Ácido valpróico: para que serve, como tomar e efeitos colaterais

O ácido valpróico ou valproato de sódio é um anticonvulsivante e estabilizador do humor que age aumentando os níveis do GABA no cérebro, um tipo de neurotransmissor responsável por diminuir a atividade dos neurônios, e que quando tem seus níveis baixos pode causar convulsões, transtorno bipolar ou enxaqueca. Assim, o ácido valpróico ajuda a restaurar o equilíbrio dos neurônios, necessário para o bom funcionamento do cérebro.

Esse remédio pode ser encontrado em farmácias e drogarias na forma de comprimidos, cápsulas ou xarope, com o nome comercial Depakene, na forma de genérico com o nome ácido valpróico ou com os nomes similares Torval, Vodsso ou Epilenil, por exemplo, e é vendido somente com prescrição médica e retenção de receita pela farmácia.

O ácido valpróico é vendido na forma de cápsulas de 250 mg, comprimidos de 300 ou 500 mg ou na forma de xarope de 50mg/mL, administradas por via oral. Além disso, pode ser usado na forma de injeção aplicada diretamente na veia, feita no hospital por um enfermeiro, de acordo com a indicação médica.

Ácido valpróico: para que serve, como tomar e efeitos colaterais

Para que serve

O ácido valpróico é indicado para o tratamento de convulsões, epilepsia, crise de ausência e transtorno bipolar. Além disso, esse remédio pode ser indicado para a prevenção de crises de enxaqueca.

Como tomar

O ácido valpróico deve ser tomado por via oral, com um copo de água, na dose, nos horários e pelo período de tempo estabelecido pelo médico. No entanto, se esquecer de tomar uma dose na hora certa, tomar assim que lembrar, mas deve-se pular a dose esquecida se estiver quase na hora de tomar a próxima dose. Não dobrar a dose para compensar a dose esquecida.

A forma de uso do ácido valpróico, para adultos e crianças com mais de 10 anos, varia de acordo com a indicação e inclui:

  • Epilepsia, convulsões ou crises de ausência: a dose inicial é de 10-15 mg por Kg de peso corporal por dia. Essa dose pode ser aumentada para no máximo 60 mg por Kg de peso corporal por dia, de acordo com a avaliação médica;
  • Transtorno bipolar: a dose inicial é de 750 mg por dia, dividida em 2 doses, e pode ser aumentada para até 3000 mg por dia ou 60 mg por Kg de peso corporal por dia, de acordo com a orientação médica;
  • Enxaqueca: a dose inicial é de 250 mg, 2 vezes por dia, e pode ser aumentada para no máximo 500 mg, 2 vezes por dia.

Os comprimidos e as cápsulas do ácido valpróico podem ser tomados após uma refeição para evitar irritação do estômago, e devem ser tomados inteiros, sem partir ou mastigar, pois podem provocar irritação na boca ou garganta. Já o xarope possui uma fórmula especial que não causa irritação na boca ou garganta e deve ser tomado utilizando o dosador fornecido na embalagem.

Durante o uso do ácido valpróico, a pessoa deve realizar exames que medem a quantidade de plaquetas no sangue, pois esse remédio pode causar diminuição da coagulação do sangue aumentando o risco de sangramentos.

Possíveis efeitos colaterais

Alguns dos efeitos colaterais mais comuns que podem ocorrer durante o tratamento com o ácido valpróico são náusea, vômito, dor de estômago, diarréia, sonolência, sensação de fraqueza ou tontura, dor de cabeça, tremor, dificuldade de coordenação motora, visão borrada ou embaçada, queda de cabelo, aumento do peso ou hepatite medicamentosa.

O ácido valpróico pode causar reações alérgicas graves que necessitam de atendimento médico imediato. Por isso, deve-se interromper o tratamento e procurar o pronto socorro mais próximo ao apresentar sintomas como dificuldade para respirar, tosse, dor no peito, sensação de garganta fechada, inchaço na boca, língua ou rosto, ou urticária. Saiba mais sobre sintomas de reação alérgica.

Deve-se procurar atendimento médico imediato também caso se tome o ácido valpróico em doses maiores do que as recomendadas e surgirem sintomas de overdose como febre, inchaço em glândulas com formação de ínguas, dor muscular, fraqueza excessiva, sangramento, pele ou olhos amarelados, perda do apetite, dor de estômago que irradia para as costas ou urina escura.

Além disso, deve-se comunicar ao médico caso a pessoa apresente alterações de humor ou comportamento, depressão, ansiedade, ataques de pânico, dificuldade para dormir ou impulsividade, irritação, agitação, agressividade ou pensamentos sobre suicídio.

Quem não deve tomar

O ácido valpróico não deve ser usado por pessoas alérgicas ao ácido valpróico e o xarope desse remédio não deve ser usado por diabéticos pois contém sorbitol, um tipo de açúcar que pode aumentar a glicemia.

Além disso, o ácido valpróico não deve ser usado por:

  • Crianças com menos de 10 anos;
  • Mulheres em amamentação;
  • Pessoas que tomam anticoagulantes ou anti-inflamatórios;
  • Pessoas com problemas no fígado como hepatite ou insuficiência hepática;
  • Pessoas com doenças genéticas como distúrbio do ciclo da ureia, porfiria ou síndrome de Alpers-Huttenlocher.

Esse remédio não deve ser usado durante a gravidez, a não ser que a mulher já utilizava o ácido valpróico antes de engravidar, devendo sempre ser avaliado pelo médico os riscos e os benefícios do tratamento, pois pode prejudicar o feto. Além disso, o ácido valpróico pode cortar o efeito das pílulas anticoncepcionais orais, sendo recomendado utilizar outro método para prevenir gravidez, como preservativo ou diafragma, por exemplo, durante o tratamento com esse remédio.

Outros remédios podem interferir na ação do ácido valpróico aumentando ou diminuindo seu efeito, como fenobarbital, haloperidol, loxapina, maprotilina ou inibidores da monoamina oxidase (IMAO), como isocarboxazida (Marplan), fenelzina (Nardil) ou tranilcipromina (Parnate), por exemplo.

Além disso, vitaminas, suplementos alimentares e produtos à base de plantas também podem interferir na ação do ácido valpróico. Por isso, é importante informar ao médico e ao farmacêutico todos os medicamentos que são utilizados para evitar diminuição ou aumento do efeito do ácido valpróico, e também deve-se evitar o uso de qualquer outro remédio por conta própria.

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Bibliografia

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