Paralisia infantil: o que é, sintomas, sequelas e prevenção

setembro 2022
  1. Sintomas
  2. Causas
  3. Tratamento
  4. Sequelas
  5. Prevenção

A paralisia infantil, também conhecida como polio ou poliomielite, é uma doença infecciosa grave, causada por um vírus, o poliovírus, que pode causar paralisia permanente de alguns músculos, acontecendo com maior frequência em crianças, no entanto pode também afetar idosos e adultos com o sistema imune enfraquecido ou que não foram vacinados contra a paralisia infantil durante a infância.

O vírus responsável pela paralisia infantil habita naturalmente o intestino, podendo ser transmitido para outras pessoas por meio do contato com objetos, fezes, alimentos ou água contaminados, ou contato com as secreções de uma pessoa infectada, no entanto, o contato com o vírus não necessariamente leva ao desenvolvimento de doença. 

Assim, é importante que sejam adotadas medidas de prevenção da infecção, como garantir bons hábitos de higiene das mãos, objetos e alimentos, e tomar a vacina contra a poliomielite, que é indicada a partir das 6 semanas de vida, em 3 doses e 2 de reforço. Dessa forma, é possível prevenir tanto a infecção pelo poliovírus quanto o desenvolvimento de sequelas.

Sintomas da paralisia infantil

Os principais sintomas da paralisia infantil são:

  • Dor de garganta;
  • Cansaço excessivo;
  • Febre baixa;
  • Dor de cabeça;
  • Mal-estar geral;
  • Náuseas ou vômitos;
  • Fraqueza muscular;
  • Dor ou rigidez nos braços ou nas pernas;
  • Prisão de ventre;
  • Dor intensa nas costas, pescoço e nos músculos;
  • Paralisia de uma ou das duas pernas, sendo notada também flacidez muscular;
  • Dificuldade para urinar;
  • Dificuldade para falar e engolir;
  • Rigidez na nuca;
  • Espasmos musculares.

Esses sintomas podem variar de acordo com a gravidade da infecção, sendo que em alguns casos a pessoa pode não apresentar sintomas ou ter sintomas parecidos com os da gripe, e em 95% dos casos, desaparecem após 5 dias sem que seja necessário um tratamento específico.

No entanto, em algumas crianças e adultos com sistema imune enfraquecido ou que não tomaram a vacina da poliomielite, a infecção pode causar complicações, como meningite ou paralisia, e sintomas  mais graves.

É fundamental que na presença de sinais e sintomas possivelmente indicativos de paralisia infantil, o médico seja consultado para que sejam realizados exames para confirmar a infecção e, assim, serem iniciadas as medidas de suporte. Conheça mais sobre a poliomielite.

Como confirmar o diagnóstico

O diagnóstico da paralisia infantil é feito pelo pediatra, no caso de crianças, ou clínico geral, no caso de adultos, através da avaliação dos sintomas, histórico de vacinação e de saúde, além de análises laboratoriais, como exames de sangue e fezes. 

Além disso, o médico deve solicitar um exame de punção lombar, para avaliar a presença do vírus no líquido que envolve o cérebro e a medula espinhal, além de ressonância magnética do cérebro e medula espinhal, de forma a descartar outras doenças que podem ter sintomas semelhantes, como infecções pelos vírus enterovírus A71 ou coxsackie A, síndrome de Guilláin-Barré, miastenia gravis ou rabdomiólise, por exemplo. Saiba como é feita a punção lombar

Causas da paralisia infantil

A paralisia infantil é causada pelo poliovírus, que é um vírus que pode ser facilmente encontrado no intestino. Assim, a transmissão pode acontecer através do contato fecal-oral por meio do consumo de alimentos ou água contaminados. Além disso, a transmissão pode acontecer quando se entra em contato com secreções liberadas por uma pessoa infectada ao tossir, espirrar ou falar, por exemplo.

