Carnaúba: para que serve e como usar (cera, fruto e outros)

Evidência científica

A carnaúba é uma palmeira da família Arecaceae nativa do Brasil, de onde se obtém uma cera que pode ser usada para proteger frutas e vegetais e para a produção de cosméticos e medicamentos.

A parte mais conhecida da carnaúba (Copernicia prunifera) são as folhas, de onde é obtido o pó para produzir a cera de carnaúba. Além disso, os frutos desta planta são comestíveis e possuem nutrientes e compostos bioativos.

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Embora existam pesquisas avaliando as ações antioxidantes, antimicrobianas e metabólicas da carnaúba, ainda faltam estudos clínicos em seres humanos para confirmar os seus benefícios terapêuticos. Por isso, chá, extratos, óleo ou outros produtos concentrados de carnaúba não devem ser usados para prevenir ou tratar doenças.

Imagem gerada por IA
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Para que serve a carnaúba

Conforme a parte e a preparação desta planta, a carnaúba serve para:

  • Indústria alimentícia: usada para criar películas e filmes comestíveis que protegem frutas e vegetais, mantendo o brilho e reduzindo a perda de água;

  • Produtos cosméticos e de higiene: como ingrediente de batons, sabonetes, cremes e cosméticos em geral;

  • Farmacêutica: revestimento de cápsulas de medicamentos e no preparo de nanopartículas para liberação controlada de remédios;

  • Alimentação: a polpa do fruto pode ser consumida na forma de farinha ou líquido leitoso, e as amêndoas torradas e usadas substituto do pó de café;

As fibras e palhas das folhas da carnaúba também são usadas para trançar sacos, cestos, redes, chapéus e fazer a cobertura de telhados, abrigos rurais, estacas, cercas e estruturas de casas.

Como usar

Os principais usos da carnaúba são:

1. Cera de carnaúba

A cera de carnaúba é obtida do material ceroso presente nas folhas de Copernicia prunifera.

Por ser dura, resistente à água e adequada para formar revestimentos, a cera é usada como glaceante e agente de acabamento em alguns alimentos, e usada em cosméticos, produtos farmacêuticos, polidores e outros materiais.

A Anvisa reconhece o uso de ceras de carnaúba autorizadas como aditivos alimentares para ser usada em filmes e coberturas comestíveis para estender a vida útil e preservar o brilho de frutas e vegetais após a colheita.

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A cera de carnaúba também é usada na fabricação de polidores, vernizes, lubrificantes, embalagens biodegradáveis, plásticos agrícolas e discos de vinil.

2. Fruto da carnaúba

O fruto da carnaúba maduro tem um sabor adocicado e pode ser consumido ao natural, onde a sua polpa contém carboidratos, vitamina C e diferentes tipos de compostos bioativos.

A polpa dessa fruta também pode ser usada em preparações como farinha, bebida vegetal ou geleias.

Já a amêndoa da carnaúba torrada e moída pode ser utilizada no preparo de mingaus e para substituir o pó de café.

3. Óleo de carnaúba

O óleo de carnaúba é obtido a partir das sementes presentes do fruto da carnaúba, contendo principalmente gorduras saturadas, tendo um perfil lipídico similar ao do óleo de coco e do óleo de palma.

Este óleo vem sendo estudado principalmente para uso em cosméticos, detergentes, biocombustíveis e oleogéis em alimentos.

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Possíveis benefícios da carnaúba

Os possíveis benefícios da carnaúba incluem:

1. Ação antioxidante

Estudos laboratoriais identificaram alto teor de compostos fenólicos, antocianinas e vitamina C em diferentes partes da carnaúba. Assim, a carnaúba pode ter ação antioxidante.

No entanto, a ação antioxidante dessa planta ainda precisa ser avaliada em seres humanos, para verificar se realmente ajuda a prevenir doenças ou se possui o mesmo efeito no organismo humano.

2. Antimicrobiano, antifúngica e antiprotozoária

Extratos da casca do caule, na semente e nas folhas da carnaúba apresentaram atividade contra algumas bactérias em testes laboratoriais, como a Klebsiella pneumoniae.

Além disso, a carnaúba também contém ácido gálico, catequina, ácido clorogênico e triterpenoides isolados, que possuem ação contra fungos  causadores de micoses de pele e contra protozoários como Leishmania infantum e Trypanosoma cruzi.

Entretanto, estes resultados são in vitro e não comprovam que a carnaúba trate infecções em pessoas. Por isso, essa planta não deve ser usada para substituir os tratamentos indicados pelo médico.

3. Benefícios metabólicos e cardiovasculares

Alguns compostos da carnaúba vêm sendo avaliados em alterações do colesterol, triglicerídeos, glicose e estresse oxidativo, o que ajudaria a evitar doenças cardiovasculares e diminuir a glicose no sangue. 

Resultados promissores foram encontrados principalmente em modelos experimentais, mas ainda são necessários estudos clínicos para confirmar estes possíveis benefícios terapêuticos da carnaúba.

Por isso, atualmente não existem dados suficientes para indicar carnaúba para tratar condições como diabetes, colesterol alto ou outras doenças metabólicas.

4. Saúde da pele

O ácido láurico e o α-tocoferol presentes no óleo de carnaúba, possuem propriedades antioxidantes, anti-inflamatórias, emolientes e umectantes.

Assim, os produtos contento carnaúba podem manter a saúde da pele, ajudando a protegê-la e a combater os danos oxidativos e o envelhecimento precoce.

Possíveis efeitos colaterais

Os possíveis efeitos colaterais do uso medicinal da carnaúba ainda não estão bem estabelecidos em seres humanos.

Isso porque ainda faltam estudos em seres humanos que avaliem a segurança do uso de chás, extratos, suplementos ou outras preparações concentradas da planta.

Além disso, embora sejam raros, algumas pessoas podem apresentar dermatite alérgica de contato e inflamação dos lábios, devido à presença de cera de carnaúba em cosméticos.

Já a cera de carnaúba, usada como aditivo alimentar, dentro das condições e quantidades autorizadas, é segura.

Quem não deve usar

Pessoas com alergia à carnaúba, não devem usar produtos que tenham esse ingrediente.

O uso medicinal da carnaúba na forma de chás, extratos, óleo ou outros produtos concentrados não é recomendado para mulheres grávidas ou que estão amamentando, ou crianças sem orientação médica. Isso porque não existem estudos clínicos suficientes que comprovem a segurança dessas preparações nesses grupos.

Pessoas que usam remédios regularmente, especialmente para diabetes, colesterol, pressão arterial ou outras doenças crônicas, devem sempre conversar com o médico antes de usar extratos ou suplementos de carnaúba.

Perguntas frequentes

  • “Carnaúba amarga” é um nome comercial ou popular de alguns preparados vendidos como produtos naturais, mas esse termo não indica a espécie da planta, a parte usada ou a concentração do produto.

    Assim, é importante verificar se o rótulo informa Copernicia prunifera, as partes da planta usadas e a composição completa.

  • Sim, pode-se comer a fruta da carnaúba, que possui carboidratos, vitamina C e compostos bioativos.

    A polpa desta fruta pode ser consumida ao natural ou usada na forma de farinha e "leite" ou ainda em receitas como geleias. Já a semente da carnaúba pode ser torrada e usada para substituir o pó de café.

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