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Anafilaxia: o que é, sintomas, causas e tratamento

Revisão médica: Dr.ª Clarisse Bezerra
Médica de Saúde Familiar
janeiro 2023

A anafilaxia é uma reação alérgica aguda grave que se incia imediatamente ou após algumas horas, após ao contato a alguma substância alergênica, como alimento, medicamento, veneno de inseto ou material, causando sintomas como dificuldade para respirar, sensação de garganta fechada, inchaço na boca, língua ou rosto, formação de bolhas na pele ou urticária.

A anafilaxia, também conhecida por choque anafilático, é causada por uma reação exagerada do sistema imunológico, ao ter contato com a substância alergênica, produzindo rapidamente anticorpos e substâncias, como histamina, leucotrienos e prostaglandinas, resultando nos sintomas, podendo ser fatal se não for tratada rapidamente.

Em caso de suspeita de anafilaxia deve-se procurar atendimento médico imediatamente ou o pronto-socorro mais próximo para que o tratamento seja feito o mais rápido possível, e geralmente, inclui a aplicação de adrenalina, corticoides e anti-histamínicos injetáveis, soro na veia, broncodilatadores e monitoração dos sinais vitais.

Imagem ilustrativa número 1

Sintomas de anafilaxia

Os principais sintomas de anafilaxia são:

  • Vermelhidão ou irritação na pele e mucosas;
  • Formação de bolhas na pele;
  • Coceira generalizada ou urticária;
  • Inchaço dos lábios e da língua;
  • Inchaço no rosto;
  • Sensação de garganta fechada;
  • Coceira na garganta;
  • Sensação de aperto ou bolo na garganta;
  • Dificuldade para engolir;
  • Dificuldade para falar ou fala arrastada;
  • Voz rouca ou pigarro persistente;
  • Chiado no peito ao respirar;
  • Som ofegante durante a inalação;
  • Dor ou sensação de aperto no peito;
  • Falta de ar ou dificuldade para respirar;
  • Espirros, nariz escorrendo e/ou obstrução nasal;
  • Tosse persistente;
  • Náuseas, vômitos e/ou diarreia;
  • Dor ou cólica abdominal;
  • Queda da pressão arterial;
  • Pulso fraco;
  • Batimentos cardíacos acelerados;
  • Ansiedade;
  • Confusão mental;
  • Fraqueza;
  • Diminuição do tônus muscular;
  • Palidez;
  • Tontura ou desmaio;
  • Incontinência.

Além disso, outro sintoma da anafilaxia que pode surgir é a angina alérgica, que consiste no infarto do miocárdio ou isquemia, chamada de síndrome de Kounis.

Os sintomas da anafilaxia iniciam-se imediatamente após o contato com a substância alergênica, evoluindo rapidamente, geralmente dentro de uma hora, sendo que essa primeira hora é fundamental para o tratamento, pois a maioria dos casos de fatalidade ocorre nesse período, se não tiver atendimento médico rápido.

Por isso, ao surgir os sintomas de anafilaxia ou choque anafilático deve-se procurar o atendimento médico imediatamente, o pronto-socorro mais próximo ou ligar para o SAMU, para que o tratamento seja feito o mais rápido possível. Veja como devem ser os primeiros socorros de uma pessoa em choque anafilático.

Como confirmar o diagnóstico

O diagnóstico da anafilaxia é feito no hospital pelo clínico geral através avaliação dos sintomas e do contato com substâncias alergênicas, não sendo necessários exames laboratoriais para confirmar o diagnóstico.

Desta forma, o médico deve iniciar o tratamento imediatamente para evitar uma fatalidade.

Possíveis causas

A anafilaxia é causada por uma reação exagerada do sistema imunológico ao se ter contato com alguma substância alergênica, fazendo com que o corpo produza anticorpos, como a imunoglobulina Ig-E, além de outras substâncias, como histamina, prostaglandinas, leucotrienos, triptase, fatores de ativação plaquetárias e fator de necrose tumoral (TNF-alfa), resultando nos sintomas.

