Sistema linfático: o que é, funções, órgãos e principais doenças

Revisão médica: Dr. Gonzalo Ramirez
Clínico Geral e Psicólogo
janeiro 2022

O sistema linfático é um conjunto de órgãos, tecidos, vasos e canais que se distribuem pelo corpo para ajudar a filtrar e remover o excesso de líquidos e impurezas do organismo.

Além disso, o sistema linfático também contribui para a formação das células de defesa do organismo, como os linfócitos, que são responsáveis pela defesa e combate de microrganismos que podem causar doenças.

Evitar o contato com produtos químicos como agrotóxicos ou produtos de limpeza, beber bastante água, e manter um estilo de vida saudável, com uma alimentação balanceada e práticas de atividades físicas regulares, são medidas importantes que ajudam a manter o sistema linfático saudável e prevenir doenças.

Principais funções do sistema linfático

A principal função do sistema linfático é coletar e filtrar o excesso de líquido do corpo, através da linfa, e, depois, transferi-lo para o sangue. Outras funções do sistema linfático incluem:

  • Absorver a gordura do intestino e transportar para o sangue, contribuindo para  produção de linfócitos e desenvolvimento da imunidade;
  • Transportar e remover resíduos e células “com defeito” do organismo.

O sistema linfático é uma parte importante do sistema imunológico, produzindo e liberando linfócitos e outras células de defesa que combatem bactérias, vírus, parasitas e fungos, ajudando na prevenção de diversos tipos de doenças, como câncer, gripe e resfriado.

Anatomia do sistema linfático

O sistema linfático é composto por células, vasos, tecidos e órgãos, que desempenham variadas funções. Os principais componentes desse sistema incluem:

1. Linfa

É um líquido transparente que é formado por água, nutrientes e substâncias produzidas pelas células, como hormônios e enzimas, e que percorre através da circulação linfática.

Função: a linfa ajuda a drenar o excesso de água e resíduos do organismo, além de transportar os glóbulos brancos para todo o corpo, ajudando a combater infecções.

2. Vasos linfáticos

Os capilares são vasos linfáticos pequenos e finos que coletam a linfa, e à medida que percorrem o caminho para levar a linfa para o coração, aumentam de tamanho e formam os vasos linfáticos.

Função: os capilares e os vasos linfáticos coletam e levam a linfa para ser filtrada nos linfonodos. Ao final do trajeto e filtração, os vasos linfáticos liberam a linfa, já filtrada, nos dutos torácicos, estrutura que vai do abdômen ao pescoço.

3. Dutos linfáticos

São grandes canais linfáticos, conhecidos como duto linfático esquerdo e duto linfático direito, onde os vasos linfáticos esvaziam a linfa, já filtrada. Esses dutos se conectam ao coração, por onde a linfa passa antes de retornar para a corrente sanguínea.

Função: o duto torácico coleta e conduz a maior parte da linfa do corpo para o sangue, ajudando a manter  o volume de sangue e a pressão arterial normais, além de evitar o acúmulo de líquido, conhecido como edema.

4. Órgãos linfáticos

Os órgão linfáticos são órgãos, distribuídos ao longo do trajeto dos vasos linfáticos, que são estimulados sempre que há uma infecção ou inflamação. Os principais órgãos linfáticos são:

  • Medula óssea: é um tecido macio e esponjoso localizado dentro de ossos longos, como quadril e o esterno, que tem a função de produzir as diversas células sanguíneas, incluindo os glóbulos vermelhos, os glóbulos brancos e as plaquetas;
  • Timo: é uma glândula localizada na parte superior do tórax, que tem a função de desenvolver e multiplicar os linfócitos T, células da medula óssea que ajudam a combater microrganismos, especialmente nos primeiros anos de vida;
  • Baço: é o maior órgão linfático, localizado na parte superior esquerda do abdômen, acima do estômago, sendo responsável por produzir os linfócitos, além de filtrar o sangue, eliminando micro-organismos e células envelhecidas;
  • Apêndice: o apêndice contém tecido linfóide que ajuda a combater bactérias antes de chegarem ao intestino. Além disso, acredita-se que o apêndice também armazena bactérias benéficas, ajudando a equilibrar a flora intestinal, após uma infecção.

Existem ainda as tonsilas, conhecidas também como amígdalas, que são aglomerados de nódulos linfáticos, localizados na boca, além das placas de Peyer, que estão situadas no intestino, e que também são responsáveis por produzir células do sistema imune e auxiliar na proteção contra microrganismos.

