Indução da ovulação: o que é, como é feita (e engorda?)

A indução da ovulação é um procedimento que busca facilitar a produção e a liberação de óvulos pelos ovários, aumentando as chances de fecundação pelo espermatozoide e, consequentemente, a possibilidade de gravidez.

Os protocolos de indução podem envolver medicamentos orais, como o citrato de clomifeno, ou hormônios injetáveis, conhecidos como gonadotrofinas, que estimulam diretamente o crescimento dos folículos nos ovários.

Este processo é indicado principalmente para mulheres com ovulação irregular ou ausente, síndrome dos ovários policísticos ou em tratamentos de fertilização, quando é necessário estimular múltiplos óvulos para coleta e fecundação em laboratório.

Imagem ilustrativa número 1

Como é feita

A indução da ovulação ajuda a equilibrar os hormônios e favorece a produção de óvulos para serem fecundados, por meio de protocolos que podem incluir:

1. Medicamento oral

O uso de medicamento oral é o método mais comum para estimular os ovários, pois eles atuam nos hormônios que controlam o ciclo menstrual, promovendo o crescimento dos folículos e preparando o útero para receber um óvulo. 

O principal medicamento utilizado é o citrato de clomifeno, conhecido comercialmente como Clomid ou Indux, que estimula a hipófise a liberar hormônios que fazem os ovários crescerem folículos e aumentam as chances de ovulação.

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O citrato de clomifeno é geralmente iniciado entre o segundo e o quinto dia da menstruação, e a dose inicial costuma ser baixa, ajustada pelo médico de acordo com a resposta do organismo.

Durante o ciclo, o médico acompanha o crescimento dos folículos por ultrassonografia e, às vezes, exames de sangue, avaliando o momento em que a ovulação pode ocorrer e se o óvulo está pronto para ser fecundado.

Em algumas situações, especialmente quando o citrato de clomifeno não apresenta boa resposta ou quando há afinamento da parede do útero, podem ser utilizados os chamados inibidores de aromatase, como o anastrozol e o letrozol. 

Esses medicamentos reduzem a produção de estrogênio, estimulando indiretamente os ovários, e também são iniciados, de forma geral, entre o segundo e o quinto dia do ciclo menstrual.

2. Injeção de gonadotrofina

Quando os comprimidos não são suficientes, outra abordagem envolve pequenas injeções que contêm gonadotrofinas, como o hormônio folículo estimulante e a gonadotrofina menopáusica humana, que ajudam os folículos a crescer até o ponto em que a ovulação pode ocorrer.

Essas aplicações são feitas geralmente na região do abdômen, por via subcutânea, durante alguns dias do ciclo, com acompanhamento por ultrassonografia e exames hormonais.

3. Disparo da ovulação

Após os ovários estarem preparados e os folículos atingirem o tamanho adequado, é frequentemente aplicada uma única dose do hormônio gonadotrofina coriônica humana, que estimula a liberação do óvulo.

Esse passo é essencial para sincronizar o momento da ovulação com relações sexuais programadas ou técnicas de reprodução assistida, como inseminação ou fertilização in vitro. Conheça os tipos de reprodução assistida.

4. Uso de metformina

A metformina é um medicamento que pode ajudar indiretamente na indução da ovulação, principalmente em mulheres com síndrome dos ovários policísticos. Veja alguns remédios caseiros para ovário policístico.

Essa medicação age melhorando a sensibilidade do organismo à insulina, o que ajuda a equilibrar os hormônios sexuais e favorece o retorno da ovulação natural. 

Em alguns casos, a metformina é usada sozinha ou em combinação com o citrato de clomifeno para aumentar as chances de engravidar.

Leia também: Metformina: para que serve, como tomar e efeitos colaterais tuasaude.com/metformina

Além disso, é indicado mudanças na alimentação e perda de peso, que também ajudam a regular o ciclo e induzem a ovulação.

Quando é indicada

A indução da ovulação é indicada em casos de:

  • Anovulação, que seria a não liberação do óvulo durante o ciclo menstrual. Entenda melhor o que é anovulação;
  • Ciclos menstruais irregulares, como ciclos muito longos ou imprevisíveis, o que dificulta a concepção;
  • Síndrome dos ovários policísticos, especialmente quando há resistência à ovulação;
  • Infertilidade sem causa aparente;
  • Problemas na tireoide ou níveis elevados de prolactina, que interfiram no ciclo ovulatório.

A indução da ovulação também pode ser recomendada para mulheres que já ovulam, mas que têm dificuldade para engravidar por problemas de fertilidade do homem.

Este tratamento tem como objetivo aumentar as chances da mulher engravidar seja de forma natural, com relação sexual programada, ou através de tratamentos como a fertilização.

A indução da ovulação engorda?

Algumas mulheres podem perceber retenção de líquidos ou pequenas alterações temporárias no corpo durante o tratamento, mas esses efeitos geralmente desaparecem após o fim do ciclo ou da medicação.

No entanto, a indução da ovulação não provoca ganho de peso significativo. Os medicamentos utilizados atuam nos hormônios do ciclo menstrual e normalmente não interferem diretamente no metabolismo ou no acúmulo de gordura.

Quando há ganho de peso relacionado à fertilidade, ele está mais associado às alterações hormonais da própria condição, como a síndrome dos ovários policísticos, do que aos medicamentos usados para estimular a ovulação.

Possíveis complicações

A possível complicação da indução da ovulação é a síndrome da hiperestimulação ovariana, que ocorre quando muitos óvulos são estimulados ao mesmo tempo, podendo aumentar o risco de gravidez múltipla, aumento do fluxo de sangue e do tamanho dos ovários.

Os sintomas variam conforme a gravidade e podem incluir distensão abdominal, náuseas e diarreia, ou problemas mais sérios como alterações na coagulação, mudanças na função renal e acúmulo de líquido no abdome, chamado ascite. Saiba o que é ascite e como tratar.

Por isso, a indução da ovulação deve ser feita com acompanhamento médico, garantindo que as doses sejam ajustadas para cada mulher. 

Durante o tratamento, ultrassonografias ajudam a monitorar o crescimento dos folículos e a prevenir complicações.

Quando não é indicada

A indução da ovulação não é indicada para mulheres que têm problemas nas trompas, como obstruções, ou em casos em que há alterações graves no útero que impedem a implantação do óvulo.

Também não é recomendada para mulheres com doenças hormonais não controladas, como hiperprolactinemia ou síndrome de Cushing, problemas de coagulação, ou histórico de gravidez múltipla de risco. 

Nesses casos, outros tratamentos de fertilidade podem ser mais apropriados.

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