Pupilas dilatadas: 7 principais causas e o que fazer

outubro 2022

A pupila dilatada normalmente acontece devido a situações de estresse, medo ou dor e após o uso de colírios para realização de exames oftalmológicos, por exemplo, nem sempre sendo necessário tratamento específico.

No entanto, quando a pupila dilatada é acompanhada de sintomas como confusão mental, agitação, dor de cabeça, náusea ou suor intenso, pode ser indicativo de intoxicação por medicamentos, uso de drogas ilícitas e até tumores cerebrais, sendo importante consultar um médico para que a causa possa ser identificada. 

Caso a pupila permaneça dilatada ou a dilatação seja acompanhada de outros sintomas é importante consultar um oftalmologista, neurologista ou clínico geral para uma avaliação, porque o tratamento adequado depende da identificação da causa e pode envolver desde o uso de medicamentos analgésicos até cirurgia.

Possíveis causas

As principais causas de pupilas dilatadas são:

1. Estado de alerta

Um estado de alerta pode ocorrer devido a situações de estresse, tensão e medo, podendo causar pupilas dilatadas de ambos os olhos e provocar outros sintomas como coração acelerado, respiração rápida e palidez.

Além disso, a atração física também pode causar um estado semelhante e provocar a dilatação das pupilas, no entanto, a dilatação não pode ser utilizada como medidor da vontade ou atração sexual.

O que fazer: as pupilas dilatadas causadas pelo estado de alerta normalmente não é considerada um problema e as pupilas tendem a retornar ao normal em alguns minutos após a situação ter passado e ocorrer o relaxamento do corpo.

2. Dor

A dor causada por pancadas, pedras nos rins e cirurgias, por exemplo, pode causar pupilas dilatadas e, dependendo da sua intensidade, também pode provocar outros sintomas como coração acelerado e respiração rápida. 

O que fazer: neste caso, a dilatação das pupilas tende a melhorar na medida em que a dor passa e, dependendo da sua intensidade e duração, podem ser indicados medicamentos analgésicos, como paracetamol e anti-inflamatórios não esteroides, que devem ser utilizados apenas com orientação médica. Conheça os principais anti-inflamatórios não esteroides e como usar.

3. Uso de alguns colírios

Os colírios utilizados para realizar o exame oftalmológico deixam as pupilas dilatadas para permitir a visualização do fundo do olho. Neste caso, enquanto as pupilas estiverem dilatadas também pode ocorrer visão embaçada e maior sensibilidade à luz. Saiba como é feito o exame oftalmológico.

O que fazer: nesse caso, as pupilas tendem a voltar ao normal sem tratamento específico em cerca de 3 a 8 horas, no entanto, algumas pessoas podem demorar até um dia para apresentar melhora.

Enquanto as pupilas estiverem dilatadas é recomendado evitar dirigir ou realizar outras tarefas que possam colocar a vida em risco. Além disso, em caso de maior sensibilidade à luz, o uso de óculos escuros pode ajudar a aliviar o sintoma.

4. Uso de drogas ilícitas

Algumas drogas ilícitas, como anfetamina e cocaína, por exemplo, além de causarem alterações psicológicas e comportamentais, como agitação e ansiedade, também podem causar a dilatação das pupilas e outros sintomas como dor no peito e suor intenso. Saiba quais são os sinais que podem indicar o uso de drogas.

O que fazer: neste caso, a dilatação das pupilas tende a melhorar mesmo sem tratamento específico na medida em que os efeitos da droga passam. No entanto, sintomas como agitação intensa, dor no peito ou falta de ar podem indicar intoxicações mais graves pela droga, sendo recomendado procurar uma emergência nestes casos. 

 O uso de drogas ilícitas não é recomendado e em caso de suspeita de dependência é importante consultar um médico, preferencialmente um psiquiatra, para uma avaliação e orientação adequada. Saiba como identificar os sinais de dependência.

5. Intoxicação por medicamentos

Alguns medicamentos anticolinérgicos, como antidepressivos, antialérgicos e antiespasmódicos, por exemplo, quando utilizados sem indicação médica e em doses acima das recomendadas podem causar intoxicação.

