Calendário de vacinação do idoso

setembro 2022
  1. Vacinas de rotina
  2. Vacinas não-rotineiras

O calendário de vacinação do idoso inclui vacinas, como a vacina da gripe e a vacina pneumocócica, por exemplo, pois permitem desenvolver a imunidade, tornando o corpo mais capaz de combater e prevenir vários tipos de infecções.

A vacinação no idoso é fundamental, pois com o envelhecimento natural do corpo, a capacidade do sistema imunológico para combater infecções vai diminuindo, o que aumenta o risco do idoso desenvolver doenças infecciosas, principalmente do sistema respiratório.

Por isso, é essencial que as pessoas a partir dos 60 anos tenham seu calendário de vacinação atualizado, ficando atentas às campanhas de vacinação do governo, principalmente à vacinação da gripe, que é um problema muito comum mas que traz maiores riscos com o avançar da idade.

As vacinas recomendadas no calendário de vacinação do idoso determinadas pela Sociedade Brasileira de Imunizações, de forma rotineira, são 5:

  • Gripe (Influenza);
  • Pneumonia pneumocócica;
  • Herpes zóster;
  • Hepatite B;
  • Difteria, tétano e coqueluche.

Além disso, existem outras 4 vacinas que podem ser administradas durante surtos ou se existirem situações de risco aumentado. Essas incluem a vacina para hepatite A, febre amarela, vacina meningocócica conjugada e a tríplice viral (sarampo, caxumba e rubéola).

Além destas, a vacina da COVID-19 também deve ser feita por todos os idosos. Saiba mais sobre a vacina da COVID-19, doses e esquema e vacinação.

Vacinas de rotina

As vacinas de rotina são disponibilizadas pelo Ministério da Saúde e podem ser administradas gratuitamente nos postos de saúde do SUS:

1. Vacina contra a gripe

A vacina contra a gripe protege da infecção respiratória causada por diferentes tipos do vírus Influenza. Esta vacina é muito importante nos idosos porque, à medida que o corpo envelhece, o sistema imunológico e a capacidade respiratória ficam mais enfraquecidos, favorecendo o risco de complicações, especialmente pneumonia.

  • Quando tomar: é aconselhada especialmente após os 60 anos e deve ser administrada 1 vez por ano, de preferência, antes do início do outono;
  • Quem não deve tomar: pessoas com história de reação anafilática ou alergia grave ao ovo de galinha e seus derivados, alergia ao mercurocromo ou mertiolate, ou a qualquer outro componente da vacina. Deve-se adiar a vacina em pessoas apresentam febre moderada a grave ou alterações da coagulação sanguínea, se feita por via intramuscular.

A vacina contra precisa ser tomada anualmente para que seja garantido o seu efeito protetor, pois o vírus da Influenza é capaz de sofrer mutações e, assim, pode se tornar resistente à vacina do ano anterior. Veja mais detalhes sobre a vacina da gripe.

Em situações epidemiológicas de alto risco, pode ser recomendada uma segunda dose da vacina, tomada a partir de 3 meses, após a vacinação anual.

2. Vacina pneumocócica

A vacina pneumocócica previne o desenvolvimento de infecções causadas pela bactéria Streptococcus pneumoniae, principalmente a pneumonia e a meningite bacteriana, além de prevenir que essa bactéria se espalhe no organismo e cause uma infecção generalizada do organismo.

Existem 2 tipos diferentes desta vacina para idosos, que são a Polissacarídica 23-valente (VPP23), que contém 23 tipos de pneumococos, e a Conjugada 13-valente (VPC13), que contém 13 tipos.

  • Quando tomar: geralmente é feito um esquema de 3 doses, iniciando-se com a VPC13, seguida de uma dose da VPP23 tomada de 6 a 12 meses após a primeira dose, e uma segunda dose (de reforço) da VPP23 tomada 5 anos após a primeira dose. Se o idoso já recebeu uma primeira dose de VPP23, deve-se aplicar a VPC13 após 1 ano e agendar a dose de reforço da VPP23 após 5 anos da primeira dose.
  • Quem não deve tomar: pessoas que mostraram reação anafilática à dose anterior da vacina ou que tenham alergia a algum de seus componentes. Além disso, a vacina deve ser adiada em caso de febre ou alterações da coagulação sanguínea, se feita via intramuscular.

A vacina VPP23 é oferecida gratuitamente pelo SUS, podendo ser aplicada em postos de saúde, sendo especialmente indicada para idosos que estão vivendo em casas de repouso comunitárias ou que possuem risco aumentado de desenvolvimento de pneumonia e meningite bacteriana.

Já a vacina VPC13, pode ser encontrada em clínicas de vacinação privadas.

