Interação medicamentosa: o que é, exemplos (e como evitar)

A interação medicamentosa é caracterizada quando a ação, os efeitos ou a toxicidade de um remédio são modificados pelo uso anterior ou junto com outro medicamento, alimento, suplemento, álcool, drogas ilícitas ou agentes químicos do ambiente.

Existem diferentes tipos de interação medicamentosa, como farmacocinética, farmacodinâmica e de efeito, por exemplo. Estas interações podem reduzir o efeito terapêutico esperado ou causam o aumento da toxicidade e de reações adversas, por exemplo.

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Para evitar a interação medicamentosa, é importante seguir todas as recomendações sobre horário, doses e formas de uso dos remédios, além de evitar a automedicação e informar ao médico sobre o uso regular de remédios, alimentos, suplementos ou outras substâncias.

Imagem ilustrativa número 3

Exemplos de interação medicamentosa

A tabela a seguir traz alguns exemplos de interação medicamentosa e seus possíveis efeitos:

Medicamento

Interação com:

Efeito da interação

Paracetamol

Varfarina

Aumento do efeito anticoagulante da varfarina e aumento do risco de hemorragias

 

Isoniazida

Aumento do efeito do paracetamol

 

Fenitoína / fenobarbital

Redução do efeito do paracetamol e aumento do risco de dano hepático

Omeprazol

Varfarina

Aumento do risco de hemorragias

 

Fenitoína

Ataxia, reflexos aumentados, movimento involuntário, repetitivo e incontrolado dos olhos, e tremores

Captopril / enalapril

AINEs (Diclofenaco; Ibuprofeno; Naproxeno)

Diminuição da resposta anti-hipertensiva do medicamento e aumento do risco de disfunção renal

 

Alopurinol

Aumento do risco de reações alérgicas ao alopurinol

Enoxaparina (Clexane, Versa, Volare)

Anti-inflamatórios não esteroides / duloxetina / paroxetina / fluoxetina / sertralina

Potencialização dos seus efeitos

Amoxicilina + Clavulanato

Varfarina

Aumento do risco de sangramento

Fluconazol

Losartana

Pressão baixa

 

Sinvastatina

Aumento do risco de rabdomiólise

 

Diazepam / midazolam / clonazepam

Aumento da concentração e toxicidade dos benzodiazepínicos (sedação excessiva e efeitos hipnóticos prolongados)

Hidroclorotiazida

Amiodarona

Hipopotassemia e hipomagnesemia. Sinais de toxicidade da digoxina (letargia, fraqueza, dores musculares, náuseas, batimentos cardíacos irregulares)

 

Anfotericina B

Aumento do risco de hipocalemia devido a efeitos aditivos. Fraqueza, letargia e dores musculares ou cãibras

 

AINEs (diclofenaco; ibuprofeno; naproxeno)

Aumento do risco de insuficiência renal aguda

 

Atenolol

Hiperglicemia e hipertrigliceridemia, especialmente em pessoas com diabetes ou diabetes latente. Sinais como tonturas, fraqueza, desmaios, batimentos cardíacos rápidos ou irregulares, ou perda do controle da glicose no sangue

 

Carbamazepina

Ocorrência de hiponatremia, com sinais como náusea, vômito, letargia, fraqueza, cãibras musculares, espasmos, confusão mental e convulsões

 

Hidrocortisona / dexametasona / metilprednisolona / betametasona

Risco de hipocalemia, com sintomas de fraqueza, letargia e dores musculares ou cãibras

Insulinas

Ciprofloxacino

Mudança na glicose sanguínea e aumento do risco de hiperglicemia ou hipoglicemia

 

Propranolol / Carvedilol

Hipoglicemia prolongada e mascaramento dos sintomas

 

Varfarina

Aumento do efeito hipoglicemiante, podendo ocorrer dor de cabeça, tontura, sonolência, náuseas, fome, tremores, fraqueza, sudorese e palpitações

Já a sinvastatina, quando usada junto com diclofenaco, aumenta o risco de rabdomiólise. Já quando associada à fenitoína, pode diminuir o efeito da sinvastatina.

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Conforme o grau de risco que oferecem à saúde, as interações entre medicamentos são classificadas em contraindicadas, graves, moderadas ou leves.

Tipos de interação medicamentosa

Os tipos de interação medicamentosa são:

1. Interação medicamentosa farmacocinética

A interação medicamentosa farmacocinética acontece quando um medicamento ou outra substância, como nutrientes e alimentos, altera a absorção, a distribuição, o metabolismo ou a excreção de outro remédio.

Isso altera a quantidade do princípio ativo que fica disponível nos receptores do organismo e o tempo que este fica ativo no organismo.

2. Interação medicamentosa farmacodinâmica

A interação medicamentosa farmacodinâmica é aquela onde o efeito de um remédio é alterado devido a presença de outro, mas a absorção, a distribuição, o metabolismo ou a excreção não são alterados.

Neste caso, duas ou mais substâncias competem ou atuam no mesmo receptor, enzima e transportador, por exemplo, diminuindo, inibindo ou anulando as propriedades e a eficácia do outro.

3. Interação medicamentosa de efeito

A interação medicamentosa de efeito acontece quando dois ou mais medicamentos usados juntos possuem ações similares ou opostas.

Essa interação pode potencializar ou reduzir o efeito dos medicamentos, mas não altera a ação individual de cada remédio.

4. Interação medicamentosa físico-química

A interação medicamentosa físico-química é a que acontece antes do remédio entrar no organismo.

Este tipo de interação acontece durante a manipulação, o preparo ou a administração, quando dois ou mais remédios são misturados num mesmo recipiente, como seringa, frasco de infusão ou sonda.

A interação medicamentosa físico-química pode causar a formação de partículas sólidas, produção de gás, mudança na cor do remédio, inativação ou redução da eficácia ou ainda a formação de substâncias químicas inativas ou tóxicas.

Como prevenir a interação medicamentosa

Algumas recomendações importantes para prevenir a interação medicamentosa são:

  • Evitar a automedicação, que corresponde ao uso de remédios por conta própria, pois isso aumenta muito a chance de interações e problemas de saúde;
  • Informar sempre a equipe de saúde, no momento da consulta, sobre todos os remédios, alimentos, suplementos ou outras substâncias de uso habitual;
  • Seguir as recomendações exatas sobre horários, doses e formas de administração dos medicamentos.

Já aos médicos é recomendado orientar detalhadamente a pessoa e os cuidadores sobre os riscos e o manejo dos remédios.

Além disso, é aconselhado ao médico avaliar todas as terapias da pessoa, para evitar a combinação de remédios incompatíveis, e revisar regularmente os tratamentos, para diminuir os riscos de internações e reações adversas.