Icterícia neonatal: o que é, causas e tratamento

setembro 2022

A icterícia neonatal é quando a pele e os olhos do bebê apresentam coloração amarelada, o que indica que pode haver níveis elevados de bilirrubina no sangue, sendo geralmente causada por alterações no metabolismo da bilirrubina e nem sempre sendo considerada um problema.

No entanto, quando a icterícia se desenvolve com menos de 24 horas de vida, persiste por mais de 14 dias, é intensa ou acompanhada de outros sintomas como fezes esbranquiçadas ou urina escura, pode ser indicativo de doenças graves, como atresia de vias biliares ou infecções. 

Assim, em caso de icterícia no bebê é importante consultar um pediatra para uma avaliação, porque a identificação da sua causa é importante para indicar o tratamento mais apropriado, que pode envolver a realização de fototerapia. 

Principais sintomas

A icterícia no bebê normalmente causa pele e olhos amarelados e pode ser acompanhada de outros sintomas como urina escura e fezes esbranquiçadas, dependendo da sua causa. 

Além disso, quando os níveis de bilirrubina estão muito elevados no sangue, sintomas como dificuldade de alimentação, sonolência e convulsões podem ocorrer e indicar complicações graves como o kernicterus. Entenda o que é kernicterus, seus sintomas e causas.

Em caso de suspeita de icterícia no bebê é importante consultar um pediatra para uma avaliação, porque algumas vezes a icterícia pode indicar problemas graves. No entanto, caso sintomas como sonolência e dificuldade de alimentação ocorram, é recomendado procurar uma emergência.

Possíveis causas

As principais causas de icterícia no bebê são:

1. Icterícia fisiológica

A icterícia fisiológica geralmente ocorre após 24 horas de vida, com um lento desenvolvimento de pele e olhos amarelados, devido a alterações no metabolismo da bilirrubina que normalmente ocorrem em recém-nascidos, não sendo acompanhado de outros sintomas. 

Normalmente, neste caso a icterícia melhora em cerca de 2 semanas sem que nenhum tratamento específico seja necessário, não sendo considerada um problema.

2. Icterícia do leite materno

A icterícia do leite materno geralmente ocorre em bebês alimentados apenas com leite materno devido à ingestão insuficiente de leite, que pode levar à diminuição dos movimentos do intestino, o que prejudica a eliminação da bilirrubina.

Geralmente, o desenvolvimento de pele e olhos amarelados ocorre lentamente ao final da primeira semana após o nascimento e não é acompanhado de outros sintomas. Além disso, neste caso a icterícia tende a melhorar até o final da segunda semana de vida sem tratamento específico.

3. Doença hemolítica neonatal

A doença hemolítica neonatal geralmente é causada por uma incompatibilidade de sangue entre a mãe e o bebê, devido à presença de anticorpos que podem atravessar a placenta e destruir as hemácias no sangue do recém-nascido, levando a um aumento dos níveis de bilirrubina no sangue. 

Dessa forma, nos casos mais graves, além de pele e olhos amarelados, outros sintomas como anemia, sonolência e aumento do fígado ou baço também podem ocorrer. 

4. Hematomas e hemorragias

Algumas vezes, a icterícia no bebê pode ocorrer devido à reabsorção do sangue durante a melhora de hematomas e de pequenos sangramentos, que podem acontecer após partos difíceis e devido ao uso de fórceps e outros tipos de extratores, por exemplo. 

5. Infecções

Infecções durante o período do pré-natal ou nos primeiros dias de vida, como herpes, sífilis, toxoplasmose ou HIV, podem afetar o funcionamento do fígado e o metabolismo da bilirrubina, causando icterícia. No entanto, outros sintomas como aumento do fígado e baço, manchas vermelhas na pele ou febre geralmente também ocorrem. 

6. Hipotireoidismo congênito

O hipotireoidismo congênito é quando a deficiência do hormônio da tireoide está presente desde o nascimento. Embora possa causar poucos sintomas no início, nos casos mais graves, além de pele e olhos amarelados, sintomas como dificuldade de alimentação e sonolência podem ocorrer já na primeira semana de vida. Veja como identificar o hipotireoidismo congênito e seu tratamento.

7. Doenças das vias biliares

Doenças como a atresia de vias biliares e cisto de colédoco podem prejudicar a eliminação da bile causando aumento dos níveis de bilirrubina no sangue e o desenvolvimento de icterícia no bebê. Nesse caso, a icterícia tende a ser persistente e geralmente é acompanhada por fezes esbranquiçadas. 

Como é feito o diagnóstico

O diagnóstico de icterícia no bebê geralmente é feito pelo pediatra levando em consideração a presença de pele e olhos amarelados, que geralmente ocorre quando o nível de bilirrubina total no sangue é maior que 2,5 mg/dL. No entanto, a identificação da causa da icterícia é fundamental e exames geralmente são necessários.

Assim, exames no sangue, como hemograma, tipagem sanguínea, dosagem de bilirrubinas e a pesquisa de anticorpos contra algumas bactérias e vírus, e exames de imagem como o ultrassom podem ser indicados. Entenda melhor o resultado da dosagem de bilirrubina e porque pode estar elevada.

Dessa forma, é possível confirmar a icterícia e identificar a causa, o que é importante para que o tratamento mais adequado possa ser iniciado.

Tratamento da icterícia no bebê

O tratamento da icterícia no bebê nos primeiros dias de vida geralmente envolve a realização de fototerapia e, nos casos mais graves, exsanguineotransfusão, para manter os níveis de bilirrubina no sangue controlados e, assim, prevenir o dano que a bilirrubina pode causar ao cérebro.

No entanto, dependendo da causa da icterícia, o tratamento específico pode ser indicado e envolver o uso de antibióticos, corticoides, reposição de hormônio da tireóide e até cirurgia.

Tratamento com fototerapia

A fototerapia é o principal tratamento para icterícia no bebê e é feita com a colocação do bebê em um pequeno berço onde geralmente fica somente de fralda e é exposto a uma luz especial que estimula a diminuição da bilirrubina no sangue. Além disso, durante a fototerapia, é colocada uma máscara no bebê para proteger os olhos.

De acordo com a gravidade da icterícia, idade e peso do bebê, a exposição pode ser mais ou menos prolongada e pode haver variação do aparelho utilizado. Saiba mais sobre a fototerapia.

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Atualizado e revisto clinicamente por Dr.ª Sani Santos Ribeiro - Pediatra e Pneumologista infantil, em setembro de 2022.

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Revisão médica:
Dr.ª Sani Santos Ribeiro
Pediatra e Pneumologista infantil
Médica formada pela Universidade Federal do Rio Grande com CRM nº 28364 e especialista em Pediatria pela Sociedade Brasileira de Pediatria.