Dieta cetogênica: o que é, como funciona e alimentos (com cardápio)

Evidência científica

A dieta cetogênica, ou dieta keto, é uma dieta com baixo teor de carboidratos e alto teor de gorduras, o que faz com que o corpo use a gordura como principal fonte de energia em vez do açúcar, por meio de um processo chamado cetose.

Para atingir a cetose, o consumo de pão, arroz, macarrão, açúcar e frutas é muito reduzido, e a ingestão de carnes, ovos, queijos e gorduras saudáveis ​​é aumentada.

Leia também: Cetose: o que é, sintomas, benefícios, riscos e dieta tuasaude.com/o-que-e-cetose

Essa dieta começou a ser usada como tratamento para epilepsia e hoje também é usada, com supervisão de um médico ou nutricionista, para perda de peso e para melhorar o controle do diabetes tipo 2 e outras doenças crônicas.

Imagem ilustrativa número 1

Como funciona a dieta cetogênica

A dieta cetogênica funciona diminuindo-se muito a ingestão de carboidratos é muito baixa, fazendo com que as reservas de glicogênio do fígado se esgotem em poucos dias.

Em resposta, o fígado começa a quebrar os ácidos graxos em corpos cetônicos, que são liberados na corrente sanguínea e se tornam a principal fonte de energia para o cérebro e o resto do corpo.

Essa mudança no metabolismo geralmente leva de 2 a 4 dias para ocorrer e pode ser acompanhada por sintomas transitórios conhecidos como "gripe cetogênica", como fadiga, dor de cabeça e náusea.

Foi sugerido que a cetose poderia influenciar a saciedade e reduzir o apetite, o que explicaria parte do seu efeito sobre o peso corporal. No entanto, os mecanismos exatos ainda não são totalmente compreendidos e podem variar de pessoa para pessoa.

Alimentos permitidos

Os alimentos permitidos na dieta cetogênica incluem:

  • Carnes, como peru, frango, cortes magros de carne bovina e de porco, e ovos;
  • Peixe e frutos do mar, especialmente peixes gordos, como salmão, sardinha e truta, lula e camarão;
  • Vegetais com poucos carboidratos, como espinafre, alface, brócolis, cebola, agrião, pepino, abobrinha, couve-flor, tomate, espargos, chicória, couve-de-bruxelas, pak choi, pimentão e brotos de bambu ou de alfafa;
  • Frutas com baixo teor de carboidratos, como mirtilo, morango, framboesa, cereja, coco e abacate;
  • Embutidos, como presunto, linguiça e salame;
  • Óleos e gorduras, como azeite, óleo de girassol, de uva e de abacate, podendo também incluir óleo de coco, manteiga, creme de leite e azeitona;
  • Oleaginosas, como amendoim, nozes, avelã, castanha-do-pará, amêndoas e manteiga de amendoim, de amêndoa ou de caju;
  • Sementes, como linhaça, chia, gergelim e girassol;
  • Laticínios, como iogurte natural sem açúcar, creme de leite, queijo brie, parmesão, feta, cheddar, suíço, muçarela e queijo azul;
  • Temperos, como pimenta, orégano, curry e salsa;
  • Bebidas, como água, café e chás.

Além disso, também podem ser consumidas bebidas vegetais de coco, amêndoa ou avelã sem açúcar.

Para pessoas com histórico de pressão alta ou colesterol elevado, por exemplo, deve-se evitar alimentos como manteiga, creme de leite e embutidos.

A quantidade exata dos alimentos varia conforme o objetivo da dieta e deve ser ajustada com um nutricionista.

Alimentos proibidos da dieta cetogênica

Os alimentos proibidos na dieta cetogênica são:

  • Cereais, como milho, aveia, amido de milho, farinha de trigo, pão, torrada, bolacha, arroz e macarrão;
  • Leguminosas, como feijão, grão-de-bico, lentilha e soja;
  • Tubérculos, como batata, batata-doce, inhame e mandioca;
  • Alimentos com açúcar, como bolo, biscoito recheado, chocolate, balas, sorvete, tortas e pudim;
  • Açúcares simples, como o açúcar branco, mascavo ou demerara, melaço e mel;
  • Bebidas alcoólicas, como cerveja, vinho, gin, rum ou cidra.

As frutas, exceto as mencionadas acima, também não são recomendadas na dieta cetogênica, pois a maioria é rica em carboidratos.

Além disso, é aconselhável evitar o consumo de alimentos dietéticos com adoçantes, uma vez que estes podem afetar os níveis de acetonas produzidos por esta dieta.

