Dor no ovário: 8 principais causas (e o que fazer)

outubro 2022

A dor no ovário é um sintoma que pode surgir devido à ovulação, que ocorre por volta do 14º dia do ciclo, quando o óvulo é liberado pelo ovário para a trompa de Falópio, não sendo um motivo de preocupação. No entanto, a dor no ovário também pode estar relacionada com alguma condição de saúde, como endometriose, cisto no ovário ou doença inflamatória pélvica.

Dependendo da sua causa, a dor no ovário pode estar acompanhada de outros sintomas como sangramento fora do período menstrual, dor ou ardor ao urinar, ou dor que irradia para as costas. Em alguns casos, como na torção do ovário ou gravidez ectópica, a dor pode surgir de forma repentina, e causar náuseas ou vômitos.

É importante consultar o ginecologista, quando a dor no ovário é frequente ou quando está acompanhada de outros sintomas, para que sejam feitos exames para identificar a causa e realizar o tratamento mais adequado. No caso da torção do ovário e da gravidez ectópica, deve-se procurar o pronto-socorro imediatamente.

Principais causas de dor no ovário

As principais causas de dor no ovário são:

1. Ovulação

Algumas mulheres podem sentir dor no momento da ovulação, que ocorre por volta do 14º dia do ciclo menstrual, quando o óvulo é liberado pelo ovário para as trompas de Falópio. Esta dor no ovário, também conhecida como Mittelschmerz ou dor intermenstrual, pode ser de leve a intensa e demorar uns minutos ou mesmo horas e pode ser acompanhada por um ligeiro sangramento e em alguns casos a mulher pode também sentir enjoos.

Se essa dor for muito intensa, ou se prolongar por vários dias, pode ser sinal de doenças como endometriose, gravidez ectópica ou presença de cistos nos ovários.

O que fazer: geralmente não é necessário tratamento para a dor provocada pela ovulação, no entanto, se o desconforto for muito grande pode ser necessário tomar analgésicos como o paracetamol, ou anti-inflamatórios como o ibuprofeno ou falar com o médico para começar a tomar um anticoncepcional. Veja os principais anticoncepcionais que podem ser indicados pelo médico.

2. Cisto no ovário

O cisto no ovário é uma bolsa cheia de líquido que pode se formar dentro ou ao redor do ovário, podendo causar dor durante a ovulação e durante o contato íntimo, atraso da menstruação, aumento da sensibilidade das mamas, sangramento vaginal, aumento do peso ou dificuldade para engravidar. Saiba identificar todos os sintomas do cisto no ovário.

O que fazer: o cisto no ovário geralmente diminui de tamanho sem que seja necessário tratamento. No entanto, caso isso não aconteça, o cisto pode ser tratado com o uso da pílula anticoncepcional ou mesmo recorrendo a cirurgia que consiste na sua remoção. Caso o cisto seja muito grande, apresente sinais de câncer ou em caso de torção do ovário, pode ser necessário retirar completamente o ovário. Veja todas as opções de tratamento para o cisto no ovário.

3. Torção do ovário

Os ovários estão presos na parede abdominal por um fino ligamento, através do qual passam os vasos sanguíneos e os nervos. Por vezes, esse ligamento pode acabar dobrando ou torcendo, o que causa uma dor intensa e constante que não melhora.

A torção do ovário é mais frequente quando existe um cisto no ovário, já que os ovários se tornam maiores e mais pesados que o normal.

O que fazer: a torção do ovário é uma situação de emergência, por isso, caso surja uma dor muito intensa e repentina é importante ir ao pronto-socorro para identificar e iniciar o tratamento adequado.

4. Endometriose

A endometriose pode ser outra causa da dor no ovário, que consiste no crescimento do tecido do endométrio fora da sua localização normal, como fora do útero, ovários, bexiga, apêndice ou mesmo intestinos.

Assim, a endometriose pode causar sintomas como dor intensa na barriga que pode irradiar para o fundo das costas, dor após o contato intimo, dor ao urinar e defecar, sangramento abundante durante a menstruação, dificuldade para engravidar, diarreia ou prisão de ventre, cansaço, náuseas e vômitos. Saiba identificar todos os sintomas da endometriose.

