Fezes escuras no bebê: 7 principais causas e o que fazer

Revisão médica: Drª. Beatriz Beltrame
Pediatra
junho 2022

O consumo de alimentos ricos em ferro, como beterraba ou espinafre, uso de sulfato ferroso ou de fórmulas infantis podem deixar as fezes do bebê mais escuras. 

Apesar das primeiras fezes do bebê normalmente também terem essa aparência, elas tendem a adquirir uma cor marrom após os primeiros dias. Mesmo após este período inicial, alguma variação na cor das fezes pode ocorrer sem que isso seja considerado um problema, porque essas variações de cor geralmente melhoraram nas próximas evacuações e não são acompanhadas de outros sintomas.

No entanto, se outros sintomas como saída de sangue nas fezes ou pela boca, dificuldade de alimentação, choro intenso ou dificuldade de ganhar peso estiverem presentes, é recomendado consultar um pediatra assim que possível. Entenda melhor que outras situações podem causar alterações nas fezes do bebê.

1. Mecônio

O mecônio é formado por substâncias que foram se acumulando durante toda a gestação no intestino do bebê e é eliminado entre 24 e 48 horas após o nascimento. 

Geralmente, o mecônio apresenta cor verde, marrom ou amarelada, é de aparência escura e pegajosa. Por isso, é comum que as primeiras fezes do bebê também sejam mais escuras. Saiba o que é e mais características do  o mecônio.

O que fazer: A saída do mecônio nos primeiros dias de vida é normal e não deve ser motivo de preocupação, porque geralmente a cor das fezes vai se tornando cada vez mais marrom depois de 2 ou 3 dias.

2. Mamilos rachados durante a amamentação 

Caso a mãe tenha os mamilos rachados e esteja amamentando, o bebê pode ingerir um pouco de sangue, que é digerido e depois pode aparecer em suas fezes, tornando-as mais escuras. Neste caso, também é comum o bebê apresentar saída de pequena quantidade de sangue pela boca, não havendo outros sintomas associados. 

O que fazer: Principalmente quando houver outros sintomas associados, é recomendado que o pediatra seja consultado assim que possível para que causas mais graves para as fezes escuras sejam afastadas. No entanto, se os mamilos estiverem rachados, pode-se passar um pouco do próprio leite sobre os ferimentos, para ajudar na cicatrização, e verificar se a pega do bebê está correta. Quando a causa das fezes escuras são os mamilos rachados, na medida que há cicatrização, a cor das fezes tende a melhorar. Veja as melhores formas de tratar as rachaduras na mama.

3. Alimentos não digeridos completamente

Dependendo da alimentação do bebê, alguns alimentos como beterraba, cenoura e uvas, podem não ser digeridos completamente, principalmente quando consumidos em grande quantidades ou quando não são mastigados o suficiente, e alterar a cor das fezes da criança, deixando-as mais escuras e sendo notada a presença de pequenos pedaços desses alimentos em alguns casos. 

O que fazer: Quando as fezes escuras estão relacionadas com o consumo destes alimentos, geralmente não há preocupação, porque a cor tende a voltar ao normal com a diminuição da ingestão ou a substituição destes alimentos por outros.

 4. Uso de fórmulas infantis

Os bebês que consomem fórmulas infantis tendem a ter fezes mais escuras em comparação com aqueles em aleitamento materno. As fezes geralmente são marrons, mas podem variar em tons desde castanho a esverdeado e podem ainda ser mais pastosas, semelhantes à manteiga de amendoim.

O que fazer: Neste caso, geralmente não há preocupação, porque as fezes escuras são uma alteração comum de bebês que consomem estes tipos de leite. No entanto, é recomendado consultar um pediatra, principalmente se houver outros sintomas como sangue nas fezes ou dificuldade de ganhar peso. 

5. Alergia à proteína do leite de vaca

Nos casos de alergia à proteína do leite de vaca, que está presente em muitas fórmulas infantis, as fezes também podem ficar mais escuras devido à presença de sangue. Além disso, outros sintomas podem ocorrer, como a presença de listras ou tirinhas de sangue nas fezes do bebê, dificuldade para ganhar peso e pele avermelhada ou muito seca.

O que fazer: Em bebês que consomem fórmulas infantis e apresentam fezes escuras é importante consultar um pediatra para avaliar a necessidade de troca do leite, principalmente quando há outros sintomas associados. Quando a alergia à proteína do leite de vaca é confirmada, pode ser necessário trocar a fórmula por outros tipos de leite. Veja como escolher o leite para o recém nascido.

6. Ingestão de ferro por meio de alimentos ou medicamentos

O uso de sulfato ferroso e consumo em grande quantidade de alimentos que contêm ferro, como beterraba, espinafre e feijão, podem causar fezes escuras no bebê, já que o excesso de ferro não é devidamente absorvido no intestino, sendo eliminado nas fezes. Conheça mais alimentos ricos em ferro.

O que fazer: Geralmente não há preocupação, porque a cor das fezes normalmente volta ao normal quando o bebê para de tomar o medicamento ou quando há diminuição do consumo destes alimentos.

7. Lesões no estômago, esôfago ou intestino

Apesar de ser uma situação menos comum, as fezes muito escuras também podem indicar algum sangramento no tubo digestivo, que pode ocorrer devido a lesões como esofagite e úlceras. Nestes casos, além das fezes escuras, podem haver outros sintomas como choro intenso, saída de sangue pela boca e sangue vivo nas fezes.

O que fazer: É importante que o pediatra seja consultado, principalmente se existirem outros sintomas, pois assim é possível que seja feita uma avaliação mais detalhada do bebê para que seja indicado o melhor tratamento, que pode envolver o uso de medicamentos que diminuem a acidez do estômago, por exemplo. Saiba mais sobre sangue nas fezes do bebê.

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Atualizado por Equipe Editorial do Tua Saúde, em junho de 2022. Revisão médica por Drª. Beatriz Beltrame - Pediatra, em fevereiro de 2016.

Bibliografia

  • STATPEARLS. Meconium. 2021. Disponível em: <https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK542240/>. Acesso em 08 jun 2022
  • BHINDE, Sagar M. Importance of Stool Examination in Babies. Journal of Indian System of Medicine. Vol.2, n.3. 39-142, 2014
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  • NEIDICH, Gary A; COLE, Sarah R. Gastrointestinal Bleeding. Pediatrics in Review. Vol.35, n.6. 243–254, 2014
Revisão médica:
Drª. Beatriz Beltrame
Pediatra
Formada pela Faculdade Evangélica de Medicina do Paraná, em 1993 com registro profissional no CRM PR - 14218.