10 doenças causadas por fungos: sintomas e tratamento

novembro 2022

Existem diversas doenças que os fungos podem provocar nas pessoas, podendo ser micoses de pele, unhas, mucosas ou couro cabeludo, como pano branco, tinha, frieira, sapinho ou candidíase, por exemplo.

Geralmente, os fungos convivem de forma harmoniosa com o corpo, mas podem provocar doenças quando conseguem driblar as barreiras de proteção do organismo, o que ocorre principalmente durante períodos de queda da imunidade ou por ferimentos da pele.

Além disso, embora as infecções fúngicas sejam na maioria das vezes superficiais e facilmente tratadas, existem espécies de fungos que podem causar lesões profundas e, até mesmo, atingir a circulação sanguínea e órgãos como pulmões, como é o caso da esporotricose, histoplasmose ou aspergilose, por exemplo.

Principais doenças

Apesar de serem inúmeras as doenças causadas por fungos, algumas principais são:

1. Pano branco

Também conhecida como micose de praia, esta infecção tem o nome científico de Ptiríase versicolor, e é provocada pelo fungo Malassezia furfur, que provoca manchas arredondadas na pele. Geralmente, as manchas são de cor branca, pois o fungo impede a produção de melanina quando a pele é exposta ao sol, e são mais comuns no tronco, abdômen, face, pescoço ou braços.

Como tratar: O tratamento costuma ser feito com cremes ou loções a base de antifúngicos, como Clotrimazol ou Miconazol, indicados pelo dermatologista. No caso de lesões muito grandes, pode ser indicado o uso de comprimidos, como Fluconazol. Entenda melhor sobre o que é pano branco e como tratar.

2. Tinha

Cientificamente chamada de dermatofitose, esta infecção fúngica também é conhecida como tínea, e pode atingir diversos locais do corpo, como pele, cabelos e unhas, e é provocada por fungos como Trichophyton, Microsporum ou Epidermophyton, que são transmitidos de uma pessoa para outra através do contato, ou também pelo solo e animais contaminados.

Algumas das principais lesões provocadas são:

  • Tinha corpórea, também chamada de impingem e surge em qualquer área da pele;
  • Tinha dos pés, também chamada de frieira ou pé-de-atleta, que é localizada entre os dedos dos pés;
  • Tinha cruris, que se desenvolve na virilha;
  • Tinha capitis, ou do couro cabeludo, que é mais comum em crianças e pode provocar a queda do cabelo no local;
  • Tinha das unhas, que torna a unha espessa e sem brilho.

A lesão que surge na tinha costuma ser descamativa, avermelhada e com muita coceira. Geralmente, sem o tratamento adequado, a lesão se espalha aos poucos, e é muito contagiosa.

Como tratar: O tratamento é feito com pomadas antifúngicas, como Miconazol, Clotrimazol ou Itraconazol, e pode durar semanas a meses. Quando há uma infecção grave, ou quando as unhas estão muito afetadas, pode ser necessário o uso de medicamentos em comprimido, como Fluconazol, Itraconazol ou Terbinafina. Durante o tratamento é essencial secar bem os pés após o banho e evitar sapatos fechados por muito tempo.

Conheça mais sobre as dermatofitoses.

3. Candidíase

Existem várias espécies de fungos que fazem parte da família Candida, sendo a mais comum a Candida albicans que apesar de habitar naturalmente o organismo, principalmente a mucosa da boca e da região íntima, pode causar diversos tipos de infecção no organismo, sobretudo quando as defesas imunes estão prejudicadas.

As regiões do corpo mais afetadas são dobras da pele, como virilhas, axilas e entre os dedos das mãos e dos pés, as unhas, e também pode atingir mucosas, como boca, esôfago, vagina, pênis e reto. Além disso, a infecção pode ser grave a ponto de se disseminar pela corrente sanguínea a atingir órgãos como pulmões, coração ou rins, por exemplo. Conheça as principais micoses de pele.

Como tratar: O tratamento para candidíase é feito principalmente com pomadas antifúngicas como fluconazol, clotrimazol, nistatina ou cetoconazol. No entanto, nos casos mais graves ou na infecção no sangue e órgãos do corpo, podem ser necessário o uso de antifúngicos em comprimido ou na veia. Saiba mais sobre como é feito o tratamento para candidíase.

