Gastroplastia: o que é, quando é indicada (e tipos)

A gastroplastia refere-se a um conjunto de procedimentos cirúrgicos utilizados no tratamento da obesidade, que atuam principalmente na modificação do estômago, com o objetivo de reduzir a ingestão de alimentos e promover perda de peso.

Também chamada de cirurgia bariátrica, esse tipo de procedimento é geralmente considerado quando outras abordagens, como mudança alimentar, prática de exercício físico e uso de medicamentos, não conseguem alcançar resultados adequados ou sustentados.

Leia também: Cirurgia bariátrica: tipos, quando fazer, vantagens e riscos tuasaude.com/obesidade-e-cirurgia-bariatrica

A indicação e a escolha do tipo de procedimento são realizadas após uma avaliação de uma equipe multidisciplinar, que pode incluir cirurgião bariátrico, endocrinologista, nutricionista e psicólogo, garantindo uma análise completa e individualizada.

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Quando é indicada

A gastroplastia costuma ser indicada em caso de obesidade, seguindo os critérios a seguir:

  • Índice de massa corporal (IMC) igual ou superior a 40 kg/m², mesmo sem outras doenças associadas. Saiba como calcular o IMC;
  • IMC entre 35 e 40 kg/m² na presença de doenças, como diabetes tipo 2, hipertensão arterial, apneia do sono, dislipidemia, doença cardiovascular ou esteatose hepática;
  • IMC entre 30 e 35 kg/m² na presença de doenças que tenham a classificação grave, como diabetes tipo 2, doença cardiovascular grave com lesão em órgão alvo, doença renal crônica precoce em decorrência do diabetes tipo 2, apneia do sono grave, esteatose hepática com fibrose, doenças com indicação de transplante, refluxo com indicação cirúrgica ou osteoartrose grave.

A gastroplastia geralmente é indicada para pessoas entre 16 e 65 anos, mas pode ser considerada a partir dos 14 anos em casos de obesidade grave, com IMC maior que 40, e com complicações, desde que haja avaliação médica e autorização dos responsáveis.

Além disso, também é considerado importante avaliar fatores que não são apenas físicos, como a motivação da pessoa, o entendimento dos riscos e benefícios e a capacidade de manter acompanhamento a longo prazo.

Entretanto, mesmo quando há indicação, a gastroplastia não substitui hábitos saudáveis, sendo necessário cuidados alimentares, prática de atividade física e acompanhamento para garantir resultados duradouros e evitar complicações.

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Tipos de gastroplastia

Os principais tipos de gastroplastia são:

1. Gastroplastia endoscópica

A gastroplastia endoscópica é feita por via endoscópica, ou seja, através da boca, utilizando um equipamento flexível com câmera. 

Com esse instrumento, o médico realiza suturas no estômago por dentro, reduzindo o seu tamanho e deixando-o com um formato mais estreito, semelhante a um tubo. 

Isso faz com que a pessoa consiga comer menos quantidade de alimentos e sinta saciedade mais rapidamente, ajudando na perda de peso.

Esse tipo de gastroplastia é menos invasiva, tem recuperação mais rápida e menor risco de complicações, mas geralmente apresenta uma perda de peso menor quando comparada a outros tipos.

Por isso, costuma ser indicada para casos de obesidade menos grave ou como opção para pessoas que não querem ou não podem realizar uma cirurgia mais invasiva.

2. Bypass gástrico

Nessa cirurgia, o estômago é dividido, formando uma pequena bolsa gástrica, o que reduz a quantidade de alimento que a pessoa consegue ingerir. 

Numa segunda etapa, essa bolsa é ligada diretamente a uma parte mais avançada do intestino delgado, desviando o trajeto normal dos alimentos, o que faz com que também haja menor absorção de calorias e nutrientes.

Além disso, o procedimento provoca alterações hormonais que ajudam a reduzir o apetite e a melhorar o controle da glicose no sangue.

3. Gastrectomia vertical ou sleeve gástrico

Na gastrectomia vertical, também chamada de sleeve, uma grande parte do estômago é removida, formando um tubo estreito. Conheça as vantagens e riscos da cirurgia sleeve.

