Câncer de laringe: o que é, sintomas, causas e tratamento

novembro 2022
  1. Sintomas
  2. Causas
  3. Tratamento

O câncer de laringe é um tipo de tumor maligno, que pode surgir em qualquer estrutura da laringe, como glote, subglote ou supraglote, levando ao surgimento de sintomas como dor de garganta ou de ouvido constante, rouquidão, dificuldade para falar ou engolir, ou sensação de algo preso na garganta.

A laringe é um órgão localizado na região da garganta, que faz parte do sistema respiratório, e que tem como função participar da respiração, fala e deglutição. 

O câncer de laringe tem grandes chances de cura, quando seu tratamento é iniciado rapidamente. Por isso, é importante consultar o clínico geral ou otorrinolaringologista sempre que surgirem sintomas do câncer de laringe, para que seja feito o diagnóstico e iniciado o tratamento com orientação do oncologista, que pode recomendar, cirurgia, radioterapia ou quimioterapia, por exemplo. 

Sintomas do câncer de laringe

Os principais sintomas do câncer de laringe são:

  • Dor de garganta constante;
  • Tosse crônica, que pode conter sangue;
  • Rouquidão, que não melhora em 2 semanas;
  • Dificuldade para falar;
  • Dor e/ou dificuldade em engolir;
  • Caroço ou inchaço no pescoço ou na garganta;
  • Dificuldade em respirar;
  • Chiado ou ruídos ao respirar;
  • Sensação de bolo ou algo preso na garganta;
  • Dor de ouvido.

Na presença dos sintomas do câncer de laringe, é importante consultar o clínico geral, otorrinolaringologista ou oncologista, para que sejam realizados exames, feito o diagnóstico e iniciado o tratamento mais adequado.

Como confirmar o diagnóstico

O diagnóstico do câncer de laringe é feito inicialmente pelo clínico geral ou otorrinolaringologista e, em seguida, pelo oncologista por meio da avaliação dos sintomas, histórico de saúde e familiar, hábitos de vida, exame visual da laringe, e exame de imagem, como a videolaringoscopia. Saiba como é feita a videolaringoscopia

Durante o exame de videolaringoscopia, o médico pode fazer uma biópsia, retirando uma pequena amostra do tumor da laringe para ser analisada no laboratório, de forma a confirmar o diagnóstico do câncer de laringe.

Além disso, outros exames que podem ser solicitados pelo médico são ultrassom, ressonância magnética, tomografia computadorizada ou PET-CT, que fornecem imagens da laringe e das estruturas ao seu redor.

Possíveis causas

A causa do câncer de laringe não é completamente conhecida, mas surge por mutações no DNA das células da laringe, que passam a se multiplicar de forma descontrolada.

Alguns fatores podem aumentar o risco de desenvolvimento do câncer de laringe, como:

  • Hábito de fumar;
  • Consumo excessivo e/ou frequente de bebidas alcoólicas;
  • Dieta rica em carnes vermelhas, alimentos processados ou industrializados;
  • Alimentação pobre em fibras e folhas verdes;
  • Histórico familiar de câncer de laringe;
  • Infecção pelo HPV;
  • Refluxo gastroesofágico.

Além disso, o câncer de laringe pode ser causado pela exposição frequente ou exposição a altos níveis de substâncias, como asbestos, tintas, níquel, formol, álcool isopropílico, carvão, pó de madeira, radiação, ou vapor de gasolina, diesel ou ácido sulfúrico.

Como é feito o tratamento

O tratamento do câncer de laringe deve ser feito com orientação do oncologista e varia de acordo com o tipo e estágio do tumor. Assim, os principais tratamentos que podem ser recomendados pelo médico incluem:

1. Radioterapia

A radioterapia para o câncer de laringe utiliza radiações para destruir ou reduzir a velocidade de crescimento de todas as células do tumor, podendo ser aplicada sozinha, especialmente nos estágios iniciais do câncer de laringe, ou feita após a cirurgia ou associada a quimioterapia nos estágios mais avançados. 

A radioterapia no câncer de laringe é normalmente aplicada de forma externa, através de uma máquina que emite radiação sobre a região do tumor, devendo ser realizada 5 vezes por semana, durante 3 a 7 semanas de tratamento, conforme orientação do oncologista. 