4. Esporotricose

Esta micose pode ultrapassar a pele e atingir também a região subcutânea e os gânglios. Esta infecção é provocada por fungos da família Sporothrix spp., que habitam a natureza e estão presentes no solo, plantas, folhas e madeira, por exemplo, por isso, infectam principalmente fazendeiros, jardineiros ou agricultores.

Este fungo também pode de ser transmitido pela arranhadura de gatos contaminados. Geralmente, a infecção da pele provoca o surgimento de caroço indolor, avermelhado e que cresce gradualmente. Em alguns casos, principalmente nas pessoas com a imunidade comprometida, pode haver o surgimento de diversas lesões, assim como pode se espalhar pela corrente sanguínea e infectar pulmões, ossos, articulações, testículos e, até, o cérebro.

Como tratar: O tratamento é feito com antifúngicos de uso oral ou venoso, como Itraconazol, por 3 a 6 meses, e nos casos mais graves pode ser necessário o uso de antifúngicos venosos, como a Anfotericina B, podendo durar por 12 meses.

5. Aspergilose

É a infecção causada pelo fungo Aspergillus fumigatus, que afeta principalmente os pulmões, apesar de também provocar alergias ou atingir outras regiões das vias respiratórias, causando sinusites ou otites, por exemplo.

Este fungo é encontrado no ambiente, podendo estar inclusive dentro de casa, em ambientes úmidos, como cantos da parede ou banheiros. Ao invadir os pulmões através da respiração, o Aspergillus fumigatus provoca lesões, chamadas de bolas fúngicas ou aspergilomas, que podem causar tosse, falta de ar, catarro com sangue, perda de peso e febre.

Como tratar: O tratamento para aspergilose é feito com antifúngicos potentes, como Itraconazol ou Anfotericina B, que devem ser usados de acordo com a orientação do médico. Entenda como é feito o tratamento para aspergilose.

6. Paracoccidioidomicose

Também chamada de blastomicose sul americana, esta infecção é provocada por fungos da família Paracoccidioides, que habita o solo e as plantas, por isso essa infecção é mais comum na área rural.

A transmissão acontece principalmente através do ar, ao se inalar o fungo, que penetra nos pulmões e na corrente sanguínea, provocando sintomas como falta de apetite, emagrecimento, tosse, falta de ar, febre, coceira, feridas na pele e surgimento de ínguas. Saiba como identificar os sintomas de paracoccidioidomicose.

Como tratar: O tratamento para essa infecção geralmente é longo, podendo durar de meses a anos, sendo normalmente indicado pelo médio o uso de antifúngicos, como Itraconazol, Fluconazol, Cetoconazol ou Voriconazol, por exemplo. Nos casos mais graves, em que o pulmão não desempenha sua função corretamente ou o fungo atingiu outros órgãos, o tratamento deve ser realizado no hospital.

7. Histoplasmose

É uma infecção provocada pelo fungo Histoplasma capsulatum, cuja transmissão acontece pela inalação dos fungos presentes na natureza.

A doença costuma se desenvolver em pessoas com a imunidade enfraquecida, como por doenças imunológicas, AIDS ou desnutridos, por exemplo, ou pessoas que inalam uma grande quantidade de fungos. Os sinais e sintomas que podem ocorrer são tosse, dor do peito, falta de ar, suor, febre e perda de peso.

Como tratar: Quando a pessoa é saudável, a infecção por esse fungo pode desaparecer sem qualquer tratamento específico. No entanto, em casos mais graves, principalmente quando o sistema imunológico está comprometido, o médico pode recomendar o uso de antifúngicos sistêmicos, como o Itraconazol, Cetoconazol ou a Anfotericina B, por exemplo, evitando que o fungo atinja a corrente sanguínea e chegue a outros órgãos, havendo complicações graves.

8. Mucormicose

A mucormicose, também conhecida como doença do fungo negro, é uma infecção causada pelo fungo Rhizopus spp., que pode ser encontrado naturalmente na vegetação, solos, frutas e produtos em decomposição.

A transmissão dessa doença acontece por meio da inalação de esporos do fungo, o que leva ao aparecimento de sintomas como dor de cabeça, secreção nasal e nos olhos, vermelhidão no rosto, tosse com catarro, febre e, nos casos mais graves, convulsões e perda da consciência.