3. Vacina contra herpes zóster

O herpes zóster é uma doença causada pela reativação do vírus da catapora que pode permanecer alojado por vários anos nos nervos do corpo, e que provoca o surgimento de pequenas bolhas na pele, avermelhadas e muito dolorosas. Entenda melhor o que é e como tratar o herpes zóster.

Existem 2 tipos diferentes desta vacina para idosos, que são a VZA que contém o vírus da herpes zoster atenuado ou enfraquecido, e a vacina VZR, que contém o vírus inativado.

  • Quando tomar: é recomendada como vacinação de rotina a partir dos 50 anos, sendo que o esquema de doses é uma dose única da vacina VZA, ou duas doses da vacina VZR, com intervalo de 2 meses entre a primeira e a segunda dose. Para as pessoas que já apresentaram quadro de herpes zóster, é preciso aguardar o intervalo mínimo de 1 ano para a aplicação da vacina VZA, ou 6 meses ou resolução da herpes zoster para aplicação da vacina VZR.
  • Quem não deve tomar: pessoas com alergia aos componentes da vacina. Além disso, a vacina VZA por conter o vírus enfraquecido, não deve ser tomada por pessoas com o sistema imune enfraquecido ou imunodeprimidos.

No caso de idosos com imunidade comprometida por doenças ou uso de medicamentos, a administração da vacina deve ser discutida com o médico.

A vacina da herpes zoster pode ser encontrada em clínicas de vacinação particulares, não sendo disponibilizada pelo SUS.

4. Vacina contra o tétano e a difteria

A vacina dupla viral, ou dT, confere proteção contra as infecções por tétano, que é uma grave doença infecciosa que pode levar à morte, e a difteria, que é uma doença infecciosa muito contagiosa.

  • Quando tomar: de 10 em 10 anos, como reforço para pessoas que foram corretamente vacinadas na infância. Para idosos que não foram vacinados ou que não têm nenhum registro da vacina, é necessário fazer o esquema de 3 doses com um intervalo de 2 meses entre cada e, em seguida, fazer o reforço a cada 10 anos.
  • Quando não deve tomar: no caso de reação anafilática anterior à vacina ou a algum de seus componentes. Deve ser adiada em caso de doenças da coagulação sanguínea, se feita via intramuscular.

Esta vacina está disponível gratuitamente nos postos de saúde, no entanto, também existe a vacina tríplice bacteriana do adulto, ou dTpa, que além do tétano e difteria protege contra o coqueluche, mas que apenas está disponível em clínicas particulares de imunização.

5. Vacina contra hepatite B

A vacina da hepatite B deve ser administrada em idosos que nunca receberam a vacina ou que não possuem registro dessa vacinação.

  • Quando tomar: a vacina contra hepatite B é feita em 3 doses, sendo que a segunda dose 1 mês após a primeira, e a terceira dose 6 meses após a primeira dose (esquema 0-1-6).
  • Quem não deve tomar: pessoas com reação anafilática aos componentes da vacina. Deve ser adiada em casos de doença febril aguda ou alterações da coagulação se uso intramuscular.

Esta vacina também pode ser administrada em conjugação com a vacina contra a vacina da hepatite A, no entanto, essa opção só está disponível em clínicas privadas.

Vacinas não-rotineiras

As vacinas que não fazem parte do calendário de vacinação de rotina podem ser administradas em pessoas com risco aumentado ou quando se viaja para um lugar em que existe um maior número de casos da infecção. A maioria destas vacinas não está disponível pelo SUS e devem ser feitas em clínicas privadas.

1. Vacina contra a febre amarela

Esta vacina confere proteção contra a infecção da febre amarela e é recomendada para habitantes de áreas endêmicas, pessoas com viagem para áreas com a doença ou sempre que houver exigência internacional.

  • Quando tomar: o ministério da saúde recomenda apenas 1 dose para pessoas até 59 anos de idade, não vacinada anteriormente. ou que não tenham registro de vacinação anterior. Após os 60 anos essa vacina pode ser recomendada pelo médico após avaliar os riscos e os benefícios da vacinação, e o risco de infecção, uma vez que, apesar de ser raro, existe um ricco aumentado de efeitos colaterais graves.
  • Quem não deve tomar: idosos com histórico de reação alérgica ao ovo de galinha ou aos componentes da vacina. Além disso, também não deve ser administrada quando existem doenças que reduzem a imunidade, como câncer, diabetes, AIDS ou quando se está fazendo uso de medicamentos imunossupressores, quimioterápicos ou radioterápicos, pois a vacina da febre amarela possui o vírus vivo atenuado ou enfraquecido.

A vacina da febre amarela está disponível gratuitamente no SUS, mas só deve ser administrada nos casos de maior necessidade.

2. Vacina meningocócica

Esta vacina fornece proteção contra a bactéria Neisseria meningitidis, também conhecida como Meningococo, que é capaz de se espalhar pela corrente sanguínea e causar infecções graves, como a meningite e a meningococcemia.