Esse tipo de tratamento pode causar efeitos colaterais, como queimaduras na pele no local onde é aplicada a radiação, feridas na boca, perda do paladar, perda do apetite ou boca seca, por exemplo.

2. Cirurgia

A cirurgia do câncer de laringe tem como objetivo remover o tumor para que ele não aumente de tamanho, ou se espalhe para outros órgãos, podendo ser feita através de endoscopia nos estágios iniciais.

Já para os estágios mais avançados, a cirurgia normalmente recomendada é a laringectomia, que permite ao médico retirar a laringe parcialmente ou totalmente. Geralmente, durante esse tipo de cirurgia, é feita uma traqueostomia para ajudar a manter a respiração, podendo ser uma traqueostomia temporária, se foi retirada uma parte da laringe, ou permanente, no caso de remoção total da laringe. Veja o que é a traqueostomia e cuidados necessários.  

3. Quimioterapia

A quimioterapia para o câncer de laringe pode ser feita antes da cirurgia, para diminuir o tamanho do tumor, ou depois da cirurgia, para eliminar as células cancerígenas que possam ter permanecido, ou ainda realizada em combinação com a radioterapia.

Este tipo de tratamento pode ser feito com a ingestão de comprimidos, em casa, como a capecitabina, ou com a aplicação de remédios diretamente na veia, no hospital, como a cisplatina, 5-fluorouracil, carboplatina, docetaxel, paclitaxel ou metotrexato, por exemplo. 

A quimioterapia tem como objetivo eliminar todas as células que estão crescendo muito rapidamente e, por isso, além das células do câncer, também podem afetar as células saudáveis do corpo que se multiplicam rapidamente, levando ao surgimento dos efeitos colaterais da quimioterapia, como perda do cabelo, anemia ou aumento do risco de infecções, por exemplo. 

A gravidade dos efeitos colaterais depende do remédio utilizado e da dosagem, mas normalmente desaparecem ao fim de alguns dias após o tratamento. Saiba como aliviar os efeitos colaterais da quimioterapia

4. Terapia alvo

A terapia alvo usa medicamentos, chamados anticorpos monoclonais, para ajudar o sistema imune a identificar e atacar especificamente as células cancerígenas, provocando poucos efeitos nas células normais do corpo. 

No tratamento do câncer de laringe, um remédio usado na terapia alvo é o cetuximabe, que impede o crescimento das células do câncer e que se espalhem para outras partes do corpo. Este medicamento pode ser combinado com radioterapia, para aumentar a chance de cura, ou ainda ser usado por pessoas que não possuem indicação para fazer a quimioterapia. 

Alguns efeitos colaterais da terapia alvo para câncer de laringe são reações alérgicas, dificuldade em respirar, aumento da pressão arterial, acne, febre ou diarreia, por exemplo.

5. Imunoterapia

A imunoterapia também pode ser indicado pelo oncologista para o câncer de laringe, sendo feito no hospital com remédios aplicados diretamente na veia, como o pembrolizumabe ou nivolumabe, que ajudam a aumentar a resposta do sistema imune contra as células do câncer, o que pode levar à uma diminuição do tamanho do câncer ou atrasar o seu crescimento. 

Os remédios imunoterápicos podem ser usados junto com a quimioterapia, ou usados sozinhos, nos casos de câncer de laringe que tenham sidos tratados anteriormente, mas voltou a aparecer, ou ainda usados nos estágios mais avançados ou com metástases.

Câncer de laringe tem cura?

O câncer de laringe tem cura em cerca de 90% das vezes, quando é diagnosticado numa fase inicial, mas quando este tipo de câncer só é diagnosticado numa fase mais avançada, o tumor pode estar muito grande ou já ter se espalhado pelo corpo, diminuindo suas chances de cura.

A maior parte das pessoas são diagnosticadas com o câncer de laringe numa fase intermediária, quando as chances de cura são cerca de 60%. Mas segundo os cientistas, se o tratamento proposto for assertivo e o tumor for localizado numa única região, a cura pode vir em poucos meses.

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Atualizado por Marcela Lemos - Biomédica, em novembro de 2022.

Bibliografia

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Mostrar bibliografia completa
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Equipe editorial constituída por médicos e profissionais de saúde de diversas áreas como enfermagem, nutrição, fisioterapia, análises clínicas e farmácia.

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