Como tratar: o tratamento é feito através da injeção de medicamentos antimicóticos por via intravenosa ou uso do medicamento por via oral, como a Anfotericina B ou o Posaconazol, de acordo com a orientação do médico. Além disso, caso seja verificada necrose dos tecidos, pode ser também indicada a realização de cirurgia para retirar as partes afetadas pelo fungo. Conheça mais sobre a mucormicose.

9. Criptococose

Popularmente conhecida como doença dos pombos, a criptococose é uma doença causada pelo fungo Cryptococcus neoformans, que pode ser transmitida por meio da inalação de esporos desse fungo que podem ser encontrados nas fezes dos pombos e nas frutas, cereais, árvores e solos.

Após a inalação, os esporos alojam-se nos pulmões, resultando em sintomas respiratórios como tosse, secreção nasal, dor no peito e desenvolvimento de nódulos pulmonares. No entanto, no caso do sistema imunológico estar mais enfraquecido, podem ser notados sintomas mais graves, como fraqueza, rigidez na nuca, febre, confusão mental, dor de cabeça, meningite e alterações visuais, sendo importante que o tratamento seja realizado imediatamente.

Como tratar: o tratamento da criptococose deve ser orientado pelo médico e varia de acordo com a gravidade da doença. Dessa forma, podem ser indicados medicamentos antifúngicos, como Anfotericina B ou Fluconazol durante 6 a 10 semanas.

Nos casos em que é possível detectar o fungo no sangue, é necessária a hospitalização para prevenir possíveis complicações que podem colocar a vida da pessoa em risco.

10. Blastomicose

A blastomicose é uma infecção causada pelo fungo Blastomyces dermatitidis, que pode ser encontrado em solos úmidos, madeira em decomposição e em locais em que há vegetação.

Essa doença acontece por meio da inalação de esporos do fungo, resultando em sintomas como tosse, febre, catarro, dor no peito, falta de ar, dor nas articulações perda de peso e, nos casos mais graves, pode haver o desenvolvimento de pneumonia. Além disso, o fungo pode espalhar-se pela corrente sanguínea e afetar outros órgãos como pele, ossos, articulações e cérebro, sendo a infecção mais grave em pessoas com o sistema imunológico mais debilitado.

Como tratar: o tratamento indicado pelo médico depende dos sintomas apresentados pela pessoa e o estado do sistema imunológico da pessoa e inclui o uso de antimicóticos, como o Itraconazol, em solução ou em comprimido, ou Anfotericina B por via intravenosa durante 6 a 12 meses.

Como prevenir as doenças causadas por fungos

Os fungos são agentes infecciosos naturalmente presentes no ambiente e no organismo, como é o caso da Candida sp., por exemplo, sem que cause qualquer sintoma de doença, uma vez que o sistema imune consegue combater facilmente. No entanto, a doença por fungo é mais comum de acontecer em pessoas que possuem o sistema imunológico mais enfraquecido, devido à idade ou doenças crônicas.

Assim, uma das formas de prevenir as infecções por fungos é aumentando a imunidade, sendo interessante para isso consumir alimentos ricos em vitamina C, A e E, ômega-3, zinco e probióticos, além de praticar atividade física regularmente e beber pelo menos 2 litros de água por dia. Confira outras dicas para melhorar a imunidade.

Além disso, nos casos em que a infecção está relacionada com a manipulação de solo, vegetações ou animais que podem ser portadores do fungo, é importante que seja utilizada máscara e óculos de proteção, pois assim é possível evitar o contato com os esporos do fungo, evitando a infecção.

É interessante também evitar que o ambiente fique muito úmido, já que esse ambiente é favorável ao desenvolvimento de fungos. No caso da candidíase genital, por exemplo, é importante manter a região genital sempre higienizada e seca e evitar o uso de roupas muito apertadas, pois assim é possível favorecer a circulação de ar, evitando que o local fique muito úmido e exista a proliferação do fungo.

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Atualizado por Karla S. Leal - Nutricionista, em novembro de 2022. Revisão clínica por Marcela Lemos - Biomédica, em novembro de 2022.

Bibliografia

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Revisão clínica:
Marcela Lemos
Biomédica
Mestre em Microbiologia Aplicada, com habilitação em Análises Clínicas e formada pela UFPE em 2017 com registro profissional no CRBM/ PE 08598.

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