Espondilite anquilosante: o que é, sintomas, causas e tratamento

Revisão clínica: Marcelle Pinheiro
Fisioterapeuta
maio 2022

A espondilite anquilosante é uma doença inflamatória crônica que afeta a coluna vertebral, causada por uma fusão das vértebras da coluna, resultando em sintomas como dor nas costas ou no quadril, rigidez da coluna, dificuldade para se movimentar ou dor que melhora ao movimentar-se mas piora no repouso.

Normalmente, a espondilite anquilosante, também conhecida como espondiloartrite, tem início na articulação sacroilíaca no quadril, entre a pelve e as últimas vértebras lombares, ou na articulação do ombro e tende a ir agravando-se afetando progressivamente todas as outras vértebras da coluna.

O tratamento da espondilite anquilosante é feito pelo ortopedista que pode indicar o uso de remédios para aliviar os sintomas e prevenir complicações, como anti-inflamatórios, analgésicos ou anticorpos monoclonais, fisioterapia e, em alguns casos, cirurgia.

Sintomas de espondilite anquilosante

O principal sintoma da espondilite anquilosante é a dor na lombar que melhora durante a prática de atividades físicas, mas que piora quando se está no repouso. Outros sinais e sintomas da espondilite anquilosante são:

  • Dor crônica na coluna na região afetada;
  • Rigidez matinal da coluna;
  • Dificuldade nos movimentos da coluna, como virar o rosto para os lados, por exemplo;
  • Limitação dos movimentos da lombar;
  • Dor nas nádegas e/ou na parte de trás das pernas;
  • Redução da expansibilidade torácica;
  • Dificuldade para respirar profundamente;
  • Sensação de dormência e/ou formigamento nos braços ou nas pernas;
  • Dor melhora com movimento e piora com o repouso;
  • Aumento da cifose e/ou projeção da cabeça para frente;
  • Dor ou sensibilidade que irradia para as costelas, ombros, quadris, coxas, joelhos e/ou calcanhar;
  • Febre baixa, em torno de 37ºC;
  • Cansaço excessivo e apatia;
  • Inchaço nas articulações;
  • Perda do apetite.

Os sintomas da espondilite anquilosante costumam se instalar aos poucos e ao longo dos anos tornam-se mais comuns e frequentes. Além disso, no caso de não haver diagnóstico ou tratamento adequado, podem surgir algumas complicações, sendo as mais frequentes a fasciíte plantar e a uveíte, que corresponde à inflamação da úvea, que é a região do olho que compreende a íris, corpo ciliar e coróide.

Como confirmar o diagnóstico

O diagnóstico da espondilite anquilosante é feito pelo ortopedista através do exame físico, avaliação dos sintomas, histórico de saúde, presença de outras doenças como psoríase, doença inflamatória intestinal ou uveíte, por exemplo, e realização de alguns exames de imagem, como raio X ou ressonância magnética da articulação sacroilíaca e da coluna. 

Além disso, o médico pode solicitar a realização de exames de sangue, como proteína C reativa, velocidade de hemossedimentação (VHS) ou teste sorológico para o gene HLA-B27, já que está relacionado com a doença.

Possíveis causas

A causa exata da espondilite anquilosante ainda não é totalmente conhecida, no entanto, parece estar associada a uma mutação no gene HLA-B27, que pode provocar respostas anormais do sistema imunológico, levando a alterações no esqueleto axial, que inclui ossos da coluna, tórax, quadris, ombros, joelhos e cabeça, e ao surgimento dos sintomas. No entanto, nem todas as pessoas que apresentam essa mutação, podem desenvolver a doença.

Alguns fatores podem aumentar o risco de desenvolver a espondilite anquilosante, como:

  • Idade, sendo mais comum de surgir antes dos 40 anos;
  • Sexo, sendo mais comum em homens;
  • Histórico familiar de espondilite anquilosante.

