Incontinência urinária infantil: o que é, sintomas, causas e o que fazer

Revisão médica: Dr.ª Clarisse Bezerra
Médica de Saúde Familiar
março 2022

A incontinência urinária infantil é quando a criança com mais de 5 anos não consegue segurar o xixi durante o dia ou à noite, fazendo xixi na cama ou molhando a calcinha ou a cueca. Quando a perda da urina acontece durante o dia, recebe o nome de enurese diurna, enquanto que a perda durante a noite é chamada de enurese noturna.

Essa situação pode ser consequência de infecções urinárias de repetição, bexiga hiperativa ou acontecer devido ao fato da criança segurar muitas vezes o xixi por não querer parar o que está fazendo, o que acaba por enfraquecer os músculos pélvicos e favorecer a incontinência.

Normalmente, a criança consegue controlar o xixi e o cocô de forma adequada, sem necessidade de um tratamento específico, no entanto em alguns casos pode ser necessário realizar tratamento de acordo com as orientações do pediatra, que pode envolver o uso de dispositivos, remédios ou sessões de fisioterapia.

Sintomas de incontinência urinária

Os sintomas de incontinência urinária são normalmente identificados em crianças com mais de 5 anos, em que os pais podem identificar alguns sinais como:

  • Não conseguir segurar o xixi durante o dia, ficando com a calcinha ou a cueca molhados, úmidos ou com cheiro de xixi;
  • Não conseguir segurar o xixi durante a noite, fazendo xixi na cama, mais de 1 vez por semana. 

A idade em que a criança consegue controlar o xixi durante o dia e a noite varia entre 2 e 4 anos, por isso se depois dessa fase a criança ainda tiver que usar fralda durante o dia ou durante a noite, deve-se conversar com o pediatra sobre esse assunto, pois assim é possível identificar a causa da incontinência e, assim, ser indicado o tratamento mais adequado.

Principais causas

A incontinência urinária na criança pode acontecer como consequência de algumas situações ou comportamentos da criança, sendo os principais:

  • Infecção urinária frequente;
  • Bexiga hiperativa, em que os músculos que servem para impedir a saída da urina contraem-se involuntariamente, levando ao escape da urina;
  • Alterações no sistema nervoso, como paralisia cerebral, espinha bífida, danos cerebrais ou nervosos. 
  • Maior produção de urina à noite;
  • Ansiedade;
  • Causas genéticas, já que há maior chance da criança ter enurese noturna se pelo menos um dos pais também tiverem apresentado durante a infância.

Além disso, algumas crianças podem ignorar a vontade de fazer xixi para que possam continuar brincando, o que pode fazer com a bexiga fique muito cheia, provocando o enfraquecimento dos músculos da região pélvica e resultando na incontinência.

Como é feito o tratamento

O tratamento para a incontinência urinária infantil deve ser orientado por um pediatra e tem como objetivo ensinar à criança a reconhecer os sinais de que precisa ir ao banheiro e fortalecer os músculos da região pélvica. Assim, algumas das opções de tratamento que podem ser indicadas são:

  • Alarmes urinários, que são aparelhos que têm um sensor que é colocado na calcinha ou cueca da criança e que tocam quando ela começa a fazer xixi, acordando-a e fazendo com que tenha o hábito de se levantar para urinar;
  • Fisioterapia para incontinência urinária infantil, que tem como objetivo fortalecer os músculos da bexiga, programação dos horários em que a criança deve urinar e da neuroestimulação sacral, que é uma técnica estimulante para o controle de esfíncter da bexiga;
  • Remédios anticolinérgicos, como Desmopressina, Oxibutinina e Imipramina, sendo principalmente indicados no caso de bexiga hiperativa, já que esses remédios acalmam a bexiga e reduzem a produção de urina. 

Além disso, é recomendado não oferecer líquidos para a criança após às 20h e levar a criança para fazer xixi antes de deitar para dormir, pois assim é possível evitar que a bexiga fique cheia e a criança faça xixi na cama durante a noite. Veja mais detalhes do que fazer para evitar a enurese noturna.

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Atualizado por Equipe Editorial do Tua Saúde, em março de 2022. Revisão médica por Dr.ª Clarisse Bezerra - Médica de Saúde Familiar, em março de 2022.

Bibliografia

  • SILVA, CAROLINE P.; GRUENDLING, MARCELA; COELHO, NATÁLIA F. ET AL. Incontinência urinária: uma breve revisão da literatura. 2018. Disponível em: <https://docs.bvsalud.org/biblioref/2018/05/883713/iu-final_rev.pdf>. Acesso em 10 fev 2022
  • BVS. Incontinência urinária. Disponível em: <https://bvsms.saude.gov.br/incontinencia-urinaria/>. Acesso em 10 fev 2022
Mostrar bibliografia completa
  • MINISTÉIRO DA SAÚDE. Protocolo Clínico e Diretrizes Terapêuticas Incontinência Urinária Não Neurogênica. 2019. Disponível em: <http://conitec.gov.br/images/Consultas/Relatorios/2019/Relatrio_-Incontinncia_Urinria_no_Neurognica_CP_47_2019.pdf>. Acesso em 10 fev 2022
  • PORTAL DA UROLOGIA. 6 perguntas sobre incontinência urinária. Disponível em: <https://portaldaurologia.org.br/publico/faq/6-perguntas-sobre-incontinencia-urinaria/>. Acesso em 10 fev 2022
Revisão médica:
Dr.ª Clarisse Bezerra
Médica de Saúde Familiar
Formada em Medicina pelo Centro Universitário Christus e especialista em Saúde da Família pela Universidade Estácio de Sá. Registro CRM-CE nº 16976.

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