O que fazer: o tratamento da endometriose deve ser feito com orientação do ginecologista que pode indicar o uso de pílula anticoncepcional ou DIU de hormônio, ou remédios anti-hormonais, como a gosserrelina ou o danazol. Além disso, o médico pode indicar a cirurgia, que consiste na remoção do tecido endometrial localizado fora do útero, de forma a reduzir os sintomas e possibilitar a gravidez. Veja como é feita a cirurgia para endometriose e a recuperação.

5. Doença inflamatória pélvica

A doença inflamatória pélvica (DIP) é uma inflamação que tem origem na vagina e que progride afetando o útero, as trompas e os ovários, se espalhando por uma grande área pélvica, levando ao surgimento de dor no ovário, corrimento vaginal amarelado ou esverdeado com mau cheiro, dor durante o contato íntimo ou febre.

A doença inflamatória pélvica acontece na maioria dos casos como consequência de uma infecção sexualmente transmissível (IST) que não foi devidamente tratada, como gonorreia ou clamídia, mas também pode surgir devido a infecção no momento do parto, introdução de objetos contaminados na vagina durante a masturbação ou endometriose, por exemplo.

O que fazer: o tratamento da doença inflamatória pélvica é feito com o uso de antibióticos receitados pelo ginecologista, como azitromicina, levofloxacino ou clindamicina, por exemplo, na forma de comprimido ou injeção. Além disso, o tratamento também deve ser feito pelo parceiro e deve-se evitar o contato íntimo durante o tratamento. Veja os principais tratamentos para a doença inflamatória pélvica.

6. Gravidez ectópica

A gravidez ectópica ocorre quando o embrião se desenvolve fora do útero, sendo mais comum nas trompas de Falópio, também chamadas de tubas uterinas, mas também pode ocorrer no ovário, colo do útero, cavidade abdominal, causando sintomas como dor no ovário, cólica intensa em apenas um lado da barriga e que piora com o movimento.

A dor causada pela gravidez ectópica geralmente é acompanhada de outros sintomas como sangramento vaginal, dor durante o contato íntimo, tonturas, náuseas, vômitos ou desmaios.

O que fazer: deve-se procurar o pronto socorro mais próximo imediatamente para que sejam feitos exames, confirmar o diagnóstico e iniciar o tratamento mais adequado, que geralmente é feito a partir de uma cirurgia para retirada do embrião. Saiba como é feito o tratamento da gravidez ectópica.

7. Câncer de ovário

O câncer de ovário é um tumor maligno que pode afetar um ou os dois ovários e que nas fases inciais não provoca sinais ou sintomas, no entanto, à medida que se desenvolve a mulher pode apresentar dor no ovário, dor pélvica, sangramento fora do período menstrual, barriga inchada ou sensação de estômago cheio, prisão de ventre ou diarreia, ou cansaço frequente.

O câncer de ovário é mais frequente em mulheres com idade entre os 50 e os 70 anos, no entanto, pode surgir em qualquer idade, especialmente em mulheres têm histórico na família de câncer de ovário ou de mama.

O que fazer: deve-se consultar o ginecologista para fazer exames, diagnosticar o câncer no ovário e iniciar o tratamento mais adequado, que pode ser feito com cirurgia para remover o ovário afetado, quimioterapia ou radioterapia, por exemplo. Veja todas as opções de tratamento para o câncer no ovário.

8. Síndrome do ovário remanescente

A dor do ovário remanescente é uma condição rara que pode surgir após a cirurgia de ooforectomia ou salpingo-ooforectomia, que é a retirada de um ou dos dois ovários, sendo causada por restos do tecido ovariano que não foi completamente removido durante a cirurgia.

Geralmente, a remoção incompleta do tecido ovariano ocorre devido a presença de aderências no ovário, sangramento intenso durante a cirurgia ou até mesmo pela técnica cirúrgica utilizada.

O que fazer: o tratamento deve ser feito com orientação do ginecologista, que pode indicar uma nova cirurgia para remoção dos restos remanescentes do ovário, ou terapia de reposição hormonal, quando a cirurgia não é indicada.

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Atualizado por Manuel Reis - Enfermeiro, em outubro de 2022. Revisão médica por Drª. Sheila Sedicias - Ginecologista, em fevereiro de 2020.

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Revisão médica:
Drª. Sheila Sedicias
Ginecologista
Médica mastologista e ginecologista formada pela Universidade Federal de Pernambuco, em 2008 com registro profissional no CRM PE 17459.

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