Bolhas na pele: o que pode ser e o que fazer

Novembro 2021

As bolhas na pele podem surgir devido irritação ou inflamação na pele, como no caso de alergias, brotoejas ou disidrose, não indicando nenhuma doença grave, mas também podem surgir devido a infecções causadas por vírus, como o herpes simplex ou varicela-zoster, ou até mesmo por doenças autoimunes, como o pênfigo, por exemplo, podendo afetar qualquer parte do corpo em adultos ou crianças.

Em alguns casos, as bolhas na pele podem conter líquido, que quando se rompem podem espalhar as bolhas para outras partes do corpo ou causar feridas na área afetada. Além disso, podem ser acompanhadas de sintomas como coceira intensa, vermelhidão ou ardor na pele, dependendo da sua causa.

Na presença de bolhas na pele, é importante sempre consultar o dermatologista ou o clínico geral, para avaliar as suas características, o local em que aparecem e se estão acompanhadas por outros sintomas e, dessa forma, ser diagnosticado e iniciado o tratamento mais adequado, que pode ser feito com uso de remédios na forma de pomadas ou comprimidos.

Bolhas na pele: o que pode ser e o que fazer

Algumas causas de formação de bolhas na pele são:

1. Alergia

A alergia pode causar bolhas na pele vermelhas ou brancas, que podem se encher de líquido, e serem acompanhadas de outros sintomas como intensa coceira, formação de pequenas crostas ou feridas na pele. Essas bolhas são causadas por uma irritação e inflamação na pele, e podem ocorrer em qualquer parte do corpo.

A formação das bolhas na pele devido à alergia pode surgir alguns minutos ou horas após o contato com substâncias ou objetos irritantes como certos alimentos ou remédios, bijuterias, pelos de animais, tecido da roupa, produtos cosméticos, perfumes, produtos de limpeza, plantas, látex ou contato acidental com insetos, por exemplo.

O que fazer: é recomendado que o local seja lavado com água fria abundante e sabão neutro, além de ser importante que se evite o contato com a substância ou objeto irritante. Além disso, pode-se fazer o tratamento com antialérgicos ou corticóides aplicados diretamente na pele ou tomados na forma de comprimidos, conforme orientação médica. Em casos mais graves é preciso ir a uma urgência, pois pode ser necessário uso de medicamentos injetáveis. Saiba mais exemplos de remédios para alergia.

2. Disidrose

A disidrose, também conhecido por eczema disidrótico, é uma doença da pele que causa a formação de pequenas bolhas com líquido transparente na pele, que geralmente aparecem na palma das mãos, nas laterais dos dedos ou na sola dos pés e que causam coceira intensa, podendo durar até 3 semanas.

A causa exata da disidrose não é conhecida, no entanto, é mais frequente durante o verão e alguns fatores podem contribuir para o seu aparecimento como estresse, alergia de contato, lavar frequentemente as mãos ou remédios como a imunoglobulina venosa.

O que fazer: deve-se adotar alguns cuidados com a pele, como aplicar compressas frias na região afetada, de 2 a 4 vezes por dia, por até 15 minutos de cada vez, para evitar que a disidrose piore ou cause infecções na pele. Além disso, deve-se consultar o dermatologista que pode indicar o uso de cremes ou pomadas com corticóides, fototerapia ou botox, por exemplo.

3. Catapora

A catapora ou varicela, é uma doença causada pelo vírus Varicela-zoster, que causa o surgimento de pequenas bolhas que podem conter líquido e pintinhas vermelhas na pele em todo o corpo, acompanhadas de intensa coceira que podem causar feridas na pele. Saiba reconhecer as bolhas causadas pela catapora.

O que fazer: deve-se fazer repouso e usar remédios recomendados pelo médico como paracetamol no caso de apresentar febre ou antialérgicos na forma de comprimidos ou pomadas para aliviar a coceira na pele. Além disso, deve-se evitar contato com outras pessoas porque a catapora é altamente contagiosa, podendo passar de uma pessoa para outra através do contato direto com o líquido das bolhas ou com gotículas de saliva, tosse ou espirro.

4. Brotoeja

A brotoeja, também conhecida como miliária, é caracterizada pela presença de pequenas bolhas na pele que coçam e podem conter água ou pus, e ser acompanhadas da sensação de ardor na pele, afetando qualquer região do corpo, sendo mais frequente no rosto, pescoço, costas, peito ou coxas.

