Perda auditiva: o que é, sintomas, causas e tratamento

Revisão clínica: Rosa Maria Rodriguez Antonio
Fonoaudióloga
abril 2022

A perda auditiva é uma diminuição da capacidade de percepção dos sons, o que pode dificultar a compreensão e a comunicação, e pode ser identificada por meio de alguns sintomas que podem surgir ao longo do tempo, como falar muito alto, assistir à televisão ou ouvir música muito alta, ou ter a sensação de que o ouvido está tampado.

Geralmente, a perda auditiva, que também é chamada de hipoacusia, é mais comum de acontecer como consequência do envelhecimento, mas também pode acontecer devido a ruídos excessivos ou otites frequentes, por exemplo.

O diagnóstico da perda auditiva é feito pelo otorrinolaringologista e, assim, possa ser iniciado o tratamento mais adequado, que pode ser feito com o uso de aparelhos auditivos, limpeza do ouvido, e em alguns casos, cirurgia.

Principais sintomas

Os principais sintomas da perda auditiva são dificuldade em ouvir sons claramente, que podem parecer abafados, ou entender mal o que as pessoas dizem, o que pode ser identificado através de alguns sinais como:

  • Ouvir mas ter dificuldade para entender o que as pessoas falam;
  • Pedir às pessoas para repetir o que falam, falar mais alto ou devagar;
  • Fazer leitura labial para entender o que foi falado;
  • Ter que se concentrar mais ao conversar com as pessoas;
  • Dificuldade em conversar ao telefone, compreendendo todas as palavras;
  • Ouvir TV ou música com volume mais alto do que outras pessoas;
  • Necessidade de aumentar o volume da TV ou rádio para ouvir melhor;
  • Falar muito alto, sendo identificado pelos familiares ou amigos;
  • Ter a sensação de ouvido tampado ou ouvir um pequeno zumbido no ouvido;
  • Dificuldade de se comunicar em locais com muito barulho.

Além disso, devido à dificuldade de comunicação, a pessoa com perda auditiva, pode isolar-se do convívio social, por não entender com clareza o que as pessoas dizem.

Graus de perda auditiva

A perda auditiva pode ser classificada em diferentes graus, que incluem:

  • Leve: quando a pessoa apenas ouve a partir dos 25 decibéis até aos 40, sendo difícil entender a fala dos familiares e amigos em ambientes ruidosos, além de não conseguir ouvir o tic-tac do relógio ou um passarinho cantando;
  • Moderada: quando a pessoa ouve apenas a partir dos 41 até aos 55 decibéis, sendo difícil ouvir uma conversa em grupo;
  • Acentuada: a capacidade de ouvir apenas ocorre a partir dos 56 até aos 70 decibéis, sendo que, nestes casos, apenas consegue-se ouvir ruídos fortes como choros de crianças e o de aspirador de pó funcionando e, é necessário o uso de aparelho ou prótese auditiva;
  • Severa: quando a pessoa apenas consegue ouvir a partir dos 71 até aos 90 decibéis e consegue identificar o latidos de cães, sons graves de piano ou o toque do telefone no volume máximo;
  • Profunda: normalmente ouve-se a partir dos 91 decibéis e não se consegue identificar os sons, impedindo a comunicação e a compreensão da fala.

Esta perda da audição pode ser medida através de um aparelho chamado audiômetro, que mede os níveis de audição em decibéis.

Como confirmar o diagnóstico

A perda auditiva em adultos e crianças é diagnosticada pelo otorrinolaringologista através da análise dos sintomas e do exame clínico avaliando o ouvido para determinar se existe alguma condição, como excesso de cera ou infecção no ouvido, que possa estar causando a perda da audição.

Além disso, o médico pode indicar o exame de audiometria para avaliar a capacidade auditiva na interpretação de sons e palavras, e diagnosticar a perda auditiva e o seu grau. Entenda como é feito o exame de audiometria.

Possíveis causas

A principal causa de perda auditiva é o envelhecimento, ocorrendo frequentemente nos idosos, sendo que nestes casos, a diminuição da audição é conhecida por presbiacusia.