Além disso, algumas doenças, como colite ulcerativa, psoríase, doença de Crohn, também parecem aumentar o risco de desenvolvimento da espondilite anquilosante.

Como é feito o tratamento

O tratamento da espondilite anquilosante tem como objetivo aliviar os sintomas, evitar o enrijecimento da articulação acometida, diminuir as limitações funcionais e reduzir as complicações relacionadas com a doença, promovendo assim a qualidade de vida. 

De acordo com os sintomas apresentados e gravidade da doença, o ortopedista pode recomendar as seguintes opções de tratamento:

1. Exercícios físicos

A prática de exercícios físicos, como natação, pilates, hidroginástica, zumba, corrida e dança, além de prevenir a espondilite anquilosante, é fundamental no tratamento, sendo sempre recomendado pelo ortopedista, pois através das atividades físicas é possível manter as articulações em movimento, aliviando os sintomas inflamatórios e evitando a progressão da doença. 

É importante que os exercícios sejam feitos com acompanhamento de um profissional de educação física para evitar novas lesões e para que o treino seja realizado de acordo com as necessidades e limitações, de forma individualizada.

Além disso, é importante evitar esportes mais exigentes para o corpo ou de contato como lutas ou artes marciais.

2. Fisioterapia

A fisioterapia pode ser indicada pelo ortopedista e deve ser feita com orientação do fisioterapeuta, com exercícios de alongamento e fortalecimento dos músculos das costas e abdômen, que permitem melhorar a movimentação da articulação, promovem a flexibilidade e amplitude dos movimentos, além de ajudar a corrigir a postura, aliviando a dor e outros sintomas da doença.

3. Remédios

O uso de remédios normalmente é indicado pelo ortopedista quando os sintomas da espondilite anquilosante são intensos e interferem na qualidade de vida e realização das atividades do dia a dia, sendo recomendados pelo médico com o objetivo de aliviar a dor e a inflamação causadas pela doença. 

Os remédios geralmente recomendados pelo médico são:

  • Anti-inflamatórios, como ibuprofeno, diclofenaco ou naproxeno;
  • Analgésicos, como paracetamol;
  • Opióides, como codeína;
  • Corticóides, aplicados diretamente na articulação afetada;
  • Terapia biológica, com remédios anti-TNF, como etanercept, adalimumabe, infliximabe, certolizumabe pegol ou golimumabe;
  • Imunossupressores, como sulfassalazina, metotrexato ou tofacitinibe;

Em alguns casos, o médico pode recomendar uma combinação de diferentes remédios, dependendo dos sintomas apresentados e a sua intensidade, assim como da resposta ao tratamento.

4. Cirurgia

A cirurgia para espondilite anquilosante é recomendada pelo ortopedista apenas nos casos mais graves, em que há dificuldade para realizar determinada atividade do dia a dia. Dessa forma, pode ser indicado pelo médico a realização de cirurgia para corrigir o problema e colocar uma prótese para melhorar a amplitude dos movimentos.

Possíveis complicações

As principais complicações da espondilite anquilosante que podem surgir são:

  • Uveíte, que é uma inflamação nos olhos, causando visão turva ou embaçada e aumento da sensibilidade à luz;
  • Fraturas vertebrais por compressão;
  • Fibrose pulmonar;
  • Síndrome da cauda equina;
  • Problemas cardiovasculares.

Por isso, é importante fazer o acompanhamento com o ortopedista e seguir corretamente o tratamento indicado pelo médico, de forma a evitar complicações da espondilite anquilosante.

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Atualizado por Flávia Costa - Farmacêutica, em maio de 2022. Revisão clínica por Marcelle Pinheiro - Fisioterapeuta, em maio de 2022.

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Revisão clínica:
Marcelle Pinheiro
Fisioterapeuta
Formada em Fisioterapia pela UNESA em 2006 com registro profissional no CREFITO- 2 nº. 170751 - F e especialista em dermatofuncional.