Nódulo hipoecoico na mama, tireoide ou fígado: o que é e quando é grave

novembro 2022

O nódulo hipoecoico, ou hipoecogênico, é aquele que é visualizado através de exames de imagem, como a ultrassonografia, e que indica uma lesão mais densa do que os tecidos em volta, geralmente formada por líquidos, gordura ou tecidos, por exemplo, que medem mais do que 1 cm de diâmetro e são, geralmente, arredondados e semelhantes a caroços.

Um nódulo pode surgir na pele, tecido subcutâneo ou qualquer outro órgão do corpo, sendo comum ser detectado na mama, tireoide, ovários, útero, fígado, pâncreas, testículos, rins, gânglios linfáticos ou articulações, por exemplo. Algumas vezes, quando superficiais, podem ser palpados, enquanto que em muitos casos, somente exames com ultrassom ou tomografia podem detectar.

O nódulo hipoecoico pode indicar lesão benigna ou maligna, sendo que o resultado do exame deve ser interpretado pelo médico, que pode solicitar outros exames de diagnóstico para confirmar o tipo de lesão, como tomografia computadorizada, ressonância magnética ou biópsia, por exemplo. Saiba como é feita a biópsia.

Características do nódulo hipoecoico

Os nódulos hipoecoicos podem ter as seguintes características:

  • Cisto: surge quando o nódulo tem conteúdo líquido em seu interior. Confira os principais tipos de cisto e quando podem ser graves;
  • Sólido: quando o seu conteúdo contém estruturas sólidas ou espessas, como tecidos, ou um líquido que tenha uma densidade considerável, com muitas células ou outros elementos em seu interior;
  • Misto: pode surgir quando o mesmo nódulo engloba estruturas líquidas e sólidas em seu conteúdo.

Os nódulos hipoecoicos geralmente aparecem no exame de ultrassom como massas mais escuras do que os tecidos em volta, que por serem mais densos, refletindo poucas ondas sonoras do ultrassom.

Quando o nódulo é grave?

Geralmente, o nódulo apresenta características que podem indicar que são ou não graves, entretanto, não existe uma regra para todos, sendo necessária a avaliação do médico para que observe não só o resultado do exame, mas também o exame físico, presença de sintomas ou riscos que a pessoa pode apresentar.

Algumas características que podem levantar suspeitas do nódulo variam de acordo com o órgão em que ele se localiza, e podem ser:

1. Nódulo hipoecoico na mama

Na maioria das vezes, o nódulo na mama não é preocupante, sendo comum surgirem lesões benignas como fibroadenoma, abscesso, mastite ou cisto simples, por exemplo. Costuma-se suspeitar de um câncer quando há alterações no formato ou tamanho da mama, na presença de histórico na família ou quando o nódulo apresenta características de malignidade, como ser duro, aderido aos tecidos vizinhos, ter bordas irregulares ou quando tem muitos vasos sanguíneos, por exemplo.

Entretanto, em caso de suspeita de um tumor na mama, o médico indicará uma punção ou biópsia para determinar o diagnóstico. Veja mais sobre como saber se o nódulo na mama é maligno.

2. Nódulo hipoecoico na tireoide

O fato de ser hipoecogênico aumenta as chances de malignidade em um nódulo na tireoide, entretanto, somente esta característica não é suficiente para determinar se é um câncer ou não, sendo necessária a avaliação médica.

Na maioria das vezes, o tumor costuma ser investigado com punção quando atingem mais que 1 cm de diâmetro, ou 0,5 cm quando o nódulo tem características de malignidade, como o nódulo hipoecoico, presença de microcalcificações, aumento dos vasos sanguíneos, infiltração nos tecidos vizinhos ou quando é mais alto do que largo na visão transversal.

Os nódulos também devem ser puncionados nas pessoas com alto risco para malignidade, como aquelas que tiveram exposição à radiação na infância, que possuem genes associados ao câncer ou que têm história pessoal ou familiar de câncer, por exemplo. Entretanto, é importante que o médico avalie cada caso individualmente, pois existem especificidades e a necessidade de calcular o risco ou benefício dos procedimentos, em cada situação.

Saiba como identificar o nódulo na tireóide, quais exames fazer e como tratar

3. Nódulo hipoecoico no fígado

Os nódulos hepáticos têm características variáveis, portanto, a presença de um nódulo hipoecoico não é suficiente para indicar se é benigno ou maligno, sendo necessário que o médico faça uma avaliação com mais detalhes, de acordo com cada caso, para determinar. 