Como ainda não há muitos estudos científicos feitos com esta vacina em idosos, ela costuma ser recomendada em alguns casos de maior risco, como em situações de epidemia da doença ou viagens para áreas de risco.

  • Quando tomar: deve ser administrada uma dose única, em casos de epidemias.
  • Quem não deve tomar: pessoas com alergia a qualquer componente da vacina. Adiar em caso de doença com febre ou doenças que causam alteração da coagulação.

A vacina meningocócica está disponível somente em clínicas privadas de imunização.

3. Vacina tríplice viral

Esta é a vacina contra os vírus do sarampo, caxumba e rubéola, que é necessária em casos de risco aumentado para infecção, como situações de surtos, viagens para locais de risco, pessoas que nunca foram infectadas ou que não tenham recebido as 2 doses da vacina ao longo da vida.

  • Quando tomar: são necessárias apenas 2 doses dos 20 a 29 anos, com intervalo mínimo de 1 mês, ou 1 dose dos 30 aos 59 anos. Para pessoas com mais de 60 anos, essa vacina pode ser recomendada pelo médico em dose única, somente nos casos de surtos da doença, viagens ou risco aumentado de infecção.
  • Quem não deve tomar: pessoas com imunidade gravemente comprometida ou que tiveram reação anafilática após ingestão de ovo.

Não está disponível gratuitamente para idosos, exceto em períodos de campanhas, sendo necessário dirigir-se a uma clínica de imunização privada.

4. Vacina contra hepatite A

A proteção contra a hepatite A está aconselhada para após a avaliação sorológica para pessoas que têm contato com outras pessoas com hepatite A ou quando existe um surto da infecção. A avaliação sorológica serve para avaliar se a pessoa já desenvolveu imunidade natural contra a infecção ao longo da vida.

  • Quando tomar: são necessárias duas doses, com intervalo de 6 meses.
  • Quem não deve tomar: pessoas com reação anafilática aos componentes da vacina. Deve ser adiada em casos de doença febril aguda ou alterações da coagulação se uso intramuscular.

A vacina contra hepatite A só é disponibilizada em clínicas particulares de imunização.

5. Vacina contra hepatite A e B

A vacina contra hepatite A e B é recomendada quando a pessoa não foi imunizada anteriormente com as vacinas da hepatite A e/ou hepatite B. Essa vacina contém a combinação dos vírus de hepatite A e B e pode ser utilizada para substituir a vacina isolada de hepatite A e hepatite B.

  • Quando tomar: são necessárias três doses, sendo que a segunda dose deve ser tomada 1 mês após a primeira, e a terceira dose 6 meses após a primeira dose (esquema 0-1-6).
  • Quem não deve tomar: pessoas que tiveram reação anafilática aos componentes da vacina e para pessoas que após a dose anterior ou vacinação anterior da vacina da hepatite B, desenvolveram púrpura trombocitopênica.

A vacina contra hepatite A e B pode ser feita em clínicas de vacinação particulares, não sendo disponibilizada pelo SUS.

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Atualizado por Flávia Costa - Farmacêutica, em setembro de 2022. Revisão clínica por Manuel Reis - Enfermeiro, em setembro de 2022.

Bibliografia

  • SOCIEDADE BRASILEIRA DE IMUNIZAÇÕES (SBIM). Calendário de Vacinação SBIm Idoso (2022/2023). 2022. Disponível em: <https://sbim.org.br/images/calendarios/calend-sbim-idoso.pdf>. Acesso em 09 set 2022
  • MINISTÉRIO DA SAÚDE - BRASIL. Calendário Nacional de Vacinação 2022 -Adulto e Idoso. 2022. Disponível em: <https://www.gov.br/saude/pt-br/assuntos/saude-de-a-a-z/c/calendario-nacional-de-vacinacao/calendario-vacinal-2022/calendario-nacional-de-vacinacao-2022-adulto-e-idoso/view>. Acesso em 09 set 2022
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  • MINISTÉRIO DA SAÚDE BRASIL. Idoso: vacinação protege contra gripe. 2003. Disponível em: <https://bvsms.saude.gov.br/bvs/periodicos/informesaude/informe207.pdf>. Acesso em 09 set 2022
  • SOCIEDADE BRASILEIRA DE IMUNIZAÇÕES. Calendário de Vacinação SBIm Idoso (2021/2022). 2021. Disponível em: <https://sbim.org.br/images/calendarios/calend-sbim-idoso.pdf>. Acesso em 29 jul 2021
Revisão clínica:
Manuel Reis
Enfermeiro
Pós-graduado em fitoterapia clínica e formado pela Escola Superior de Enfermagem do Porto, em 2013. Membro nº 79026 da Ordem dos Enfermeiros.

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