Leucemia linfoide aguda: o que é, sintomas e tratamento

Setembro 2021

A leucemia linfóide aguda (LLA), também conhecida como leucemia linfoblástica aguda, é um tipo de câncer relacionado aos glóbulos brancos, especialmente os linfócitos, que se inicia na medula óssea, responsável por produzir e liberar os linfócitos na corrente sanguínea, que são células que atuam na defesa do organismo contra infecções.

Esse câncer é tipo mais comum de leucemia em crianças, e é caracterizada pela presença de excessiva de linfócitos não amadurecidos no sangue, que podem invadir outros órgãos do corpo como linfonodos, fígado, baço ou cérebro, levando ao surgimento rápido dos sintomas como sangramento nas gengivas, febre, dor nos ossos ou infecções frequentes, por exemplo.

Embora se desenvolva muito rápido, a leucemia linfóide aguda tem maiores chances de cura quando o tratamento é iniciado precocemente, sendo que mais de 90% das crianças que são diagnosticadas com LLA e recebem o tratamento correto atingem a remissão completa da doença.

Leucemia linfoide aguda: o que é, sintomas e tratamento

Principais sintomas

Os primeiros sintomas de leucemia linfoide aguda incluem:

  1. Sangramento fácil nas gengivas;
  2. Sangramento frequente ou severo pelo nariz; 
  3. Infecções frequentes, que não desaparecem ou voltam a surgir muitas vezes, como amigdalite ou pneumonia;
  4. Febre acima de 38ºC;
  5. Dor nos ossos ou nas articulações;
  6. Dificuldade para respirar e sensação de falta de ar;
  7. Cansaço excessivo e falta de energia;
  8. Perda de peso sem causa aparente;
  9. Pele pálida;
  10. Suor noturno;
  11. Formação de ínguas, que é o aumento dos linfonodos ao redor do pescoço, axilas, abdômen ou virilha;
  12. Facilidade para ter manchas roxas na pele;
  13. Dor abdominal, causada pelo inchaço do fígado ou do baço.

Além disso, quando as células afetadas alcançam o cérebro, pode causar sintomas como dor de cabeça, visão embaçada, tontura ou convulsões.

Geralmente, a leucemia linfóide aguda é fácil de identificar pois os sintomas surgem quase ao mesmo tempo, o que torna possível diferenciar de outro tipo de leucemia, a leucemia linfóide crônica, em que os sintomas surgem de forma isolada, ou podem nem existir, sendo apenas identificado devido à alterações no hemograma em exames de rotina. Entenda o que é a leucemia linfóide crônica e como identificar.

Assim, para fazer o diagnóstico o mais cedo possível, é importante consultar um clínico assim que surgirem algum dos sintomas para pedir um exame de sangue e identificar se existem alterações que devem ser avaliadas.

Como confirmar o diagnóstico

O diagnóstico da leucemia linfóide aguda é feito por um oncologista ou hematologista através dos sintomas apresentados e resultado do hemograma e da contagem diferencial no esfregaço sanguíneo, em que são verificados muitos linfócitos e, em algumas pessoas, ainda pode ser percebido diminuição da concentração de hemoglobina, hemácias ou diminuição das plaquetas. Saiba como interpretar o hemograma.

Além disso, o médico deve solicitar uma biópsia de medula óssea para classificar as células sanguíneas e verificar o seu tamanho, forma, características genéticas e moleculares, que servirão para o  médico determinar o tipo de tratamento a ser realizado. Entenda como é feita a biópsia de medula óssea. 

O médico pode também solicitar outros exames como raio-X, tomografia computadorizada ou ultrassom para verificar se o câncer se espalhou para outros órgãos, e uma punção lombar, que permitirá analisar se as células cancerígenas atingiram o cérebro ou outras partes do sistema nervoso central.

Possíveis causas

A leucemia linfocítica aguda é causada por alterações ou mutações nas células tronco, fazendo com que a medula óssea libere linfócitos não amadurecidos na corrente sanguínea.

As causas das mutações no DNA ainda não são completamente conhecidas, mas alguns fatores podem contribuir para essas alterações como:

  • Ter feito tratamento com quimioterapia anteriormente;
  • Doenças genéticas, como síndrome de Down;
  • Exposição à radiação.

 Além disso, ter o sistema imunológico enfraquecido devido à infecção pelo HIV ou uso de remédios imunossupressores, também aumentam o risco de desenvolver a leucemia linfocítica aguda. 

Como é feito o tratamento

O tratamento da leucemia linfocítica aguda é feito pelo oncologista ou hematologista, e inclui:

  • Quimioterapia: utiliza remédios quimioterápicos como metotrexato, por exemplo, diretamente na veia, para destruir as células cancerígenas do corpo; 
  • Terapia alvo: feito com o uso de remédios como dasatinibe, por exemplo, para bloquear anormalidades específicas presentes nas células cancerígenas, causando a destruição dessas células. Esse tipo de tratamento pode ser feito em combinação com a quimioterapia;
  • Radioterapia: feito com a utilização de radiação de alta potência, indicada quando as células cancerígenas atingiram o cérebro ou outra parte do sistema nervoso central, com o objetivo de eliminar as células cancerígenas;
  • Transplante de medula óssea: esse tipo de tratamento tem como objetivo restabelecer a saúde da medula óssea, substituindo a medula óssea doente por uma saudável, que pode ser a de um doador de medula óssea. Entenda como é feito o transplante de medula óssea;
  • Terapia gênica de CAR-T cell: consiste na alteração do sistema imunológico para que as células tumorais sejam facilmente reconhecidas e eliminadas do organismo. Veja como funciona a terapia gênica de células CAR-T cell.  

Geralmente, o tratamento da leucemia linfóide aguda é mais intenso e agressivo nos primeiros meses, sendo reduzido ao longo de 2 ou 3 anos. 

Além disso, durante o tratamento da leucemia linfóide aguda pode ser necessário outros tratamentos como uso de remédios antibióticos ou transfusão de sangue, conforme avaliação do médico.

Esta informação foi útil?

Bibliografia

  • MALARD, F.; MOHTY, M. Acute lymphoblastic leukaemia. Lancet. 395. 10230; 1146-1162, 2020
  • HUNGER, S. P.; MULLIGHAN, C. G. Acute Lymphoblastic Leukemia in Children. N Engl J Med. 373. 16; 1541-52, 2015
  • BHOJWANI, D.; YANG, J. J.; PUI, C. H. Biology of childhood acute lymphoblastic leukemia. Pediatr Clin North Am. 62. 1; 47-60, 2015
  • INABA, H.; MULLIGHAN, C. G. Pediatric acute lymphoblastic leukemia. Haematologica. 105. 11; 2524-2539, 2020
Mais sobre este assunto: