Alimentação para autismo: o que comer e cardápio

Revisão clínica: Tatiana Zanin
Nutricionista
abril 2022

A alimentação pode ter um papel muito importante no tratamento e acompanhamento do autismo, já que, de acordo com alguns estudos, é capaz de melhorar alguns dos sintomas deste tipo de transtorno.

Existem várias versões da dieta para autismo, mas a mais conhecida e utilizada é a dieta SGSC, que implica uma alimentação na qual são retirados todos os alimentos que contenham glúten, como farinha de trigo, cevada e centeio, assim como alimentos que contenham caseína, que é a proteína presente no leite e nos derivados.

No entanto, é importante destacar que a dieta SGSC só é eficiente, e só tem recomendação de uso, nos casos em que existe alguma intolerância ao glúten ou ao leite, sendo necessário fazer exames com o médico para avaliar a existência ou não dessas intolerâncias.

Como fazer a dieta SGSC

Crianças que seguem a dieta SGSC podem apresentar uma síndrome de abstinência nas primeiras 2 semanas, onde podem se exacerbar os sintomas de hiperatividade, agressividade e alterações do sono. Isso normalmente não apresenta uma piora do quadro de autismo e passa ao fim desse período.

Os primeiros resultados positivos da dieta SCSG surgem após 8 a 12 semanas de dieta, sendo possível observar melhora na qualidade de sono, diminuição da hiperatividade e aumento da interação social.

Para fazer corretamente esta dieta, deve-se retirar da alimentação o glúten e a caseína, seguindo-se as seguintes orientações:

1. Glúten

O glúten é a proteína do trigo e, além do trigo, ela também está presente na cevada, no centeio e em alguns tipos de aveia, devido à mistura de grãos de trigo e de aveia que normalmente acontece nas plantações e nas fábricas de processamento de alimentos.

Assim, é preciso retirar da dieta alimentos como:

  • Pães, bolos, salgados, biscoitos e tortas;
  • Macarrão, pizza;
  • Gérmen de trigo, bulgur, sêmola de trigo;
  • Ketchup, maionese ou molho shoyu;
  • Salsichas e outros produtos muito industrializados;
  • Cereais, barras de cereais;
  • Qualquer alimento que seja feito a partir de cevada, centeio e trigo.

É importante olhar no rótulo dos alimentos para ver a presença ou não de glúten, pois pela legislação brasileira o rótulo de todos os alimentos deve conter a indicação de contém ou não contém glúten. Saiba quais são os alimentos sem glúten.

2. Caseína

A caseína é a proteína do leite, e portanto está presente em alimentos como queijo, iogurte, coalhada, creme de leite, requeijão, e todas as preparações culinárias que utilizam esses ingredientes, como pizza, bolo, sorvete, biscoito e molhos.

Além disso, alguns ingredientes utilizados pela indústria também podem conter caseína, como caseinato, fermento lácteo e soro do leite, sendo importante sempre verificar no rótulo antes de comprar um produto industrializado. Veja a lista completa de alimentos e ingredientes com caseína.

Uma vez que esta dieta limita a ingestão de produtos lácteos, é importante aumentar o consumo de outros alimentos ricos em cálcio, como brócolis, amêndoas, linhaça, nozes ou espinafre, por exemplo, sendo que, caso seja necessário, um nutricionista também poderá indicar um suplemento de cálcio.

O que comer

Na dieta para autismo deve-se fazer uma alimentação rica em alimentos como vegetais e frutas em geral, batata inglesa, batata doce, arroz integral, milho, cuscuz, castanhas, nozes, amendoim, feijão, azeite, coco e abacate.

A farinha de trigo pode ser substituída por outras farinhas sem glúten como a de linhaça, de amêndoas, de castanha, de coco e a farinha de aveia, quando o rótulo da aveia traz a indicação de que o produto é sem glúten.

Já o leite e seus derivados podem ser substituídos por leites vegetais como leite de coco e de amêndoas, e pelas versões veganas para queijos, como o tofu e o queijo de amêndoas.

Porque a dieta SGSC funciona

A dieta SGSC ajuda a controlar o autismo porque esta condição pode estar ligada a um problema chamado Sensibilidade Não Celíaca ao Glúten, que é quando o intestino é sensível ao glúten e sofre alterações como diarreias e sangramentos quando o glúten é consumido. O mesmo vale para a caseína, que é má digerida quando o intestino é mais frágil e sensível. Essas alterações intestinais parecem estar muitas vezes ligadas ao autismo, levando à piora dos sintomas, além de causar problemas como alergias, dermatites e problemas respiratórios, por exemplo.

No entanto, é importante destacar que nem sempre a dieta SGSC vai funcionar para melhorar os sintomas do autismo, pois nem todos os pacientes têm o organismo sensível para glúten e caseína. Nesses casos, deve-se seguir uma alimentação saudável geral de rotina, lembrando que sempre deve ser feito o acompanhamento com o médico e com o nutricionista.

Cardápio da Dieta SGSC

A tabela a seguir traz um exemplo de cardápio de 3 dias para da dieta SGSC.

RefeiçõesDia 1Dia 2Dia 3
Café da manhã1 copo de leite de castanha + 1 fatia de pão sem glúten + 1 ovomingau de leite de coco com aveia sem glúten2 ovos mexidos com orégano + 1 copo de suco de laranja
Lanche da Manhã2 kiwis5 morangos em pedaços + 1 col de sopa de coco ralado1 banana amassada + 4 castanhas de caju
Almoço/Jantarbatata e legumes assados no forno com azeite + 1 posta pequena de peixe1 coxa de frango + arroz + feijão + salada refogada de repolho, cenoura e tomatepurê de batata doce + 1 bife frito no azeite com salada de couve manteiga
Lanche da tardevitamina de banana com leite de coco1 tapioca com ovo + suco de tangerina1 fatia de pão integral com geleia 100% fruta + 1 iogurte de soja

É importante lembrar que este é apenas um exemplo de cardápio sem glúten e sem lactose, e que a criança com autismo deve ser acompanhada pelo médico e pelo nutricionista para que a alimentação favoreça o seu crescimento e desenvolvimento, ajudando a minimizar os sintomas e as consequências da condição.

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Atualizado por Manuel Reis - Enfermeiro, em abril de 2022. Revisão clínica por Tatiana Zanin - Nutricionista, em abril de 2022.

Bibliografia

  • ÁLVAREZ María Luisa et al. Nutrición en pediatría . 2ª. Caracas, Venezuela: Cania, 2009. 1153-1175.
  • MAHAN, Kathleen et tal. Alimentos, nutrição e dietoterapia. 13º. Brasil: Elsevier Ltda, 2013. 1034-1036.
Revisão clínica:
Tatiana Zanin
Nutricionista
Formada pela Universidade Católica de Santos em 2001, com registro profissional no CRN-3 nº 15097.