A brotoeja surge quando os poros por onde o suor é eliminado ficam bloqueados, prendendo a transpiração sob a pele causando inflamação, e é mais comum em recém nascidos porque os poros de suor ainda não estão totalmente desenvolvidos formando bolhas d’água na pele do bebê. No entanto, pode ocorrer em qualquer pessoa em qualquer idade, sendo que alguns fatores podem contribuir para o desenvolvimento da brotoeja, como ambientes muito quentes, atividade física muito intensa ou febre alta, por exemplo.

O que fazer: usar roupas frescas, largas e de algodão que permitem uma melhor transpiração da pele, evitar uso de cremes e pomadas que contenham óleo mineral, por exemplo, pois podem bloquear os poros, e aplicar uma compressa de camomila na pele, pode ajudar a aliviar as bolhas na pele. Além disso, o médico também pode receitar o uso de cremes calmantes, como a calamina, ou pomadas antialérgicas. Veja as opções de remédios caseiros para brotoeja.

5. Herpes

Existem dois tipos de herpes que podem levar ao surgimento de bolhas na pele contendo líquido, e ser acompanhadas de formigamento na região afetada, dor ou formação de feridas na pele, causadas pelos vírus herpes simplex ou varicela zoster.

A herpes simples é mais comum de ocorrer nos lábios ou na ou na região logo abaixo do lábio, chamada herpes labial, mas também pode ocorrer na região íntima, conhecida como herpes genital.

Já a herpes zóster pode ocorrer no tórax, costas e barriga, embora também possam surgir bolhas na pele afetando os olhos ou as orelhas.

O que fazer: deve-se fazer o tratamento para aliviar a dor causada pelas bolhas e diminuir a atividade do vírus, geralmente utilizando antivirais, como aciclovir, fanciclovir ou valaciclovir, na forma de comprimidos e/ou pomada, prescritos pelo médico. Além disso, deve-se ter alguns cuidados pessoais como lavar bem as mãos após o contato com as bolhas, não furar as bolhas e adotar medidas preventivas para não transmitir os vírus para outras pessoas como evitar beijar e compartilhar objetos pessoais como talheres, copos ou toalhas, e usar camisinha nas relações sexuais.

6. Pênfigo

O pênfigo é uma doença autoimune, não contagiosa, caracterizada pela formação de várias pequenas bolhas moles na pele, que podem se romper facilmente após horas ou dias e que não cicatrizam, podendo afetar também as mucosas, como o revestimento da boca, olhos, nariz, garganta e região íntima.

O que fazer: deve-se consultar o dermatologista para que seja feito o tratamento mais adequado que pode incluir o uso de remédios corticóides ou imunossupressores, para tratar ou prevenir o surgimento das bolhas. No caso de surgir algum tipo de infecção nas feridas deixadas pelas bolhas, o médico pode também receitar antibióticos, antifúngicos ou antivirais.

7. Síndrome mão-pé-boca

A síndrome mão-pé-boca é uma doença altamente contagiosa que ocorre mais frequentemente em crianças com menos de 5 anos, levando ao surgimento de bolhas dolorosas nas mãos, pés e, por vezes, na região íntima, além de aftas dolorosas na boca e febre.

Essa doença é causada pelos vírus do grupo coxsackie, que podem ser transmitidos de pessoa para pessoa ou através de alimentos ou objetos contaminados.

O que fazer: deve-se consultar o pediatra ou o clínico geral, que podem indicar tratamento com remédios para a febre, anti-inflamatórios, remédios para a coceira e pomadas para as aftas, com o objetivo de aliviar os sintomas.

8. Seromas

Os seromas são inflamações na pele que levam ao surgimento de bolhas contendo líquido, após cirurgias que tiveram corte e manipulação da pele e do tecido gorduroso, como cirurgias plásticas, abdominoplastia, lipoaspiração, cirurgias da mama ou após a cesárea, por exemplo.

O que fazer: o seroma pequeno pode ser reabsorvido naturalmente pela pele, resolvendo-se após cerca de 10 a 21 dias, entretanto, em alguns casos, é necessária a realização de uma punção com seringa pelo médico. Para diminuir essa complicação, o médico pode recomendar o uso de cintas ou curativos compressivos após a cirurgia, além de cuidados para facilitar a cicatrização.

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