No entanto, a perda auditiva pode ocorrer devido a algumas situações, como:

  • Excesso de cera no ouvido;
  • Presença de líquido, como secreções, no ouvido médio;
  • Otites frequentes;
  • Ruptura ou perfuração do tímpano;
  • Ruído excessivo, superior a 85 decibéis por longos períodos;
  • Doenças, como esclerose múltipla, lúpus, doença de Paget, meningite, doença de Ménière, pressão alta ou diabetes;
  • Uso de remédios, como quimioterapia, diuréticos da alça ou aminoglicosídeos;
  • Tumor no ouvido ou tumores cerebrais que afetam a parte auditiva.

Além disso, a perda auditiva pode ocorrer devido a otosclerose, que é uma doença onde o estribo, que é um osso do ouvido, deixa de vibrar e o som não consegue passar. Conheça outras causas da perda auditiva.

Como é feito o tratamento

O tratamento da perda auditiva depende da sua causa e é sempre indicado pelo otorrinolaringologista, podendo ser recomendado fazer lavagem ao ouvido, quando tem excesso de cera, tomar antibióticos em caso de otites ou colocar um aparelho auditivo para recuperar parte da audição perdida, por exemplo.

Os principais tratamentos para a perda auditiva são:

1. Lavagem do ouvido

No caso de ter cera acumulada no interior do ouvido, é importante consultar o otorrinolaringologista para fazer lavagem do ouvido com instrumentos específicos, como pinças, que ajudam a remover a cera sem empurrá-la para dentro e sem causar ferimentos no interior do ouvido.

No entanto, o acúmulo de cera no ouvido pode ser evitado, fazendo uma limpeza da parte externa do ouvido durante o banho com água morna, ou ainda usar soro fisiológico estéril, e limpar a parte exterior com a toalha, evitando o uso de cotonetes ou outros objetos finos, pois estes ajudam a empurrar a cera para dentro do ouvido ou levar à perfuração do tímpano. Saiba como limpar o ouvido corretamente.

2. Aspiração o ouvido

Quando existe água no ouvido ou está algum objeto pequeno no interior do ouvido que provoca, além de perda de audição, a sensação de ouvido tapado, deve-se ir no otorrino para que este possa aspirar a água com uma pequena agulha ou remover o objeto com uma pinça.

3. Colocar aparelho auditivo

O aparelho auditivo, também conhecido por prótese acústica, é usado em pacientes que perdem progressivamente a audição, como no caso de idosos e, normalmente, é usado quando a perda auditiva atinge o ouvido médio. Veja mais sobre o aparelho auditivo.

4. Cirurgia ao ouvido

Geralmente, quando a diminuição da audição atinge o ouvido externo ou o ouvido médio, o tratamento inclui a realização de uma cirurgia, como a timpanoplastia ou mastoidectomia, por exemplo, que é feita com anestesia geral, sendo necessário o internamento de 2 a 4 dias.

A maioria das cirurgias do ouvido é feita através do canal auditivo com uso de microscópio ou fazendo um pequeno corte na parte de trás da orelha e têm como objetivo melhorar a capacidade de ouvir.

Algumas das cirurgias mais comuns incluem:

  • Timpanoplastia: é feita para restaurar a membrana do tímpano quando é perfurada;
  • Mastoidectomia: é feita quando ocorre infecção do osso temporal onde está contido as estruturas do ouvido;
  • Estapedectomia: é a substituição do estribo, que é um osso pequenino do ouvido, por uma prótese de plástico ou metal.

Qualquer cirurgia pode trazer complicações, como infecção, sensação de zumbido ou tontura, alteração do paladar, com sensação de gosto metálico ou mesmo, a não recuperação da audição, porém, as consequências são raras.

5. Implante coclear

O implante coclear é indicado pelo otorrinolaringologista quando a perda auditiva é grave, e o uso de aparelhos auditivos não apresentou benefícios para melhorar a audição.

O implante coclear é um aparelho eletrônico colocado cirurgicamente dentro do ouvido que capta o som, com um microfone colocado atrás da orelha, e o transforma em impulsos elétricos diretamente sobre o nervo auditivo, estimulando a audição. Saiba como é feita a cirurgia de implante coclear. /implante-coclear/

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Atualizado por Flávia Costa - Farmacêutica, em abril de 2022. Revisão clínica por Rosa Maria Rodriguez Antonio - Fonoaudióloga, em fevereiro de 2016.

Bibliografia

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Mostrar bibliografia completa
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Fonoaudióloga
Formada pela Universidade Lusíadas de Santos, em 1991, com registro profissional no CRFa. nº 6020.

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