Neste caso, além de pupilas dilatadas, os medicamentos podem provocar outros sintomas como confusão mental, vermelhidão da pele, mucosas secas e febre.

O que fazer: em caso de suspeita de intoxicação, é recomendado procurar uma emergência para uma avaliação detalhada e iniciar o tratamento apropriado, que pode envolver medidas como o uso de medicamentos sedativos e a hidratação com soro fisiológico pela veia. Saiba o que fazer em caso de intoxicação e como é o tratamento.      

6. Pancadas

Pancadas no olho podem danificar a íris e fazer com que a pupila do olho afetado fique dilatada. Neste caso, a pupila do olho afetado também pode apresentar um formato anormal e dificuldade para reagir ao estímulo com luz. 

O que fazer: a dilatação das pupilas causada por pancadas tende a melhorar em algumas semanas sem necessidade de tratamento específico, no entanto, algumas pessoas podem permanecer com a pupila dilatada. Neste caso, é importante consultar um oftalmologista para uma avaliação e o seu tratamento pode envolver cirurgia.

7. Tumores no cérebro

Tumores no cérebro podem causar pupilas dilatadas, que geralmente são acompanhadas de outros sintomas como dor de cabeça, náusea e vômitos. Além disso, também podem ocorrer outros sintomas como crise convulsiva, fraqueza em partes do corpo e episódios de perda transitória da visão. Confira mais sintomas de tumores no cérebro.

O que fazer: em caso de suspeita de um tumor cerebral é recomendado procurar uma emergência para uma avaliação e exames como a tomografia computadorizada ou ressonância magnética podem ser indicados para confirmar o diagnóstico. 

Neste caso, a pupila dilatada tende a melhorar com o tratamento do tumor, que pode envolver medidas como cirurgia e quimioterapia. Veja as principais opções de tratamento dos tumores no cérebro.

Esta informação foi útil?

Atualizado por Jonathan Panoeiro - Neuropediatra, em outubro de 2022. Revisão médica por Dr.ª Clarisse Bezerra - Médica de Saúde Familiar, em maio de 2020.

Bibliografia

  • STATPEARLS. Uncal Herniation. 2022. Disponível em: <https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK537108/>. Acesso em 19 out 2022
  • PALMERI, Antonio; VALENTINIS, Luca; ZANCHIN, Giorgio. Update on headache and brain tumors. Cephalalgia. Vol.41, n.4. 431-437, 2021
Mostrar bibliografia completa
  • THUMA, Tobin B. T. et al. Resolution of traumatic mydriasis and accommodative dysfunction eight years after sweetgum ball ocular injury. Am J Ophthalmol Case Rep. Vol.26. 2022
  • STATPEARLS. Cocaine Toxicity. 2022. Disponível em: <https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK430976/>. Acesso em 19 out 2022
  • STATPEARLS. Anticholinergic Toxicity. 2022. Disponível em: <https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK534798/>. Acesso em 19 out 2022
  • PERAGALLO, Jason; BIOUSSE, Valérie; NEWMAN, Nancy J. Ocular manifestations of drug and alcohol abuse. Curr Opin Ophthalmol. Vol.24, n.6. 566–573, 2015
  • STATPEARLS. Tropicamide. 2022. Disponível em: <https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK541069/>. Acesso em 19 out 2022
  • TANK, A. W; WONG, Dona L. Peripheral and Central Effects of Circulating Catecholamines. Wiley Online Library. Vol.5, n.1. 2015
  • STATPEARLS. Neuroanatomy, Pupillary Dilation Pathway. 2022. Disponível em: <https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK535421/>. Acesso em 19 out 2022
  • BOWLING, Brad. KANSKI: Oftalmologia Clínica - uma abordagem sistêmica. 8ª edição. Rio de Janeiro: Elsevier, 2016.
Revisão médica:
Dr.ª Clarisse Bezerra
Médica de Saúde Familiar
Formada em Medicina pelo Centro Universitário Christus e especialista em Saúde da Família pela Universidade Estácio de Sá. Registro CRM-CE nº 16976.