Tendão de Aquiles rompido: sintomas, tratamento (e recuperação)

A ruptura do tendão de Aquiles acontece quando o tendão que conecta os músculos da panturrilha ao calcanhar sofre uma lesão súbita e se rompe parcial ou totalmente.

Quando o tendão se rompe, a pessoa pode sentir uma dor intensa atrás do tornozelo, ouvir um estalo e apresentar dificuldade para empurrar o pé ou ficar na ponta dos dedos, geralmente ocorrendo durante atividades físicas.

Em casos de ruptura parcial, normalmente não é necessária cirurgia, porque o tendão consegue se regenerar, ainda assim, a fisioterapia é indicada para recuperação da força. Já nas rupturas totais, a cirurgia é necessária.

Imagem ilustrativa número 1

Sintomas de ruptura do tendão de Aquiles

Os principais sintomas de rompimento do tendão de Aquiles são:

  • Dor súbita e intensa na parte de trás do tornozelo;
  • Sensação de “estalo” no momento da lesão;
  • Inchaço e hematomas próximos ao calcanhar;
  • Dificuldade ou incapacidade de empurrar o pé para baixo;
  • Fraqueza ou instabilidade ao caminhar;
  • Impossibilidade de ficar na ponta dos dedos do pé.

Além disso, a área onde o tendão está rompido pode ficar sensível ao toque, e às vezes é possível perceber uma lacuna no tendão, o que indica que ocorreu uma ruptura.

Como é feito o diagnóstico

O diagnóstico de uma ruptura do tendão de Aquiles é geralmente feito pelo ortopedista, a partir de um exame físico detalhado, avaliando a região do tornozelo, e observando a capacidade de movimentar o pé.

O médico pode realizar o teste de Thompson, que consiste em apertar a panturrilha enquanto a pessoa está deitada de barriga para baixo; se o pé não se movimentar, isso indica que o tendão de Aquiles está rompido.

Em caso de sintomas de tendão de Aquiles rompido, marque consulta com o ortopedista mais próximo de você:

Disponível em: São Paulo, Rio de Janeiro, Distrito Federal, Pernambuco, Bahia, Maranhão, Pará, Paraná, Sergipe e Ceará.

Embora muitas vezes o exame físico seja suficiente, exames de imagem, como ultrassonografia ou ressonância magnética, podem ser usados para confirmar a ruptura e determinar sua extensão. Veja como é feita a ressonância magnética do tornozelo.

É importante que o diagnóstico e o início do tratamento ocorram rapidamente, idealmente nas primeiras 48 horas, para que a recuperação seja mais eficaz.

Principais causas

O rompimento do tendão de Aquiles pode ocorrer por:

  • Movimentos rápidos, como arrancadas, paradas bruscas e mudanças de direção rápidas, como acontece no futebol, basquete e tênis;
  • Dobrar o tornozelo bruscamente para cima, como ao tropeçar em um degrau, descer escadas ou pisar em um buraco;
  • Tendinites de repetição, podem enfraquecer o tendão ao longo do tempo e aumentar a chance de ruptura.
Leia também: Dor no tendão de Aquiles: 5 causas e o que fazer tuasaude.com/tendinite-do-tendao-de-aquiles

Além disso, o rompimento do tendão pode ser favorecido por condições como obesidade, diabetes e artrite, assim como pelo uso com frequência de antibióticos como ciprofloxacina e levofloxacina, ou injeções de corticosteroides.

Outro fator que pode enfraquecer o tendão e aumentar o risco de ruptura é a prática de esportes de alta intensidade de forma esporádica, característica da chamada síndrome do “Guerreiro de Fim de Semana”.

Como é feito o tratamento

O tratamento indicado pelo ortopedista pode variar de acordo com o grau da ruptura, idade, nível de atividade física e a condições de saúde de cada pessoa, podendo incluir:

1. Imobilização

A imobilização é o tipo de tratamento mais comum em pessoas menos ativas, idosos ou com condições de saúde que aumentam os riscos da cirurgia, como diabetes ou problemas circulatórios.

