Toxoplasmose: o que é, sintomas, transmissão e tratamento

outubro 2022
  1. Sintomas
  2. Transmissão
  3. Tipos
  4. Tratamento
  5. Prevenção

A toxoplasmose é uma doença infecciosa provocada pelo parasita Toxoplasma gondii, ou T. gondii, que pode ser encontrado nas fezes do gato, na água ou em carne mal cozida como porco ou cordeiro, contaminados com o parasita. Na maioria das vezes, a toxoplasmose não causa sintomas, porém no caso de pessoas com o sistema imunológico mais frágil, é possível que sejam notados sintomas como ínguas, febre e dor muscular, por exemplo.

A toxoplasmose é transmitida principalmente pela ingestão de alimentos contaminados pelos cistos do parasita ou por meio do contato com as fezes de gatos infectados. Além disso, a toxoplasmose pode ser transmitida de mãe para filho, no entanto isso só acontece quando a doença não é diagnosticada durante a gravidez ou o tratamento não é feito corretamente.

Apesar de não provocar sintomas, é importante que a toxoplasmose seja identificada e tratada corretamente de acordo com a orientação do médico para evitar que surjam complicações, como cegueira, convulsões e morte, por exemplo.

Principais sintomas

Os principais de toxoplasmose são:

  • Ínguas pelo corpo, principalmente na região do pescoço;
  • Febre;
  • Dor muscular ou nas articulações;
  • Cansaço;
  • Dor de cabeça e de garganta;
  • Manchas vermelhas pelo corpo;
  • Dificuldade para enxergar.

Na maioria dos casos, a toxoplasmose não causa sintomas, no entanto quando a imunidade da pessoa encontra-se mais comprometida, é possível que surjam sintomas. Assim, os sintomas são mais comuns em pessoas que fazem quimioterapia para o câncer, que foram submetidos recentemente a transplantes, são portadores do vírus HIV, ou em mulheres grávidas.

Em casos mais graves, a toxoplasmose pode prejudicar o funcionamento de órgãos como pulmões, coração, fígado e cérebro, podendo causar dificuldade para respirar, tosse, dor de cabeça forte, tontura, cansaço excessivo, sonolência, delírios e diminuição da força e dos movimentos do corpo. Conheça outros sintomas da toxoplasmose

Como é feito o diagnóstico

O diagnóstico da toxoplasmose é feito pelo cínico geral ou infectologista através da avaliação dos sintomas e da realização do exame de sangue para detectar a presença de anticorpos produzidos pelo corpo contra o parasita responsável pela doença. que são produzidos para combater o parasita causador da doença. Veja mais sobre o exame sorológico para toxoplasmose.

No caso de mulheres grávidas com resultado positivo para os anticorpos da toxoplasmose, o obstetra pode recomendar uma amniocentese após 15 semanas de gravidez para confirmar se a toxoplasmose foi transmitida da mãe para o bebê. Além disso, embora não sirva para diagnosticar a toxoplasmose no feto, o médico deve solicitar um ultrassom para verificar se o bebê possui alterações causada pela toxoplasmose, como hidrocefalia, por exemplo.

Transmissão da toxoplasmose

A toxoplasmose é transmitida através da ingestão de água ou alimentos crus, mal higienizados ou mal cozidos, como carne de porco, boi, cordeiro ou veado, que estejam contaminados com o parasita Toxoplasma gondii. A ingestão de carne defumada ou embutidos preparados com animais contaminados com o parasita e que não foram processados de acordo com as condições de higiene adequadas também podem transmitir a toxoplasmose.

O contato com os gatos infectados não é suficiente para que haja transmissão da toxoplasmose, é preciso que a pessoa tenha contato com as fezes desses gatos que pode ocorrer através da ingestão acidental do parasita presente nas fezes. Assim, durante a limpeza da caixa de areia do gato que tenha toxoplasmose, é importante ter medidas de proteção como usar luvas e máscaras, e lavar bem as mãos após a limpeza, por exemplo.

A transmissão da toxoplasmose também pode acontecer durante a gravidez através da passagem do parasita pela placenta. No entanto, a transmissão depende do estado imunológico da gestante e da fase da gestação. Veja mais sobre a toxoplasmose na gravidez.

