Leucemia aguda: o que é, sintomas e tratamento

Revisão médica: Dr. Arthur Frazão
Oftalmologista
maio 2022

A leucemia aguda é uma alteração sanguínea que acontece devido a alterações na medula óssea, que passa a liberar na corrente sanguínea glóbulos brancos pouco maduros, sendo também identificada grande quantidade de células imaturas na medula óssea. De acordo com o tipo de glóbulo branco afetado, ou seja, com a linhagem celular atingida, a leucemia aguda pode ser classificada em mieloide ou linfoide, que pode ser diferenciada através de exames laboratoriais.

A leucemia aguda é mais comum em crianças e adultos jovens e é caracterizada pela presença de mais de 20% de blastos no sangue, que são células sanguíneas jovens, e pelo hiato leucêmico, que corresponde à ausência de células intermediárias entre os blastos e os neutrófilos maduros.

O tratamento da leucemia aguda é feito por meio de transfusões sanguíneas e de quimioterapia em ambiente hospitalar até que não sejam mais detectados sinais clínicos e laboratoriais relacionados à leucemia.

Tipos de leucemia aguda

A leucemia aguda pode ser classificada em dois tipos principais de acordo com o tipo de célula que é afetada:

  • Leucemia mieloide aguda (LMA), em que as células da linhagem mieloide, que é a linhagem responsável por dar origem aos leucócitos, dentre outras células sanguíneas. Esse tipo de leucemia pode ser classificado em alguns subtipos de acordo com as células imaturas circulantes no sangue e características da medula óssea;
  • Leucemia linfóide aguda (LLA), em que as células da linhagem linfóide é atingida, resultando no aparecimento de linfócitos imaturos na corrente sanguínea.

É importante que o tipo de leucemia aguda seja identificada para que o melhor tratamento possa ser iniciado logo em seguida, prevenindo o desenvolvimento de complicações e aumentando as chances de cura.

Sintomas da leucemia aguda

A principal característica desse tipo de leucemia é o desenvolvimento rápido, de forma que os sintomas podem surgir e evoluir em um curto espaço de tempo, sendo os principais:

  • Fraqueza, cansaço e indisposição;
  • Sangramento pelo nariz e/ou manchas roxas na pele;
  • Aumento do fluxo menstrual e tendência a sangramento nasal;
  • Febre, suor noturno e emagrecimento sem causa aparente;
  • Dor nos ossos, tosse e dor de cabeça.

Na presença desses sinais e sintomas, é importante que o médico seja consultado para que sejam realizados exames que ajudem a confirmar o câncer, identificar o tipo e, assim, iniciar o tratamento mais adequado.

Causas da leucemia aguda

A leucemia aguda acontece como consequência de alterações na medula óssea, que têm como resultado a liberação de células imaturas na corrente sanguínea, podendo ser linhagem linfoide ou mielóide.

As alterações na medula óssea que resultam na leucemia estão relacionadas com a genética, podendo ser identificada alteração nos genes FLT-3, NPM1, IDH e PML-RARA, no caso da leucemia mieloide aguda, por exemplo. A causa genética de leucemia linfoide aguda ainda não é muito bem esclarecida, no entanto parece estar relacionada com alterações no DNA causadas pela exposição à radiação, realização de tratamento com quimioterápicos anteriormente ou doenças genéticas.

Além disso, as mutações relacionadas com a LMA também podem ser favorecidas pelo uso de medicamentos imunossupressores, doenças genéticas, exposição à radiação e realização de quimioterapia, por exemplo.

Como é feito o diagnóstico

O diagnóstico da leucemia aguda deve ser feito pelo médico a partir da avaliação inicial dos sinais e sintomas apresentados, sendo também importante que sejam realizados exames que permitam avaliar a saúde geral da pessoa, bem como verificar se há algum sinal de leucemia. Assim, os principais exames que podem ser indicados em caso de suspeita de leucemia são:

  • Hemograma completo, que indica leucocitose, plaquetopenia e a presença de várias células jovens (blastos), seja da linhagem mieloide ou linfoide;
  • Exames bioquímicos, como dosagem de ácido úrico e LDH, que normalmente se encontram aumentados devido ao aumento da presença de blastos no sangue;
  • Coagulograma, em que são verificadas a produção de fibrinogênio, D-dímero e o tempo de protrombina;
  • Mielograma, em que são verificadas as características da medula óssea.

Além desses exames, podem ser solicitados pelo hematologista a pesquisa de mutações por meio de técnicas moleculares, como NPM1, CEBPA ou FLT3-ITD, para poder indicar a melhor forma de tratamento.

Tratamento para leucemia aguda

O tratamento para leucemia aguda é definido pelo hematologista e/ ou oncologista de acordo com os sintomas, resultado dos exames, idade da pessoa, presença de infecções, risco de metástase e de recidiva. O tempo de tratamento pode variar, começando os sintomas a diminuir após 1 a 2 meses do início da poliquimioterapia, por exemplo, podendo o tratamento durar cerca de 3 anos.

O tratamento para leucemia mieloide aguda pode ser feito por meio da quimioterapia, que é combinação de medicamentos, transfusão de plaquetas e uso de antibióticos para diminuir o risco de infecções, já que o sistema imunológico se encontra comprometido. Em relação ao tratamento para a leucemia linfoide aguda, pode ser feito por meio de uma poliquimioterapia, que é feito com altas doses de medicamentos para eliminar o possível risco da doença alcançar o sistema nervoso central.

Caso haja recidiva da doença pode-se optar pelo transplante de medula óssea pois, neste caso, nem todos se beneficiam da quimioterapia. Entenda quando o transplante de medula óssea é indicado.

Leucemia aguda tem cura?

A cura na leucemia diz respeito à ausência de sinais e sintomas característicos da leucemia no período de 10 anos após o fim do tratamento, sem que haja recaídas.

Em relação à leucemia mieloide aguda, a cura é possível, devido a diversas opções de tratamento, no entanto à medida do avanço da idade, a cura ou controle da doença pode ser mais difícil; quando mais nova for a pessoa, maior é chance de cura.

No caso da leucemia linfoide aguda, a possibilidade de cura é maior em crianças, cerca de 90%, e 50% de cura em adultos até 60 anos de idade, no entanto para aumentar as chances de cura e evitar recidiva da doença, é importante que seja descoberto o mais breve possível e o tratamento iniciado logo em seguida.

Mesmo após o início do tratamento, a pessoa deverá realizar exames periódicos para verificar se há ou não recidiva e, caso haja, retomar o tratamento imediatamente para que as chances de remissão completa da doença sejam maiores.

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Atualizado por Marcela Lemos - Biomédica, em maio de 2022. Revisão médica por Dr. Arthur Frazão - Oftalmologista, em fevereiro de 2016.

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Revisão médica:
Dr. Arthur Frazão
Clínico geral
Médico generalista, especialista em Oftalmologia pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte, em 2008, com registro profissional no CRM/PE 16878