Refluxo gastroesofágico: o que é, sintomas, causas e tratamento

Revisão médica: Dr.ª Clarisse Bezerra
Médica de Saúde Familiar
fevereiro 2022

O refluxo gastroesofágico é o retorno do conteúdo do estômago para o esôfago e em direção à boca, causando dor e inflamação constante da parede do esôfago, e isso acontece quando o músculo e esfíncteres que deveriam impedir que o ácido do estômago saia do seu interior não funcionam de forma adequada.

O grau da inflamação causada no esôfago pelo refluxo depende da acidez do conteúdo do estômago e da quantidade de ácido que entra em contato com a mucosa do esôfago, podendo causar uma doença chamada esofagite, porque o revestimento do estômago o protege contra os efeitos de seus próprios ácidos, mas o esôfago não possui essas características, sofrendo uma sensação desconfortável de queimação, chamada azia.

Os sintomas de refluxo são bastante desconfortáveis e, por isso, é importante que o gastroenterologista seja consultado para que possa ser feita uma avaliação e indicado o tratamento mais adequado, que normalmente envolve o uso de medicamentos que diminuem a produção de ácido pelo estômago e ajudam a aliviar os sintomas.

Sintomas de refluxo

Os sintomas de refluxo podem surgir minutos ou poucas horas após a alimentação, sendo principalmente notada pela sensação de queimação no estômago e sensação de peso no estômago. Outros sintomas comuns de refluxo são:

  • Sensação de queimação que pode atingir a garganta e peito, além do estômago;
  • Arroto;
  • Azia;
  • Indigestão;
  • Tosse seca frequente após comer;
  • Regurgitação dos alimentos
  • Dificuldade para engolir os alimentos;
  • Laringite;
  • Crises de asma ou infecções de vias aéreas superiores de repetição.

Os sintomas tendem a piorar quando dobra-se o corpo para baixo para pegar algo do chão, por exemplo, ou quando a pessoa permanece na posição horizontal após a refeição, como ocorre na hora de dormir. O refluxo constante pode provocar uma intensa inflamação na parede do esôfago, chamada de esofagite, que, se não for tratada corretamente, pode até levar ao câncer. Veja mais sobre a esofagite.

Sintomas de refluxo em bebês

O refluxo em bebês também provoca retorno do conteúdo dos alimentos do estômago em direção à boca, por isso, alguns dos sinais e sintomas que podem indicar esta situação são vômitos constantes, sono agitado, dificuldade para mamar e ganhar peso e rouquidão devido à inflamação da laringe.

Além disso, o bebê pode desenvolver otites de repetição devido à inflamações frequentes das vias aéreas ou até pneumonia aspirativa, devido à entrada de alimentos nos pulmões. Saiba reconhecer os sinais e sintomas de refluxo em bebês.

Causas de refluxo gastroesofágico

O refluxo gastroesofágico normalmente surge devido a alterações anatômicas ou no funcionamento do esfíncter que está presente entre o esôfago e o estômago e que tem como função permitir a entrada do alimento no estômago e impedir o seu retorno. No entanto, quando apresenta alterações funcionais, por exemplo, é possível que o conteúdo gástrico retorne para o esôfago, resultando nos sintomas.

Apesar de estar principalmente relacionada com alterações no esfíncter, o que pode ser também devido ao uso de alguns medicamentos que podem interferir no seu funcionamento, como alguns anti-histamínicos, antidepressivos e bloqueadores dos canais de cálcio, por exemplo, é possível que o refluxo gastroesofágico seja resultado da presença de hérnia de hiato ou fragilidade dos músculos da região.

Além disso, alguns fatores podem favorecer a ocorrência do refluxo, como obesidade, alimentação rica em alimentos gordurosos, refeições muito volumosas, principalmente antes de dormir, consumo de álcool e bebidas com cafeína e gasosas e tabagismo.

Como é feito o diagnóstico

O diagnóstico para refluxo gastroesofágico deve ser feito pelo gastroenterologista, pediatra ou clínico geral a partir da avaliação dos sinais e sintomas apresentados pela pessoa. Além disso, é indicada a realização de alguns exames para confirmar o diagnóstico e verificar a gravidade do refluxo.

Assim, pode ser indicado pelo médico a realização de esofagomanometria e medição do pH em 24 h que relaciona os sintomas apresentados com alterações da acidez do suco gástrico para determinar o numero de vezes que ocorre o refluxo.

Além disso, pode ser indicada também a realização de endoscopia digestiva para observar as paredes do esôfago, estômago e início do intestino e identificar a possível causa do refluxo. Saiba como a endoscopia é feita.

Como é o tratamento para refluxo

O tratamento para refluxo pode ser feito com medidas simples, como fazer uma alimentação adequada ou usar remédios como a domperidona, que aceleram o esvaziamento gástrico, omeprazol ou esomeprazol, que reduzem a quantidade de ácido no estômago ou antiácidos, que neutralizam a acidez já presente no estômago. Veja os remédios mais usados para tratar o refluxo gastroesofágico.

As alterações alimentares na doença do refluxo gastroesofágico são necessárias, mas devem ser adaptadas ao tratamento medicamentoso e também personalizadas. Geralmente, a pessoa com refluxo deve eliminar ou reduzir o consumo de bebidas alcoólicas, alimentos ricos em gordura, como frituras e produtos industrializados e chocolate além de evitar o cigarro e refrigerantes. Além disso, a última refeição do dia deve ser feita, no mínimo, 3 horas antes de deitar, para evitar que o conteúdo do estômago volte para a boca.

Confira no vídeo a seguir mais dicas de alimentação para refluxo:

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Atualizado por Equipe Editorial do Tua Saúde, em fevereiro de 2022. Revisão médica por Dr.ª Clarisse Bezerra - Médica de Saúde Familiar, em janeiro de 2021.

Bibliografia

  • SOCIEDADE PORTUGUESA DE GASTROENTEROLOGIA. Doença de refluxo gastro-esofágico: normas de orientação clínica. 2012. Disponível em: <https://www.spg.pt/wp-content/uploads/2015/11/NOC_drge.pdf>. Acesso em 06 jan 2021
  • JUNIOR, Luiz João A. Doença do refluxo gastroesofágico. JBM. Vol 102. 6 ed; 31-36, 2014
Mostrar bibliografia completa
  • PUCCINI, Flávia R. S.; BERRETIN-FELIX, Giédre. Refluxo gastroesofágico e deglutição em recém nascidos e lactentes: revisão integrativa da literatura. Rev. CEFAC. Vol 17. 5 ed; 1664-1673, 2015
Revisão médica:
Dr.ª Clarisse Bezerra
Médica de Saúde Familiar
Formada em Medicina pelo Centro Universitário Christus e especialista em Saúde da Família pela Universidade Estácio de Sá. Registro CRM-CE nº 16976.

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