Tipos de toxoplasmose

O Toxoplasma gondii pode ser classificada em alguns tipos de acordo com o órgão atingido pelo parasita, sendo os principais:

1. Toxoplasmose ocular

A toxoplasmose ocular acontece quando o parasita atinge o olho e afeta a retina, causando uma inflamação que pode levar à cegueira se não for tratada a tempo. Essa doença pode afetar os dois olhos, e os prejuízos na visão podem ser diferentes para cada olho, podendo ocorrer diminuição da visão, vermelhidão ou dor no olho.

Essa complicação é mais comum de acontecer no bebê como consequência da infecção durante a gravidez, principalmente se o feto for infectado no início da gestação, mas também ocorrer em pessoas com o sistema imunológico mais comprometido, apesar de ser pouco frequente. Veja mais sobre a toxoplasmose ocular.

2. Toxoplasmose congênita

A toxoplasmose na gravidez provoca a toxoplasmose congênita, que é quando o bebê é infectado por essa doença ainda no útero da mãe. A toxoplasmose na gravidez pode levar a consequências graves, como malformações do feto, baixo peso ao nascer, parto prematuro, aborto ou morte do bebê ao nascer.

As consequências para o bebê variam de acordo com a idade gestacional em que aconteceu a infecção, havendo maior risco de complicações quando a infecção acontece mais perto do fim da gestação, existindo maior risco de inflamações nos olhos, icterícia intensa, aumento do fígado, anemia, alterações cardíacas, convulsões e alterações respiratórias. Além disso, pode haver alterações neurológicas, retardo mental, surdez, micro ou macrocefalia, por exemplo.

3. Toxoplasmose cerebrospinal ou meningoencefálica

Esse tipo de toxoplasmose é mais frequente em pessoas diagnosticadas com AIDS e normalmente está relacionada com a reativação dos cistos de T. gondii em pessoas que possuem a infecção latente, ou seja, que foram diagnosticadas e tratadas, mas o parasita não foi eliminado do organismo, permitindo que se deslocasse até o sistema nervoso.

Os principais sintomas desse tipo de toxoplasmose são dor de cabeça, febre, perda da coordenação muscular, confusão mental, convulsões e cansaço excessivo. Caso não seja identificada e tratada, a infecção pode levar ao coma e colocar a vida em risco.

Como é feito o tratamento

A maioria das pessoas saudáveis não necessita de tratamento para a toxoplasmose, já que o organismo é capaz de combater o parasita naturalmente. No entanto, na presença de sintomas, o tratamento deve ser feito com remédios que devem ser indicados pelo médico como a pirimetamina, sulfadiazina e ácido fólico, usados ao mesmo tempo, de acordo com a orientação médica.

Nas gestantes, dependendo da fase da gravidez, o tratamento pode ser feito com o antibiótico espiramicina, ou com a pirimetamina, sulfadiazina e ácido fólico, conforme orientação do obstetra.

Entenda como é feito o tratamento para toxoplasmose.

Prevenção da toxoplasmose

Para prevenir a toxoplasmose é importante ter alguns cuidados, como por exemplo:

  • Consumir água potável, filtrada ou mineral;
  • Cozinhar bem as carnes e evitar o consumo de carnes mal passadas em restaurantes;
  • Lavar bem os utensílios da cozinha em água quente e sabão, como tábuas de corte ou facas, depois de temperar ou cortar carne crua, para evitar a contaminação de outros alimentos;
  • Lavar bem as frutas, verduras e vegetais com água e sabão, ou utilizando solução de preparada com 1 litro de água e 1 colher de bicarbonato de sódio ou de água sanitária, e deixar por cerca de 15 minutos;
  • Usar luvas ao fazer jardinagem ou cuidar de plantas;
  • Evitar o contato com fezes do gato e usar uma luva e máscara ao limpar a caixa de areia e ao recolher as fezes;
  • Cobrir a caixa de areia em que a criança brinca, para evitar que gatos usem a caixa para eliminar as fezes.

Pessoas que têm animais domésticos devem levá-los ao veterinário para fazer exames que seja feito exame para identificação do parasita da toxoplasmose e o tratamento do animal, evitando a possível transmissão da toxoplasmose e de outras doenças.

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Atualizado e revisto clinicamente por Marcela Lemos - Biomédica, em outubro de 2022.

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Revisão clínica:
Marcela Lemos
Biomédica
Mestre em Microbiologia Aplicada, com habilitação em Análises Clínicas e formada pela UFPE em 2017 com registro profissional no CRBM/ PE 08598.