O pé e o tornozelo são imobilizados com uma bota ortopédica, gesso ou órtese, mantendo o pé apontado para baixo para aproximar as extremidades do tendão e permitir que ele cicatrize sozinho.

Durante este tipo de tratamento, é importante evitar qualquer atividade como caminhar por mais de 500 metros, subir escadas, e não deve colocar o peso do corpo sob o pé, embora possa pousar o pé no chão quando estiver sentado.

A imobilização evita os riscos da cirurgia, mas apresenta maior chance do tendão romper novamente. No entanto, quando acompanhado de fisioterapia precoce, apresenta resultados semelhantes aos da cirurgia.

2. Cirurgia

A cirurgia é geralmente indicada para pessoas mais jovens e ativas ou quando há ruptura completa do tendão de Aquiles, sendo feita por:

  • Reparo aberto do tendão de Aquiles: nesse tipo de cirurgia, o médico faz um corte maior na parte de trás do tornozelo para costurar diretamente o tendão rompido;
  • Reparo minimamente invasivo do tendão de Aquiles: esse procedimento utiliza pequenos cortes e instrumentos especiais para unir o tendão, causando menos dor, deixando cicatrizes menores e permitindo um retorno mais rápido às atividades.

Após a cirurgia, é indicado repouso da perna nos primeiros dias, com a recomendação de mantê-la elevada acima do nível do coração para ajudar a reduzir o inchaço e a dor. 

O ortopedista normalmente coloca uma bota ortopédica, gesso ou tala para proteger o tendão e limitar os movimentos, durante cerca de 6 a 8 semanas.

Entretanto, dependendo do tipo de cirurgia e da evolução de cada pessoa, pode ocorrer apoio gradual do pé no chão e início precoce da fisioterapia. O uso de muletas pode ser necessário no início.

3. Fisioterapia

Independentemente do tipo de tratamento inicial, a fisioterapia é fundamental para recuperar a força, a flexibilidade e a mobilidade do tendão de Aquiles, sempre após a liberação do ortopedista. 

O tratamento fisioterapêutico pode incluir recursos como ultrassom, laser e outros estímulos, usados como apoio para aliviar a dor e favorecer a circulação local.

Também são utilizadas técnicas de mobilização articular, envolvendo o joelho, tornozelo e pé, além de compressas frias, massoterapia e alongamentos suaves dos músculos da perna. 

À medida que a dor e a inflamação diminuem, inicia-se o fortalecimento progressivo da panturrilha, geralmente com faixas elásticas de diferentes resistências. 

Na fase final, são incluídos exercícios de propriocepção, que ajudam a recuperar o equilíbrio, a coordenação e a segurança ao caminhar.

Leia também: Propriocepção: o que é, para que serve ( com exercícios) tuasaude.com/propriocepcao

Como é a recuperação

A recuperação da ruptura do tendão de Aquiles varia conforme a gravidade da lesão e a evolução de cada pessoa, costuma levar de quatro a seis meses e acontece em etapas, como:

  • Primeiras semanas, o objetivo é controlar a dor e o inchaço, protegendo o tendão para que ele cicatrize corretamente;
  • Fase de reabilitação, na qual a fisioterapia tem papel essencial para recuperar o movimento, a força e a confiança ao caminhar;
  • Retorno às atividades do dia a dia, que acontecem de forma progressiva. Já atividades de maior impacto, como esportes, exigem mais tempo e cautela.

De modo geral, a cirurgia reduz o risco de nova ruptura, mas pode envolver complicações que atrasam o processo, como infecções, problemas na cicatrização da ferida, e, no caso de técnicas minimamente invasivas, lesão do nervo sural.

Tendão de Aquiles rompido volta ao normal?

Quando o tendão de Aquiles se rompe, ele não volta exatamente ao estado original, mas pode recuperar boa parte da função com o tratamento adequado e fisioterapia. 

O tendão cicatriza, tornando-se mais forte com o tempo, mas a estrutura interna pode ficar um pouco diferente, e a força ou flexibilidade completa pode levar meses para voltar, especialmente em atividades de alto impacto.