Apesar de poder ser facilmente transmissível, o desenvolvimento da doença pode ser impedido através da vacinação, que deve ser feita ainda na infância.

Como é feito o tratamento

Não existe tratamento para a paralisia infantil, no entanto, é possível realizar fisioterapia para tratar as sequelas e tem como principal objetivo promover a estimulação e o desenvolvimento dos músculos atrofiados, além de ajudar a melhorar a postura.

Pode ser também indicado para as crianças que seja feito o acompanhamento com um terapeuta ocupacional para estimular o desenvolvimento das habilidades, melhorando a qualidade de vida.

Possíveis sequelas da paralisia infantil

As sequelas da paralisia infantil estão relacionadas com as alterações do sistema nervoso causadas pelo vírus e normalmente estão presentes em pessoas que foram infectadas e desenvolveram a doença ainda na infância, sendo as mais comuns:

  • Paralisia permanente de uma das pernas;
  • Paralisia dos músculos da fala e do ato de engolir, que pode levar ao acúmulo de secreções na boca e na garganta;
  • Crescimento diferente das pernas, podendo causar alteração na curvatura da coluna;
  • Atrofia muscular;
  • Maior sensibilidade ao toque;
  • Dificuldade para falar;
  • Pé torto.

Pessoas que sofrem com paralisia infantil há mais de 30 anos podem também desenvolver a síndrome pós-pólio, que gera sintomas como fraqueza, sensação de falta de ar, dificuldade para engolir, fadiga e dor muscular, mesmo nos músculos não paralisados. Neste caso, a fisioterapia realizada com alongamentos musculares e exercícios respiratórios pode ajudar a controlar os sintomas da doença.

Como prevenir

A melhor forma de prevenção da paralisia infantil é tomar a vacina contra a poliomielite, cuja indicação pode variar de acordo com a idade que é administrada:

  • Bebês e crianças: a vacina é feita em 3 doses e 2 doses de intervalo. As primeiras três doses são dadas com intervalo de dois meses (2, 4 e 6 meses de idade) e o reforço da vacina feito com 15 meses e 4 anos de idade.
  • Adultos: são recomendadas 3 doses da vacina, a segunda dose deve ser aplicada após 1 ou 2 meses da primeira e a terceira dose deve ser aplicada após 6 a 12 meses após a segunda dose.

Os adultos que não tomaram a vacina na infância podem fazer a vacinação em qualquer idade, mas especialmente quando precisam viajar para países com elevados números de casos de poliomielite. Veja mais detalhes da vacina contra a poliomielite.

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Atualizado e revisto clinicamente por Dr.ª Sani Santos Ribeiro - Pediatra e Pneumologista infantil, em setembro de 2022.

Bibliografia

  • WOLBERT, J. G.; HIGGINBOTHAM, K. IN: STATPEARLS [INTERNET]. TREASURE ISLAND (FL): STATPEARLS PUBLISHING. Poliomyelitis. 2022. Disponível em: <https://www.ncbi.nlm.nih.gov/books/NBK558944/>. Acesso em 07 set 2022
  • SHAPIRO, L. T.; SHERMAN, A. L. Medical Comorbidities and Complications Associated with Poliomyelitis and Its Sequelae. Phys Med Rehabil Clin N Am. 32. 2; 591-600, 2021
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  • FALLEIROS-ARLANT, L. H.; et al. Current status of poliomyelitis in Latin America. Rev Chilena Infectol. 37. 6; 701-709, 2020
  • MINISTÉRIO DA SAÚDE. Poliomielite (paralisia infantil). Disponível em: <https://bvsms.saude.gov.br/poliomielite-paralisia-infantil/>. Acesso em 14 set 2021
Revisão médica:
Dr.ª Sani Santos Ribeiro
Pediatra e Pneumologista infantil
Médica formada pela Universidade Federal do Rio Grande com CRM nº 28364 e especialista em Pediatria pela Sociedade Brasileira de Pediatria.