Diferente do bypass, não há desvio do intestino, apenas redução do tamanho do estômago, o que limita a quantidade de alimento que pode ser ingerida e também reduz a produção de hormônios ligados à fome, o que ajuda na perda de peso.

4. Derivação biliopancreática com switch duodenal

Esse é um tipo mais complexo de gastroplastia. Nessa técnica, parte do estômago é removida e o intestino é reorganizado de forma a reduzir ainda mais a absorção de nutrientes. 

O alimento passa por um caminho intestinal muito mais curto do que o normal. É uma cirurgia mais intensa, que costuma levar a maior perda de peso, mas também exige acompanhamento rigoroso devido ao risco maior de deficiências nutricionais.

5. Banda gástrica ajustável 

Nesse procedimento, é colocada uma faixa ao redor da parte superior do estômago, criando uma pequena bolsa que limita a quantidade de alimento ingerido. A abertura pode ser ajustada ao longo do tempo. Entenda melhor como é feita a banda gástrica.

Diferente das outras técnicas, não há corte ou remoção de partes do estômago ou intestino, mas a perda de peso tende a ser mais lenta e variável, razão pela qual seu uso diminuiu nos últimos anos.

Preparo para a gastroplastia

O preparo para a gastroplastia envolve etapas médicas e comportamentais que têm como objetivo reduzir riscos e aumentar as chances de sucesso do procedimento.

De forma geral, o preparo inclui:

  • Passar por uma avaliação com uma equipe multidisciplinar, que pode incluir cirurgião bariátrico, endocrinologista, nutricionista e psicólogo, para confirmar se a cirurgia é realmente indicada e se há condições seguras para realizá-la;
  • Realizar exames laboratoriais e de imagem para avaliar o estado geral de saúde e identificar possíveis riscos cirúrgicos;
  • Seguir uma preparação alimentar pré-operatória, que pode incluir dieta líquida nas últimas 24 horas, jejum absoluto de cerca de 8 horas antes da cirurgia e orientações nutricionais para facilitar o procedimento e melhorar a recuperação no pós-operatório. 

Além disso, é importante o acompanhamento psicológico, que ajuda a preparar a pessoa para as mudanças permanentes no estilo de vida após a cirurgia, incluindo alimentação, comportamento e adaptação emocional.

Possíveis riscos

A gastroplastia é considerada segura quando bem indicada e acompanhada, mas ainda assim apresenta alguns riscos. 

Entre eles estão possíveis sangramentos durante ou após o procedimento, infecções na região operada, complicações relacionadas à anestesia e risco de trombose venosa profunda ou embolia pulmonar.

Leia também: Recuperação pós cirurgia bariátrica (dieta, curativo, atividade física e mais) tuasaude.com/como-e-a-recuperacao-da-cirurgia-bariatrica

Em alguns casos, pode ocorrer vazamento nas suturas do estômago ou do intestino, dependendo do tipo de cirurgia realizada.

No período pós-operatório, também podem surgir náuseas, vômitos e dificuldade de adaptação alimentar, além da chamada síndrome de Dumping, que provoca mal-estar após a ingestão de certos alimentos.

A longo prazo, podem ocorrer deficiências nutricionais, como falta de ferro, vitamina B12 e cálcio, sendo necessário acompanhamento contínuo. Conheça os sintomas da falta de vitamina B12.

Também é possível haver perda de peso insuficiente ou reganho de peso ao longo do tempo em algumas pessoas.

Quem não deve fazer

A gastroplastia não deve ser realizada em pessoas que não conseguem compreender ou seguir as mudanças permanentes necessárias após a cirurgia, como adaptações alimentares e acompanhamento contínuo. 

Além disso, não deve ser feita em casos de condições clínicas descompensadas que aumentem muito o risco cirúrgico, como doenças cardíacas ou pulmonares graves sem controle adequado, distúrbios psiquiátricos não estabilizados ou dependência ativa de álcool e drogas. 

Em geral, a cirurgia não é indicada quando os riscos superam os benefícios ou quando não há condições seguras e adesão adequada ao tratamento a longo prazo.

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