Algumas substâncias alergênicas que podem levar ao desenvolvimento da anafilaxia são:

  • Alimentos, como ovo, leite, soja, glúten, trigo, amendoim, nozes e outros frutos secos, peixe, camarão, moluscos, crustáceos e Kiwi;
  • Medicamentos, sendo mais comum com antibióticos, dipirona, ácido acetilsalicílico, anti-inflamatórios, anestésicos ou vacinas;
  • Veneno de insetos, como abelhas, formigas, marimbondo ou vespas;
  • Materiais, como látex ou tecidos sintéticos;
  • Metais, como níquel, cobalto, cromo ou prata;
  • Ácaro, mofo, pólen, pêlo ou saliva de animais;
  • Tintas ou esmaltes;
  • Produtos medicinais, como iodo ou mercúrio;
  • Contrastes radiológicos, como iodo ou gadolínio;
  • Produtos cosméticos, como perfumes, cremes, sabonetes ou shampoo;
  • Plantas, como urtiga ou hera venenosa;
  • Variações de temperatura, como no caso da alergia ao frio.

Além disso, embora seja raro a anafilaxia pode surgir quando exercícios físicos, como corrida, caminhada ou ciclismo, ou qualquer outro tipo de esporte, são realizado nas primeiras duas horas após a ingestão de determinados alimentos, como ômega 5 presente no trigo, por exemplo, sendo conhecida como anafilaxia induzida pelo exercício.

Saiba identificar o que pode estar na origem da alergia, através de um exame.

Como é feito o tratamento

O tratamento da anafilaxia deve ser iniciado o mais rápido possível no hospital com a administração de adrenalina injetável diretamente no músculo e desobstrução das vias aéreas. Se necessário, o médico pode repetir a adrenalina intramuscular, a cada 5 minutos até um máximo de 3 administrações.

Além disso, outros remédios podem ser administrados como anti-histamínicos, como a difenidramina, cimetidina ou ranitidina por via intramuscular ou endovenosa, e corticoides, como a metilprednisolona ou hidrocortisona, diretamente na veia.

Para a hipotensão, pode ser administrado soro fisiológico ou uma solução cristaloide diretamente na veia. Depois disso, a pessoa fica em observação no hospital, onde são monitorados os seus sinais vitais.

Outros remédios que podem ser utilizados após a pessoa estar estabilizada, são corticoides orais, como metilprednisolona ou prednisolona, broncodilatadores inalatórios, como salbutamol, por exemplo.

Nos casos da pessoa ter o risco de ter reações alérgicas graves, o médico pode receitar injeção de adrenalina para a pessoa ter sempre consigo, e usar em casos de emergência, até que seja atendida no hospital. Saiba como usar a injeção de adrenalina.

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Atualizado e revisto clinicamente por Dr.ª Clarisse Bezerra - Médica de Saúde Familiar, em janeiro de 2023.

Bibliografia

  • DUARTE, P.; et al. Síndrome de Kounis. A propósito de um caso clínico. Rev Bras Ter Intensiva. 32. 1; 149-152, 2020
  • MCLENDON, K.; STERNARD, B. T. IN: STATPEARLS [INTERNET]. TREASURE ISLAND (FL): STATPEARLS PUBLISHING. Anaphylaxis. 2022. Disponível em: <https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK482124/>. Acesso em 15 dez 2022
Mostrar bibliografia completa
  • BAERLOCHER, M. O.; et al. Allergic-type reactions to radiographic contrast media. CMAJ. 182. 12; 1328, 2010
  • Muraro, A.. Anaphylaxis: guidelines from the European Academy of Allergy and Clinical Immunology. European Journal of Allergy and Clinical Immunology. Vol.69. 1026-1045, 2014
  • MOTA, Inês et. al.. Abordagem e Registo da Anafilaxia em Portugal. Revista Científica da Ordem dos Médicos . 1-11, 2015
  • SOCIEDADE PORTUGUESA DE ALERGOLOGIA E IMUNOLOGIA CLÍNICA. Anafilaxia. Acesso em 13 fev 2020
Revisão médica:
Dr.ª Clarisse Bezerra
Médica de Saúde Familiar
Formada em Medicina pelo Centro Universitário Christus e especialista em Saúde da Família pela Universidade Estácio de Sá. Registro CRM-CE nº 16976.