5 consequências de comer muito rápido

Revisão clínica: Tatiana Zanin
Nutricionista
fevereiro 2022

Comer rápido e não mastigar o suficiente, em geral, faz com que se coma mais calorias e, por isso, é comum que se engorde, mesmo que se trate de comida saudável. Isso acontece porque ao se comer rápido, o estômago não tem tempo para enviar sinais ao cérebro, sinalizando que é momento de parar, o que, normalmente, demora entre 15 a 20 minutos.

No entanto, além de engordar, comer rápido também pode conduzir a outros problemas, gastrointestinais especialmente má digestão, azia, gases ou barriga inchada, por exemplo.

O ideal é sempre mastigar bem a comida e demorar, pelo menos, 20 minutos nas principais refeições, para permitir que a passagem dos sinais de estômago para o cérebro aconteça.

Algumas das principais consequências de comer rápido incluem:

1. Aumento de peso

O cérebro e o estômago trabalham em conjunto para controlar o apetite, mas este processo não é instantâneo. Ao comer rapidamente, não se permite que os sinais de saciedade sejam transmitidos para o cérebro, os quais demoram 15 a 20 minutos em chegar, indicando que já não é preciso mais comida porque já se está cheio. Isto faz com que se ingira maior quantidade de alimentos, consumindo mais calorias das que o corpo precisa, armazenando-as em forma de gordura e fazendo com que a pessoa engorde.

2. Má digestão

Quando se come rápido existe um aumento do risco de indigestão, porque a comida não é mastigada corretamente, demorando mais tempo para ser digerida pelo estômago, causando sintomas, como sensação de queimação, azia, refluxo e sensação de estômago pesado, por exemplo.

3. Barriga inchada

O fato de comer rápido de mais pode causar distensão abdominal, devido a dois fatores, primeiramente a que o processo de digestão é mais lento, por engolir pedaços de comida maiores, fazendo com que o trânsito intestinal fique mais lento, e segundo, é mais fácil engolir ar fazendo com que a barriga fique inchada, causando arrotos e gases.

4. Aumento do risco de doenças cardíacas

Uma vez que comer rápido pode levar ao aumento do peso, existe um maior risco de desenvolver doenças cardíacas, especialmente se a gordura se acumular na região abdominal. Isto acontece porque o excesso de gorduras no sangue facilita a formação de placas de gordura que podem dificultar a passagem do sangue e até se desprender e obstruir os vasos, gerando um AVC ou infarto, por exemplo.

Geralmente, outras doenças que estão relacionadas incluem, pressão alta, aumento de triglicerídeos no sangue, aumento do colesterol ruim e diminuição do colesterol bom.

5. Aumento do risco de diabetes

Comer rapidamente faz com que um hormônio chamado insulina, que é responsável por regular a entrada do açúcar do sangue nas células, eleve os seus níveis variando a quantidade de açúcar no sangue, que em conjunto com o aumento de peso e da gordura abdominal pode desenvolver ao longo do tempo uma diabetes.

O que fazer para comer mais devagar

Algumas dicas para comer mais devagar, melhorar a digestão e diminuir o risco de obesidade incluem:

  • Dedicar à refeição pelo menos 20 minutos, em um local calmo e sem barulho;
  • Estar concentrado na refeição, evitando distrações, como comer na frente da televisão ou na mesa de trabalho, por exemplo;
  • Cortar os alimentos em pedaços menores, para que sejam mais fáceis de mastigar;
  • Parar entre cada garfada, para refletir se está cheio ou não;
  • Mastigar cerca de 20 a 30 vezes os alimentos; e para aqueles alimentos que são mais suaves em consistência, cerca de 5 a 10 vezes.

Além disso, existem ainda outras técnicas, como a meditação da tangerina, em que recomenda-se comer o fruto lentamente, refletindo sobre o processo da natureza para produzi-la e o trabalho necessário para que chegue à mesa, sentindo o seu aroma e saboreando o sabor doce e cítrico.

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Atualizado por Manuel Reis - Enfermeiro, em fevereiro de 2022. Revisão clínica por Tatiana Zanin - Nutricionista, em fevereiro de 2022.

Bibliografia

  • YUAN Li; ZEQI Su et al. Association of Symptoms with Eating Habits and Food Preferences in Chronic Gastritis Patients: A Cross-Sectional Study. Evidence-Based Complementary and Alternative Medicine. 2020. 1-11, 2020
  • BELFAST HEATH AND SOCIAL CARE TRUST. How to reduce the risk of choking. Disponível em: <http://helpstopchoking.hscni.net/uploaded/files/1/2015/04/1093-Choking_Awareness_App_Eat_Safely_v2.pdf>. Acesso em 03 fev 2022
Mostrar bibliografia completa
  • ARGYEAKOPOULOU Georgia; SIMATI Stamatia, et al. How Important Is Eating Rate in the Physiological Response to Food Intake, Control of Body Weight, and Glycemia?. Nutrients. 12. 6; 1-26, 2020
Revisão clínica:
Tatiana Zanin
Nutricionista
Formada pela Universidade Católica de Santos em 2001, com registro profissional no CRN-3 nº 15097.