5. Linfonodos

Os linfonodos são pequenas glândulas encontradas em regiões como axila, virilha e pescoço que são responsáveis por filtrar a linfa, removendo bactérias, vírus e células cancerígenas, além de produzirem e armazenarem linfócitos e outras células do sistema imunológico que combatem os microrganismos presentes na linfa.

Para que serve a drenagem linfática

A drenagem linfática é um procedimento que consiste na realização de uma massagem com as mãos, com movimentos suaves, que tem como objetivo estimular e facilitar a circulação da linfa pelos seus vasos, e chegar mais rapidamente à corrente sanguínea.

Como o sistema linfático não tem um bombeamento, como o que é feito pelo coração, esta massagem pode ajudar no retorno de linfa, principalmente em pessoas que têm fragilidade destes vasos e tendência à retenção de líquidos, ajudando a diminuir inchaços no rosto ou no corpo. Veja como é feita a drenagem linfática.

Principais doenças do sistema linfático

Algumas situações podem provocar alterações no funcionamento do sistema linfático, resultando em doenças, como:

1. Filariose

A filariose, também conhecida como elefantíase, é uma das principais doenças do sistema linfático, sendo causada pelo parasita Wuchereria bancrofti, que é transmitido para as pessoas por meio da picada do mosquito do gênero Culex sp.

Nessa doença, o parasita atinge os vasos linfáticos e bloqueia o fluxo da linfa, causando inchaço do órgão que teve sua circulação obstruída. Conheça os sintomas e saiba como tratar a filariose.

2. Câncer

Alguns tipos de câncer podem acontecer nos vasos e órgãos da circulação linfática, como o linfoma, um tipo de câncer onde a multiplicação dos linfócitos é aumentada, comprometendo a circulação linfática e resultando na formação do tumor, podendo levar a sintomas, como mal estar, coceira e perda de peso. Conheça outros sintomas e as principais causas do linfoma.

Além disso, alguns tipos de câncer também podem bloquear os canais linfáticos, atrapalhando a circulação da linfa.

3. Alergias

Alergias são reações do organismo contra substâncias, como poeira, pólen e fumaça de cigarro, podendo causar situações, como rinite alérgica, asma, conjuntivite e dermatite.

As alergias acontecem quando o organismo aumenta a produção das células de defesa para tentar combater as substâncias, levando a inflamação e sintomas como espirros, corrimento nasal, entupimento do nariz ou dificuldade ao respirar.

4. Linfonodos aumentados

Os linfonodos estão aumentados, devido a infecções, como faringite, mononucleose ou infecção por HIV, ou ainda podem estar aumentados devido a uma infecção ou câncer.

Já a linfadenite é uma inflamação causada por microrganismos nos nódulos ou glândulas linfáticas, que ficam aumentados e moles.

5. Malformação do sistema linfático

Malformações do sistema linfático também podem causar alterações na circulação da linfa, podendo acontecer devido a alterações nos vasos ou gânglios linfáticos. Ao prejudicar a circulação da linfa para a corrente sanguínea, essas situações podem causar o linfedema, que é o inchaço gerado pelo acúmulo de linfa e líquido no corpo.

6. Lesões em órgãos do sistema linfático

Lesões em órgãos do sistema linfático, como medula óssea, baço e linfonodos, causadas por pancadas ou como consequência de tratamentos com medicamentos, também podem alterar a circulação linfática.

Mulheres que passam pelo tratamento de câncer de mama com radioterapia ou retirada dos gânglios linfáticos da região da axila, por exemplo, podem apresentar alterações na capacidade de drenagem da linfa.

Quando ir ao médico

É importante procurar a orientação de um médico ao apresentar cansaço extremo ou sinais como inchaço por muito tempo, sem causa aparente ou que atrapalhe as atividades diárias, perda de peso e febre.

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Atualizado por Manuel Reis - Enfermeiro, em janeiro de 2022. Revisão médica por Dr. Gonzalo Ramirez - Clínico Geral e Psicólogo, em janeiro de 2022.

Bibliografia

  • RIZZO, C, Donald. Fundamentos de anatomia e fisiologia. 3.ed. São Paulo: Cencage Learning, 2012. 330-346.
  • CLEVELAND CLINI. Lymphatic System. Disponível em: <https://my.clevelandclinic.org/health/articles/21199-lymphatic-system#anatomy>. Acesso em 10 dez 2021
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  • MAIA, Raul. Atlas de anatomia humana. 1.ed. São Paulo: DCL, 2013. 108-114.
Revisão médica:
Dr. Gonzalo Ramirez
Clínico Geral e Psicólogo
Clínico geral pela UPAEP com cédula profissional nº 12420918 e licenciado em Psicologia Clínica pela UDLAP nº 10101998.

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