Cansaço que não passa, queda de cabelo, sensação de frio fora do comum, pele seca e ganho de peso sem explicação podem indicar hipotireoidismo, quando a tireoide produz menos hormônios do que o corpo precisa. O problema é bem mais comum em mulheres e aumenta com a idade, sobretudo depois dos 50 anos. O diagnóstico é feito com um exame de sangue simples, e o tratamento costuma controlar bem os sintomas.
Por que a tireoide causa esses sintomas?
A tireoide é uma glândula em forma de borboleta localizada na frente do pescoço. Ela produz os hormônios T3 e T4, que regulam a velocidade do metabolismo, ou seja, o ritmo com que o corpo gasta energia.
No hipotireoidismo, esse ritmo desacelera. O corpo produz menos calor, as células do cabelo e da pele se renovam mais devagar e a energia diminui. Os sinais surgem aos poucos e costumam ser confundidos com estresse, envelhecimento ou excesso de trabalho.

O que um estudo mostrou sobre quem tem mais risco?
A diferença entre homens e mulheres foi medida em um dos estudos mais longos sobre o tema. Segundo uma pesquisa publicada na revista Clinical Endocrinology em 1995, pesquisadores do Reino Unido acompanharam por 20 anos os moradores de Whickham, na Inglaterra. Na reavaliação, 96% dos 1.877 sobreviventes participaram e muitos refizeram exames da tireoide.
O hipotireoidismo surgiu cerca de seis vezes mais em mulheres do que em homens, com 3,5 casos por mil mulheres a cada ano contra 0,6 por mil homens. A idade média no diagnóstico ficou perto dos 58 anos, e o risco subiu de forma contínua com o envelhecimento.
Quais sinais merecem atenção?
Os sintomas mais comuns do hipotireoidismo incluem:
- Cansaço excessivo e sonolência durante o dia;
- Queda de cabelo, fios finos e sem brilho;
- Sensação de frio quando outras pessoas estão confortáveis;
- Pele seca e áspera, unhas fracas;
- Ganho de peso sem mudança na alimentação;
- Intestino preso, inchaço no rosto e nas pálpebras;
- Memória fraca, desânimo e colesterol alto.
Como o problema aparece em homens e mulheres?
Nas mulheres, a principal causa é a tireoidite de Hashimoto, uma doença autoimune. Fases como gravidez, pós-parto e menopausa exigem atenção especial, porque alterações menstruais, cansaço e ganho de peso podem ser atribuídos apenas aos hormônios femininos.
Nos homens, a doença é menos comum e, por isso, costuma ser diagnosticada mais tarde. Além dos sinais clássicos, podem surgir queda da libido, disfunção erétil e perda de massa muscular. Em idosos dos dois sexos, os sintomas podem ser discretos e confundidos com o envelhecimento.

Como é feito o diagnóstico e o tratamento?
O diagnóstico é feito com a dosagem de TSH e T4 livre no sangue. O TSH alto com T4 baixo confirma o hipotireoidismo, e a pesquisa de anticorpos ajuda a identificar a doença de Hashimoto.
O tratamento usa a levotiroxina, hormônio que repõe o que a tireoide deixou de produzir. Ela deve ser tomada em jejum, sempre no mesmo horário, de 30 a 60 minutos antes do café da manhã, longe de suplementos de cálcio e ferro. A dose é ajustada com novos exames a cada 6 a 8 semanas no início. Para entender todas as formas da doença, vale conhecer os tipos e causas do hipotireoidismo.
Quando procurar o endocrinologista?
Vale procurar o clínico geral ou o endocrinologista quando os sintomas duram mais de algumas semanas, quando há casos de doença da tireoide na família, durante a gravidez ou após o parto, e em mulheres acima dos 50 anos com cansaço persistente. Como mostrou o estudo inglês, o risco cresce com a idade, e um exame simples pode encerrar meses de sintomas sem explicação. Inchaço intenso, sonolência extrema e confusão mental exigem atendimento imediato.
Este conteúdo é informativo e não substitui a avaliação de um médico. Não use hormônios da tireoide sem prescrição, mesmo para emagrecer.









