Filariose: o que é, sintomas, transmissão e tratamento

novembro 2022

A filariose é uma doença infecciosa crônica causada pelo parasita Wuchereria bancrofti, que pode ser transmitido para as pessoas através da picada do mosquito Culex quinquefasciatus infectado. 

O parasita responsável pela filariose é capaz de se desenvolver no organismo à medida que se desloca até órgãos e tecidos linfoides, podendo provocar inflamação e acúmulo de líquido em várias partes do corpo, principalmente pernas, braços e testículos. No entanto essa situação só é percebida meses após a infecção pelo parasita, podendo a pessoa ser assintomática durante esse período.

O tratamento para filariose, popularmente conhecida como elefantíase ou filariose linfática, é simples e deve ser feito de acordo com a orientação do médico, sendo indicado o uso de antiparasitários e fisioterapia com drenagem linfática quando há acometimento de braços e pernas, por exemplo.

Sintomas de filariose

Os principais sinais e sintomas de filariose são:

  • Febre;
  • Dor de cabeça;
  • Calafrios;
  • Acúmulo de líquido nas pernas ou braços;
  • Aumento do volume do testículo;
  • Aumento dos gânglios linfáticos, principalmente da região da virilha.

Os sintomas de filariose aparecem quando há grande quantidade de parasita circulante, podendo demorar até 12 meses para aparecer e a pessoa ficar assintomática durante esse período. À medida que o parasita se desenvolve e se espalha pelo organismo, estimula reações inflamatórias e pode promover a obstrução dos vasos linfáticos em alguns órgãos, causando o inchaço característico da doença.

Como é feito o diagnóstico

O diagnóstico da filariose é feito pelo clínico geral ou infectologista por meio da avaliação dos sinais e sintomas apresentados pela pessoa e resultado de exames que têm como objetivo identificar a presença de microfilárias circulantes no sangue. Para identificar a presença do parasita, é recomendada que a coleta do sangue seja feita à noite, que é o período em que é verificada maior concentração do parasita no sangue.

Além do exame parasitológico do sangue, pode ser indicada também a realização de exames moleculares ou imunológicos para identificar estruturas do parasita ou presença de antígenos ou anticorpos produzidos pelo corpo contra o Wuchereria bancrofti. Pode ser indicado também a realização de exame de imagem, como a ultrassonografia, com o objetivo de verificar a presença de vermes adultos nos canais linfáticos.

Transmissão da filariose

A transmissão da filariose acontece exclusivamente através da picada do mosquito Culex quinquefasciatus infectado pelo parasita Wuchereria bancrofti. Esse mosquito, ao picar a pessoa para se alimentar de sangue, libera na corrente sanguínea da pessoa larvas do tipo L3, que corresponde à forma infectante do parasita Wuchereria bancrofti.

As larvas L3 no sangue da pessoa, migram para os vasos linfáticos e desenvolvem-se até o estágio L5, que corresponde ao estágio adulto. Nessa fase, o parasita libera microfilárias e leva ao aparecimento dos sinais e sintomas da filariose. Entenda melhor como é o ciclo de vida da Wuchereria bancrofti.

Tratamento para filariose

O tratamento para filariose é feito com antiparasitários recomendados pelo clínico geral ou infectologista que atuam eliminando as microfilárias, podendo ser recomendado o uso de Dietilcarbamazina ou Ivermectina associada com Albendazol.

No caso de ter havido infiltração do verme adulto em órgãos, pode ser recomendada realização de cirurgia para remover o excesso de líquido, sendo esse procedimento mais recomendado em caso de hidrocele, em que é verificado acúmulo de líquido no testículo. Saiba mais sobre a hidrocele.

Além disso, caso tenha sido verificado acúmulo de líquido em outro órgão ou membro, é recomendado que a pessoa repouse o membro afetado e realize sessões de fisioterapia com drenagem linfática, pois assim é possível recuperar a mobilidade do membro e haver melhora na qualidade de vida.

Em alguns casos, é possível também haver infecção secundária por bactérias ou fungos, sendo recomendado pelo médico nesses casos o uso de antibióticos ou antifúngicos de acordo com o agente infeccioso.

Como prevenir

A prevenção da filariose envolve a adoção de medidas que ajudam a prevenir a picada do mosquito causador da filariose. Assim, é importante que sejam utilizados mosquiteiros, repelentes e roupas que cubram a maior parte da pele. Além disso, é recomendado evitar água parada e acúmulo de lixo, pois assim é possível diminuir a quantidade de mosquitos no ambiente.

Esta informação foi útil?

Atualizado e revisto clinicamente por Marcela Lemos - Biomédica, em novembro de 2022.

Bibliografia

  • FIOCRUZ. Espionando: A Wuchereria bancrofti. Disponível em: <http://www.invivo.fiocruz.br/cgi/cgilua.exe/sys/start.htm?infoid=105&sid=2>. Acesso em 03 jul 2020
  • MINISTÉRIO DA SAÚDE. Filariose Linfática: Manual de Coleta de Amostras Biológicas para Diagnóstico de Filariose Linfática por Wuchereria bancrofti. 2008. Disponível em: <http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/filariose_linfatica_manual.pdf>. Acesso em 13 jun 2019
Mostrar bibliografia completa
  • MINISTÉRIO DA SAÚDE. Filariose Linfática (Elefantíase): causas, sintomas, tratamento, diagnóstico e prevenção. Disponível em: <http://www.saude.gov.br/saude-de-a-z/filariose-linfatica>. Acesso em 03 jul 2020
  • NEVES, David P. Parasitologia Humana. 12 ed. Atheneu, 323-333.
  • MINISTÉRIO DA SAÚDE. Guia de Vigilância em Saúde. 2017. Disponível em: <https://www.saude.gov.br/images/pdf/2017/setembro/05/Guia-de-Vigilancia-em-Saude-2017-Volume-3.pdf>. Acesso em 03 jul 2020
  • BARER, Michael R et al. Medical Microbiology: A guide to microbial infections - pathogenesis, immunity, laboratory investigation and control. 19 ed. Elsevier, 2018. 620-621.
  • ZEIBIG, Elizabeth A. Clinical Parasitology. 2 ed. United States of America: Elsevier, 2013. 223-227.
Revisão clínica:
Marcela Lemos
Biomédica
Mestre em Microbiologia Aplicada, com habilitação em Análises Clínicas e formada pela UFPE em 2017 com registro profissional no CRBM/ PE 08598.