Endoscopia digestiva: o que é, para que serve e preparo

Revisão médica: Dr.ª Clarisse Bezerra
Médica de Saúde Familiar
abril 2022

A endoscopia é um exame realizado pelo gastroenterologista para avaliar o esôfago, estômago e o duodeno, que é a porção inicial do intestino, indicado para investigar a causa de sintomas como dor no estômago, azia, queimação, refluxo, dificuldade para engolir ou sangramento gastrointestinal, por exemplo. 

Esse exame, também chamado de endoscopia digestiva alta, é feito introduzindo um fino tubo, chamado endoscópio, através da boca até ao estômago, para permitir observar de forma detalhada o sistema digestivo, e diagnosticar condições de saúde como gastrite, úlceras ou até câncer. 

A endoscopia pode ser realizada gratuitamente pelo SUS, desde que tenha indicação médica, mas também é realizada em hospitais ou clínicas de exames particulares, e os resultados devem ser analisados pelo clínico geral ou gastroenterologista.

Para que serve

A endoscopia digestiva alta é indicada para diagnosticar algumas doenças do sistema digestivo, como:

  • Gastrite;
  • Úlcera gástrica ou duodenal;
  • Varizes esofágicas;
  • Pólipos;
  • Hérnia de hiato;
  • Refluxo gastroesofágico;
  • Doença celíaca;
  • Esofagite;
  • Estreitamento do esôfago;
  • Tumor ou câncer de esôfago, estômago ou duodeno.

Além disso, a endoscopia digestiva alta também pode ser indicada para identificar a bactéria Helicobacter pylori, que pode causar úlcera no estômago.

Como se preparar para endoscopia

Para a realização da endoscopia digestiva alta, devem ser tomados alguns cuidados, como:

  • Fazer jejum absoluto de cerca de 8 a 12 horas, antes do exame;
  • Não utilizar medicamentos antiácidos, como cimetidina e omeprazol, pois podem interferir no exame;
  • Informar ao médico sobre o uso de remédios anticoagulantes, como varfarina, heparina, rivaroxabana ou ácido acetilsalicílico, pois o médico pode orientar suspender esses medicamentos alguns dias antes do exame;

É permitido tomar água até 4 horas antes do exame, e caso seja necessário tomar outros medicamentos, deve-se usar apenas pequenos goles de água para ajudar, evitando que o estômago fique cheio.

Como é feito o exame

Durante o exame, a pessoa normalmente fica deitada de lado e coloca um anestésico na garganta, para diminuir a sensibilidade do local e facilitar a passagem do endoscópio. Devido ao uso do anestésico o exame não dói, e em alguns casos também podem ser usados sedativos para relaxar e dormir. 

Um pequeno objeto de plástico é colocado na boca para que ela se mantenha aberta durante todo o procedimento, e para facilitar a passagem do endoscópio e melhorar a visualização, o médico libera ar através do aparelho, o que depois de alguns minutos pode causar sensação de estômago cheio.

As imagens obtidas durante o exame podem ser gravadas, e durante o mesmo procedimento o médico pode retirar pólipos ou aplicar medicamentos no local.

Além disso, durante a endoscopia também é possível fazer uma biópsia, na qual um pequeno pedaço do órgão é retirado e enviado para análise em laboratório, auxiliando no diagnóstico de problemas mais graves como infecção por H. pylori ou câncer. Veja os sintomas de câncer de estômago e como identificar uma possível infecção por H. pylori

Quanto tempo dura a endoscopia

A endoscopia normalmente tem duração de cerca de 30 minutos, mas geralmente é aconselhado ficar na clínica para observação durante 30 a 60 minutos, quando os efeitos dos anestésicos passam.

É comum a garganta ficar dormente ou um pouco dolorida, além de se ter a sensação de estufamento, devido ao ar colocado no estômago durante o exame.

Caso tenham sido utilizados sedativos, é aconselhado não dirigir ou operar máquinas pesadas durante o restante do dia, pois o medicamento diminui os reflexos corporais.

Possíveis riscos da endoscopia

As complicações ligadas ao exame de endoscopia são raras e ocorrem principalmente após procedimentos mais demorados, como a retirada de pólipos.

Em geral, as complicações que ocorrem costumam ser devido a alergias aos medicamentos utilizados e à presença de problemas nos pulmões ou no coração, além de poder ocorrer perfuração de algum órgão interno e hemorragia.

Assim, se após o procedimento surgirem sintomas de febre, dificuldade para engolir, dores abdominais, vômitos ou fezes escuras ou com sangue vivo, deve-se ir ao hospital procurar ajuda para avaliar se houve alguma complicação devido à endoscopia.

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Atualizado por Flávia Costa - Farmacêutica, em abril de 2022. Revisão médica por Dr.ª Clarisse Bezerra - Médica de Saúde Familiar, em abril de 2020.

Bibliografia

  • ISOLDI, S.; et al. Gastrointestinal endoscopy in children and adults: How do they differ?. Dig Liver Dis. 53. 6; 697-705, 2021
  • PREFEITURA MUNICIPAL DE CAMPINAS. MANUAL DE ENDOSCOPIA. Disponível em: <http://www.saude.campinas.sp.gov.br/saude/especialidades/manual_endoscopia.pdf>. Acesso em 10 abr 2020
Mostrar bibliografia completa
  • FMRP-USP. Cap.6- Protocolo Clínico e de Regulação de Acesso e de Preparo para Endoscopia Digestiva. 2017. Disponível em: <http://rca.fmrp.usp.br/wp-content/uploads/sites/176/2017/06/432_Digestiva_Diversas_protocolo_clinico_e_de_regulacao_do_acesso_para_endoscopia_digestiva.pdf>. Acesso em 10 abr 2020
Revisão médica:
Dr.ª Clarisse Bezerra
Médica de Saúde Familiar
Formada em Medicina pelo Centro Universitário Christus e especialista em Saúde da Família pela Universidade Estácio de Sá. Registro CRM-CE nº 16976.