª Sani Santos Ribeiro
Pediatra e Pneumologista infantil
setembro 2022
  1. Sintomas
  2. Quando ir ao médico
  3. Tratamento
  4. Prevenção
  5. Vacina COVID-19

Embora seja menos frequente que nos adultos, as crianças também podem desenvolver COVID-19. No entanto, os sintomas parecem ser menos graves que nos adultos, sendo mais comum o aparecimento de febre, tosse, cansaço, alterações na pele e diarreia, por exemplo.

Ainda assim, algumas crianças podem apresentar um quadro de infecção mais grave, conhecido como síndrome inflamatória multissistêmica pediátrica, que pode gerar sintomas mais fortes, como febre muito alta, vômitos e dor abdominal intensa. Entenda melhor como identificar e tratar a síndrome inflamatória multissistêmica.

Sempre que existir suspeita de COVID-19, deve-se levar a criança ao pediatra para fazer uma avaliação mais completa e seguir os mesmos cuidados que os adultos, lavando frequentemente as mãos e mantendo o distanciamento social, já que podem transmitir o COVID-19 para outras pessoas de maior risco, como pais ou avós.

Principais sintomas

Os sintomas mais frequentes de COVID-19 em crianças são:

  • Febre acima de 38ºC;
  • Tosse seca persistente;
  • Coriza;
  • Dor de cabeça;
  • Redução do paladar e olfato;
  • Dor de garganta;
  • Náuseas e vômitos;
  • Diarreia;
  • Cansaço excessivo;
  • Diminuição do apetite.

Os sintomas duram entre 6 e 21 dias e são semelhantes aos de uma virose e, por isso, também podem ser acompanhados de algumas alterações gastrointestinais, como dor abdominal, diarreia ou vômitos, por exemplo.

Ao contrário dos adultos, a falta de ar não é muito comum nas crianças e, além disso, é possível que muitas crianças possam estar infectadas e nem apresentar sintomas.

Síndrome inflamatória multissistêmica

A síndrome inflamatória multissistêmica é uma alteração da COVID-19 que tem sido observada principalmente nas crianças. Essa síndrome causa uma inflamação generalizada, que pode afetar o coração, pulmões, pele, cérebro e olhos. Nesses casos, os sintomas da COVID-19 tendem a ser mais intensos. Entenda melhor o que é a síndrome inflamatória multissistêmica.

Alterações na pele podem ser mais comuns em crianças

É possível que a COVID-19 nas crianças cause mais frequentemente sintomas como febre alta persistente, vermelhidão na pele, inchaço, e lábios secos ou rachados, semelhantes à doença de Kawasaki.

Além disso, têm sido relatados os "dedos de covid" em crianças, que se caracterizam pela alteração na cor da pele do dedo, que pode ficar roxa ou vermelha, além de também poder haver o aparecimento de saliências, dor intensa, coceira, bolhas e inchaço.

Quando levar a criança ao médico

Ainda que a COVID-19 em crianças pareça ser menos grave, é muito importante que todas as crianças com sintomas sejam avaliada para aliviar o desconforto da infecção e identificar a sua causa.

É recomendado que sejam avaliadas pelo pediatra todas as crianças com:

  • Menos de 3 meses de idade e com febre acima de 38ºC;
  • Idade entre 3 e 6 meses com febre acima de 39ºC;
  • Febre que dura por mais de 5 dias;
  • Dificuldade para respirar;
  • Lábios e rosto com coloração azulada;
  • Dor ou pressão forte na região do peito ou abdômen;
  • Perda acentuada do apetite;
  • Alteração do comportamento normal;
  • Febre que não melhora com o uso de remédios indicados pelo pediatra.

Além disso, quando estão doentes, as crianças têm maior tendência para desidratar, devido à perda de água pelo suor ou diarreia e, por isso, é importante consultar um médico se existirem sintomas de desidratação como olhos fundos, diminuição da quantidade de urina, boca seca, irritabilidade e choro sem lágrimas.

Como é feito o tratamento

Até o momento não existe um tratamento específico para a COVID-19 e, por isso, o tratamento inclui o uso de remédios para aliviar os sintomas e evitar o agravamento da infecção, como paracetamol, para diminuir a febre, antibióticos, caso exista risco de infecção pulmonar, e medicamentos para outros sintomas como tosse ou coriza, por exemplo.

Na maioria dos casos, o tratamento pode ser feito em casa, mantendo a criança em repouso, com boa hidratação e administrando os medicamentos recomendados pelo pediatra. No entanto, também existem situações em que pode ser recomendado a internação, especialmente se a criança apresentar sintomas mais sérios, como falta de ar e dificuldade respiratória, ou se possuir histórico de outras doenças que facilitem o agravamento da infecção, como diabetes ou asma.

Como proteger contra a COVID-19

As crianças devem seguir os mesmos cuidados que os adultos na prevenção da COVID-19, o que inclui:

  • Lavar as mãos regularmente com água e sabão, especialmente depois de estar em locais públicos;
  • Manter o distanciamento de outras pessoas, especialmente de idosos;
  • Utilizar máscara de proteção individual, em crianças a partir de 2 anos;
  • Evitar tocar com as mãos no rosto, principalmente na boca, nariz e olhos;

Estes cuidados devem ser incluídos no dia-a-dia da criança, pois além de protegerem a própria criança contra o vírus, também ajudam a diminuir sua transmissão, evitando que chegue até pessoas de maior risco, como os idosos, por exemplo.

Vacina da COVID-19 para crianças

Além dos cuidados gerais, crianças a partir dos 3 anos de idade também podem ser vacinadas contra a COVID-19 com a vacina Coronavac, enquanto que crianças entre 5 e 11 anos podem tomar a versão pediátrica da vacina Pfizer. Além disso, foi aprovada pela Anvisa uma nova versão da vacina da Pfizer para crianças entre 6 meses e 4 anos. A vacina da COVID-19 para crianças atua diminuindo não só o risco de pegar a infecção, mas principalmente reduzindo as chances de desenvolver uma forma grave da doença.

Veja mais informações sobre a vacina da COVID para crianças.

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Atualizado por Marcela Lemos - Biomédica, em setembro de 2022. Revisão médica por Dr.ª Sani Santos Ribeiro - Pediatra e Pneumologista infantil, em maio de 2022.

Bibliografia

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Mostrar bibliografia completa
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Revisão médica:
Dr.ª Sani Santos Ribeiro
Pediatra e Pneumologista infantil
Médica formada pela Universidade Federal do Rio Grande com CRM nº 28364 e especialista em Pediatria pela Sociedade Brasileira de Pediatria.