Sempre que se consumir um alimento industrializado é importante ler a tabela de informação nutricional, para verificar se tem carboidratos e a quantidade, para não ultrapassar a quantidade diária recomendada.

Cardápio de 3 dias da dieta cetogênica

A tabela a seguir traz o exemplo de um cardápio completo de 3 dias da dieta cetogênica:

Refeição Dia 1 Dia 2 Dia 3
Café da manhã Ovos mexidos com azeite e queijo muçarela Omelete de legumes + vitamina de morango com linhaça Vitamina de abacate com iogurte natural e sementes de chia
Lanche da manhã 10 amêndoas + 4 fatias de abacate Vitamina de amora com leite de coco + um punhado de nozes 10 framboesas + 1 colher de sopa de manteiga de amendoim

Almoço

Salmão grelhado com aspargos, abacate e azeite. Salada de alface e cebola com frango, amêndoas, azeite de abacate, queijo parmesão e sementes de gergelim Almôndegas com macarrão de abobrinha e queijo parmesão
Lanche da tarde 2 fatias de presunto natural com tomate + 1 copo de leite de amêndoa s/ açúcar Ovos mexidos com sementes de chia e queijo + 1 xícara de chá verde Iogurte natural s/ açúcar com framboesas, mirtilos e nozes
Jantar Peito de frango grelhado com brócolis cozido no vapor e manteiga Carne bovina (patinho) com purê de couve-flor e azeite Omelete de espinafre e queijo com abacate

É importante lembrar que a dieta cetogênica deve ser feita sob orientação de um nutricionista, para que seja calculada a quantidade diária de carboidratos, para evitar prejudicar a dieta.

Se deseja fazer a dieta cetogênica, marque uma consulta com o nutricionista na região mais próxima de você:

Disponível em: São Paulo, Rio de Janeiro, Distrito Federal, Pernambuco, Bahia, Maranhão, Pará, Paraná, Sergipe e Ceará.

Por ser uma alimentação restrita, o nutricionista também pode indicar o uso de suplementos de vitaminas e minerais, como cálcio e magnésio, para compensar o que os alimentos deixam de fornecer.

Leia também: Cardápio da dieta cetogênica para emagrecer tuasaude.com/emagrecer-com-dieta-cetogenica

Como fazer a dieta cetogênica

A dieta cetogênica deve ser feita com indicação e acompanhamento do médico ou nutricionista e consiste em reduzir bastante a quantidade de carboidratos na alimentação, sendo indicado entre 20 a 50 gramas por dia.

Deve-se também aumentar o consumo de alimentos ricos em gorduras, como abacate, coco e azeite. Já a quantidade de proteínas deve corresponder a 20% da alimentação diária.

Leia também: Dieta carnívora: como fazer, riscos e benefícios (com cardápio) tuasaude.com/dieta-da-carne

No início da dieta, o organismo passa por um período de adaptação que pode durar alguns dias ou semanas, onde o corpo se adapta para produzir energia através da gordura em vez dos carboidratos.

Assim, nos primeiros dias a pessoa pode apresentar cansaço e dor de cabeça, que melhoram quando o corpo já está adaptado.

Outra dieta semelhante à cetogênica é a dieta low carb. No entanto, na dieta cetogênica o consumo de gorduras é maior.

Benefícios da dieta cetogênica

Os principais benefícios da dieta cetogênica são:

1. Pode controlar e evitar convulsões e crises de epilepsia

A dieta cetogênica gera a produção dos corpos cetônicos, como acetoacetato, acetona e beta-hidroxibutirato,substâncias que podem chegar até o cérebro, tendo efeito anticonvulsivo.

Assim, a dieta cetogênica poderia ajudar a diminuir de maneira importante a quantidade de convulsões em adultos e crianças com epilepsia que não respondem ao tratamento padrão, devendo sempre ser indicada sob orientação do neurologista.

Leia também: 6 tratamentos para epilepsia (cuidados e cura) tuasaude.com/tratamento-da-epilepsia

No entanto, ainda são necessárias pesquisas científicas de qualidade para se verificar os possíveis benefícios da dieta cetogênica no tratamento das convulsões e epilepsia.

2. Ajuda a emagrecer

A dieta cetogênica ajuda a emagrecer por aumentar a saciedade, pois as gorduras e as proteínas desta dieta permanecem no estômago durante um grande período de tempo.

