Pólipos no estômago: o que são, sintomas, causas e tratamento

Revisão médica: Dr. Gonzalo Ramirez
Clínico Geral e Psicólogo
agosto 2022

Os pólipos no estômago são massas de células que podem surgir devido à proliferação excessiva de células presentes na mucosa no estômago, e na maioria das vezes não causam sintomas, sendo descobertos em exames de rotina. No entanto, quando são grandes, podem levar ao surgimento de feridas ou úlceras, resultando em sintomas, como dor abdominal, náusea ou fezes com sangue.  

Os pólipos no estômago, também chamados de pólipos gástricos, podem ser causados por inflamações no estômago, como a gastrite, ou por uso frequente de remédios antiácidos, por exemplo, sendo mais frequente de ocorrer em pessoas com mais de 50 anos.

O tratamento dos pólipos no estômago é feito pelo gastroenterologista, com a remoção cirúrgica dos pólipos para evitar complicações, como sangramentos, infecções ou obstrução do estômago.

Sintomas de pólipos no estômago

Os principais sintomas de pólipos no estômago são:

  • Azia;
  • Refluxo gastroesofágico;
  • Dor ou desconforto abdominal;
  • Má digestão;
  • Sensação de estômago cheio;
  • Aumento da produção de gás;
  • Náuseas;
  • Cansaço excessivo;
  • Sangue nas fezes ou fezes escuras;
  • Vômito com sangue;
  • Diminuição da pressão arterial.

Geralmente, os sintomas de pólipos no estômago aparecem quando o pólipo é muito grande, levando ao surgimento de feridas ou úlceras, sangramentos ou até obstrução do estômago. 

É importante consultar o clínico geral ou gastroenterologista na presença dos sintomas de pólipos gástricos para que seja feita uma endoscopia para identificar a presença do pólipo e realizar o tratamento.

Pólipos no estômago podem virar câncer?

Na maioria dos casos os pólipos no estômago são benignos e têm baixa probabilidade de virar câncer, no entanto nos casos dos pólipos adenomatosos ou no caso de polipose adenomatosa familiar, há maior risco de virar câncer.

Como confirmar o diagnóstico

O diagnóstico dos pólipos no estômago é feito pelo gastroenterologista a partir da realização de exame de imagem, como a endoscopia, que tem como objetivo observar o interior do estômago, sendo então possível visualizar a presença de pólipos. Veja como é feita a endoscopia.   

Caso seja identificado o pólipo, é feita uma biópsia em que é coletada uma pequena porção desse pólipo para que analisado em laboratório e definido o tipo de pólipo. Entenda o que é e como é feita a biópsia.

Tipos de pólipos no estômago

Os pólipos no estômago podem ser classificados de acordo com as características das células, sendo os principais:

  • Pólipo de glândulas fúndicas: é o tipo mais comum de pólipo gástrico que podem estar presentes no fundo do estômago ou na sua porção superior. Geralmente, são encontrados em exames endoscópicos de rotina, e raramente se transformam em câncer;
  • Pólipo hiperplásico: esse tipo de pólipo gástrico geralmente aparece espalhado por todo o estômago ou próximos à úlceras no estômago. Apesar de ter um menor risco de se transformar em câncer, o pólipo hiperplásico pode levar ao surgimento de câncer na parede do estômago, principalmente nos casos de gastrite crônica;
  • Pólipo adenomatoso: normalmente encontrado próximo ao fundo do estômago, sendo geralmente o início de um câncer de estômago. Esse tipo de pólipo deve ser removido pelo médico durante a endoscopia, pois pode também aumentar o risco de desenvolvimento de câncer no intestino ou em outras partes do corpo.

O tipo de pólipo gástrico é definido através do resultado da biópsia ou da remoção cirúrgica do pólipo durante a endoscopia e análise das células em laboratório. 

Possíveis causas

As causas dos pólipos no estômago, ainda não são completamente esclarecidas, no entanto, acredita-se que está relacionada à irritação ou inflamação crônica do estômago, resultando em uma proliferação excessiva das células do revestimento do estômago.

Alguns fatores podem contribuir para o desenvolvimento dos pólipos no estômago, como: 

  • Histórico familiar de polipose adenomatosa familiar;
  • Gastrite;
  • Refluxo gastroesofágico;
  • Infecção pela bactéria Helicobacter pylori no estômago;
  • Esofagite;
  • Uso crônico de remédios inibidores da bomba de prótons, como o omeprazol ou lanzoprazol, por exemplo.

Além disso, a idade também pode aumentar o risco de surgimento de pólipos gástricos, sendo mais frequente de acontecer após os 50 anos.

Como é feito o tratamento

O tratamento dos pólipos gástricos é feito com a orientação do gastroenterologista e depende do tipo, tamanho, localização, quantidade, sintomas relacionados e da probabilidade do pólipo se tornar câncer. 

Assim, os principais tratamentos indicados pelo gastroenterologista são:

  • Monitoramento periódico, para avaliar o crescimento dos pólipos, através da endoscopia, que pode ser realizada a cada 3 a 6 meses no caso de infecção por H. pylori ou a cada 12 meses, no caso de pólipos sem displasia, por exemplo;
  • Remoção dos pólipos durante a endoscopia, quando são maiores do que 5 mm, são do tipo adenomatoso, ou existe histórico polipose adenomatosa familiar;
  • Uso de remédios inibidores da bomba de prótons, por 4 a 8 semanas, após a biópsia ou remoção dos pólipos por endoscopia;
  • Uso de antibióticos, como claritromicina, amoxicilina ou metronidazol, para o tratamento do H. pylori. Confira outros tratamentos para o H. pylori.

Além disso, no caso dos pólipos gástricos terem surgido devido ao uso crônico de remédios inibidores da bomba de prótons, o médico pode indicar a interrupção do seu uso e repetir a endoscopia em 12 meses.

Dieta para pólipo no estômago

A dieta para pólipo no estômago geralmente é recomendada pelo médico para auxiliar no tratamento da gastrite, úlcera estomacal, refluxo gastroesofágico ou infecção pelo H. pylori, ajudando a aliviar os sintomas de azia, má digestão ou sensação de estômago cheio, devendo ser feita de preferência com orientação do nutricionista.

Assim, pode ser recomendado o consumo de frutas, legumes e verduras cozidos, grãos, laticínios light, pão, e carnes magras, e evitar alimentos muito quentes, bebidas alcoólicas, refrigerantes, sanduíches, fast food, frituras e doces em geral. Veja como deve ser a dieta para gastrite e úlcera

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Atualizado e revisto clinicamente por Dr. Gonzalo Ramirez - Clínico Geral e Psicólogo, em agosto de 2022.

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Revisão médica:
Dr. Gonzalo Ramirez
Clínico Geral e Psicólogo
Clínico geral pela UPAEP com cédula profissional nº 12420918 e licenciado em Psicologia Clínica pela UDLAP nº 10101998.