Geralmente, o nódulo no fígado é investigado para a presença de malignidade com exames de imagem, como tomografia ou ressonância, sempre que for maior que 1 cm ou quando apresenta crescimento constante ou mudança de aspecto. Em alguns casos, o médico poderá indicar uma biópsia para confirmar ou não se o nódulo é grave. Saiba quando está indicada a biópsia do fígado e como é feita

Nódulo hipoecoico é câncer?

Ser hipoecoico não confirma se o nódulo é câncer ou não, mas apenas pode indicar características da lesão, pois no exame de ultrassom a palavra "ecogenicidade" indica apenas a facilidade com que os sinais do ultrassom passam através das estruturas e órgãos do corpo. Assim, estruturas hiperecoicas costumam ter uma densidade menor, enquanto as hipoecoicas ou anecoicas têm maior densidade. 

Algumas características do nódulo hipoecoico que podem indicar um câncer, são:

  • Forma, bordas ou contorno irregulares;
  • Presença de ramificações, como se fossem tentáculos ou raiz;
  • Presença de vasos sanguíneos em volta do nódulo;
  • Altura maior do que a largura;
  • Tonalidades diferentes no ultrassom;
  • Formato não oval ou arrendondado.

 Na presença de características de malignidade, normalmente é indicado pelo médico outros exames para investigar e diagnosticar o tipo de nódulo e se é um tumor, como tomografia computadorizada, ressonância magnética, mamografia ou biópsia, por exemplo. 

Como é feito o tratamento

Nem sempre o nódulo hipoecoico precisa ser retirado pois, na maioria dos casos, é benigno e necessita apenas de observação. O médico irá determinar a frequência com que o nódulo será acompanhado, com exames como ultrassom ou tomografia, por exemplo, que pode ser a cada 3 meses, 6 meses ou 1 ano.

Entretanto, caso o nódulo passe a apresentar características suspeitas de malignidade, como crescimento rápido, aderência aos tecidos vizinhos, mudanças de característica ou até mesmo quando se torna muito grande ou provoca sintomas, como dor ou compressão dor órgãos próximos, é indicada a realização de uma biópsia, punção ou uma cirurgia para remoção do nódulo. Saiba como é feita a cirurgia para retirada de nódulo da mama e como é a recuperação

Esta informação foi útil?

Atualizado por Flávia Costa - Farmacêutica, em novembro de 2022. Revisão médica por Dr.ª Clarisse Bezerra - Médica de Saúde Familiar, em fevereiro de 2020.

Bibliografia

  • BARRETO, D. S.; et al. Granulomatous mastitis: etiology, imaging, pathology, treatment, and clinical findings. Breast Cancer Res Treat. 171. 3; 527-534, 2018
  • KONDAGARI, L.; KAHN, J.; SINGH, M. IN: STATPEARLS [INTERNET]. TREASURE ISLAND (FL): STATPEARLS PUBLISHING. Sonography Gynecology Infertility Assessment, Protocols, And Interpretation. 2022. Disponível em: <https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK572093/>. Acesso em 14 nov 2022
Mostrar bibliografia completa
  • MALHERBE, K.; TAFTI, D. IN: STATPEARLS [INTERNET]. TREASURE ISLAND (FL): STATPEARLS PUBLISHING. Breast Ultrasound. 2022. Disponível em: <https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK557837/>. Acesso em 14 nov 2022
  • BOROWY, C. S.; MUKHDOMI, T. IN: STATPEARLS [INTERNET]. TREASURE ISLAND (FL): STATPEARLS PUBLISHING. Sonography Physical Principles And Instrumentation. 2022. Disponível em: <https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK567710/>. Acesso em 14 nov 2022
Revisão médica:
Dr.ª Clarisse Bezerra
Médica de Saúde Familiar
Formada em Medicina pelo Centro Universitário Christus e especialista em Saúde da Família pela Universidade Estácio de Sá. Registro CRM-CE nº 16976.

Tuasaude no Youtube

  • Como fazer o AUTOEXAME DO TESTÍCULO

    04:31 | 334777 visualizações
  • Como fazer o AUTOEXAME DA MAMA

    04:12 | 155857 visualizações
  • COMO SOBREVIVER SEM TIREOIDE

    05:39 | 117347 visualizações
  • Alimentação para Problemas na Tireoide

    04:47 | 875303 visualizações