Sintomas das variantes COVID-19 (Delta, Ômicron e outras)

  1. Sintomas por variante
  2. Variantes de preocupação
  3. Variantes de interesse
  4. Variantes em monitoramento
  5. Vacinação

As variantes da COVID-19 têm maior capacidade de transmissão e infecção que o coronavírus "original". Além disso, algumas também têm maior resistência ao sistema imune, o que pode aumentar o tempo de infecção e o risco de complicações graves.

Os principais sintomas das variantes continuam sendo os mesmos da infecção pelo vírus "original", incluindo tosse seca e persistente, cansaço excessivo, dor de cabeça, dor muscular e diarreia. Mas algumas variantes têm maior tendência para um tipo de sintomas, do que outros.

De forma geral, o que se sabe até ao momento é que as variantes da COVID-19 são, de fato, mais fáceis de transmitir e de causar infecção devido a mutações na proteína S, presente na superfície do vírus. No entanto, continuam sendo feitos mais estudos que avaliam o comportamento dessas variantes e seus efeitos no organismo.

Principais sintomas de cada variante

Os sintomas de COVID-19 pode variar ligeiramente de acordo com a variante:

 Variante alfaVariante betaVariante gamaVariante deltaVariante ômicron
FebreXXXX 
Dor de cabeça   XX
Dor de garganta XXXX
Coriza   XX
Congestão nasal    X
Espirros constantes   X 
Tosse persistenteXXXX 
Cansaço excessivo XX X
Perda ou alteração do olfatoX    
Perda ou alteração do paladarX    
Vômito XX  
Diarreia XX  
Perda do apetiteX    
CalafriosX    
Dor muscular/ no corpoXXX X

Apesar da tabela indicar os sintomas mais frequentes, é possível que a pessoa infectada pela variante delta, por exemplo, apresente também sintomas que foram associados principalmente à variante alfa. Por isso, para confirmar o tipo de variante responsável pela COVID-19, é importante que sejam realizados testes específicos. Faça o nosso teste online para saber se pode estar infectado com COVID-19.

A identificação da variante é importante para a epidemiologia, pois ao saber as características do vírus mais circulante na região é possível estabelecer medidas de identificação do vírus, vigilância, prevenção e controle da infecção mais eficazes.

Qual a variante mais grave?

Apesar de causarem sintomas muito semelhantes, as variantes alfa e delta têm sido associadas a infecções mais graves e número de óbitos. Veja o que fazer para prevenir a infecção pelo SARS-CoV-2.

Variantes de preocupação

As variantes de preocupação são definidas pela OMS como aquelas que parecem se transmitir mais facilmente, sendo mais resistentes às medidas de controle e prevenção adotadas. Podem ainda apresentar maior potencial de causar infecções graves, devido a mutações na proteína.

Nesta categoria, atualmente, está presente a variante Ômicron (B.1.1.529). A variante ômicron foi identificada em vários países, principalmente na África do Sul, e é caracterizada pela maior capacidade de transmissão.

Anteriormente, foram também consideradas como variantes de preocupação:

  • Alfa (B.1.1.7), primeiramente identificada no Reino Unido;
  • Beta (B.1.351/ B.1.351.2/ B.1.351.3), primeiramente identificada na África do Sul;
  • Gama (P.1/ P.1.1/ P.1.2), primeiramente identificada no Brasil;
  • Delta (B.1617.2), primeiramente identificada na Índia.

Essas variantes não são mais consideradas de preocupação devido à eficácia das ações tomadas pela Organização Mundial de Saúde que tiveram o objetivo de diminuir a circulação dessas variantes e o seu impacto na população mundial.

Subvariantes da ômicron em monitoramento

Devido à transmissão generalizada da variante ômicron e o surgimento de subvariantes, a Organização Mundial de Saúde incluiu uma nova categoria para rastreamento das variantes com o objetivo de sinalizar e monitorar as subvariantes que merecem maior atenção e monitoramento, uma vez que poderiam representar maior risco para a população.

Atualmente, as subvariantes da ômicron em monitoramento são BA.4.6, BA.5 (que inclui a sublinhagem dessa subvariante, a BQ.1), BA.2.3.20, BA.2.75, J.1 e XBB.

Variantes de interesse

As variantes de interesse são aquelas que também foram identificadas mas que ainda não parecem apresentar a mesma facilidade de transmissão ou de gravidade das variantes de preocupação. No entanto, de acordo com a Organização Mundial de Saúde, não existem, no momento, variantes de interesse. Anteriormente, algumas das variantes que foram consideradas de interesse foram Lambda, Mu, Kappa, Iota, Theta, Eta, Zeta e Epsilon.

Variantes em monitoramento

As variantes em monitoramento são aquelas que possuem alterações genéticas que poderiam representar um risco futuro, porém as suas características e impacto epidemiológico ainda estão sendo estudados. No entanto, no momento, de acordo com a Organização Mundial de Saúde, não existem variantes em monitoramento.

A vacina funciona contra as variantes?

Até o momento, todas as vacinas disponibilizadas são eficazes contra as variantes circulantes, tendo sido verificado que a administração da vacina é capaz de estimular de forma eficaz a resposta imunológica, diminuir a transmissão do vírus e a incidência de infecção. No entanto, novos estudos estão sendo realizados para avaliar a duração da imunidade contra essas variantes, bem como o efeito sobre novas possíveis mutações do vírus.

Em um estudo realizado no Reino Unido com objetivo de avaliar a eficácia das vacinas Pfizer e AstraZeneca contra a variante delta [1], foi verificado que a imunidade conferida pela vacina Pfizer passou de 92% para 78% após 90 dias da administração da segunda dose, enquanto que a eficácia de AstraZeneca passou de 69% para 61% após 90 dias.

Essas diminuições são consideradas normais e as vacinas continuam sendo altamente recomendadas para prevenir o desenvolvimento da doença, já que ainda sim demonstram grande atividade contra o SARS-CoV-2. Em alguns países têm sido estudada a possibilidade da administração de uma terceira dose da vacina em pessoas com o sistema imunológico mais enfraquecido com o objetivo de promover ainda mais proteção contra a variante delta.

Saiba mais sobre as vacinas para COVID-19.

É possível ter duas variantes ao mesmo tempo?

Embora seja considerada uma situação extremamente rara, ficar infectado com duas variantes da COVID-19 ao mesmo tempo, é possível. Até ao momento são poucos os casos registrados, no entanto a contaminação por duas variantes em simultâneo já foi identificada em pacientes no Brasil e na Bélgica. De acordo com os relatórios, a infecção por duas variantes não parece produzir sintomas mais graves.

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Atualizado por Manuel Reis - Enfermeiro, em novembro de 2022. Revisão clínica por Marcela Lemos - Biomédica, em novembro de 2022.

Bibliografia

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Revisão clínica:
Marcela Lemos
Biomédica
Mestre em Microbiologia Aplicada, com habilitação em Análises Clínicas e formada pela UFPE em 2017 com registro profissional no CRBM/ PE 08598.