Além disso, ocorre uma inibição do apetite causada pelo beta-hidroxibutirato e pela acetona, substâncias que aumentam no organismo deste tipo de dieta, ajudando no emagrecimento.

3. Previne e trata a diabetes

A dieta cetogênica também pode ajudar na prevenção e tratamento da diabetes tipo II controlada, porque melhora o perfil da glicose no sangue, a sensibilidade à insulina e os níveis de hemoglobina A no sangue.

No entanto, pessoas que fazem uso de medicamentos para controlar a diabetes devem sempre conversar com o seu médico antes de iniciar essa dieta.

4. Ajuda a tratar doenças neurodegenerativas

A dieta cetogênica também pode ajudar a tratar doenças neurodegenerativas, como Alzheimer e a doença de Parkinson.

Isso acontece devido ao aumento da produção de corpos cetônicos durante essa dieta, que melhoram a eficiência energética do cérebro e aumentam a capacidade antioxidante do cérebro contra substâncias tóxicas, como os radicais livres.

5. Ajuda no tratamento dos ovários policísticos

Alguns estudos mostraram que a dieta cetogênica pode ajudar no tratamento da síndrome dos ovários policísticos, pois diminui o peso e ajuda a equilibrar os níveis hormonais e glicêmicos.

Leia também: Ovário policístico: o que é, sintomas, causas e tratamento tuasaude.com/ovario-policistico

Dieta cetogênica e câncer

A dieta cetogênica poderia ajudar no tratamento do câncer, pois pode impedir as células cancerígenas de usar a glicose, que é a sua principal fonte de energia, favorecendo a redução do tamanho do tumor.

No entanto, quase todos os estudos sobre a dieta cetogênica e o câncer foram feitos em células e animais. Além disso, os poucos estudos realizados com seres humanos incluíram poucas pessoas e duraram pouco tempo.

Assim, ainda são necessários estudos científicos de qualidade em seres humanos, para avaliar se a dieta cetogênica realmente é benéfica no tratamento do câncer.

Possíveis riscos da dieta cetogênica

Os possíveis riscos da dieta cetogênica são:

  • Sintomas iniciais como fadiga, dor de cabeça, náuseas e constipação, durante a fase de adaptação;
  • Aumento do colesterol LDL em algumas pessoas, o que pode aumentar o risco de doenças cardiovasculares no longo prazo;
  • Risco de deficiência de vitaminas e minerais, como vitamina D, magnésio e vitamina C, se a dieta não estiver bem planejada e orientada;
  • Maior risco de pedras nos rins, principalmente em crianças que seguem esta dieta por razões médicas.

Por isso, a dieta cetogênica deve sempre ser feita sob a supervisão de um médico ou nutricionista.

O acompanhamento médico ou nutricional é importante principalmente em pessoas com diabetes que usam insulina ou outros remédios que podem exigir ajuste de dose, e pessoas com histórico de doenças cardíacas, renais ou hepáticas.

Quem não deve fazer

A dieta cetogênica não deve ser feita por pessoas com mais de 65 anos, crianças e adolescentes, assim como não é indicada para mulheres grávidas ou que estejam amamentando.

Essa dieta também deve ser evitada por pessoas com maior risco de cetoacidose, como aquelas com diabetes tipo 1, diabéticos tipo 2 não controlada, pancreatite, baixo peso, insuficiência hepática ou renal, problemas cardíacos, deficiência primária de carnitina, deficiência de carnitina palmitoiltransferase, deficiência de carnitina translocase, porfirias ou deficiência de piruvato quinase.

Pessoas com pedra na vesícula ou que estejam fazendo tratamento com remédios à base de cortisona, só devem fazer a dieta cetogênica com a orientação de um médico e acompanhamento de um nutricionista.

Perguntas frequentes

  • Na dieta cetogênica é recomendado comer alimentos com baixa quantidade de carboidratos, como carnes magras, frutas e vegetais com baixo teor de carboidratos, como espinafre, alface, brócolis, agrião, morango, coco e abacate, por exemplo.

    É importante comer também gorduras saudáveis, sementes, laticínios e água.

     

  • Sim, a dieta cetogênica funciona e tem comprovação científica para situações como perda de peso, ajudar a prevenir e complementar o tratamento da diabetes e do ovário policístico.
  • A dieta cetogênica é um padrão alimentar com baixíssimo teor de carboidratos e alto teor de gordura, que induz a cetose, um estado metabólico no qual o corpo usa a gordura como principal fonte de energia em vez da glicose.

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