Quando os mosquitos aparecem com mais frequência no quintal, principalmente nos períodos quentes e chuvosos, a vela de citronela costuma parecer uma solução simples: acender, deixar perto da mesa e aproveitar o ambiente. Ela pode afastar alguns mosquitos nas proximidades, mas a proteção tende a ser limitada, depende da distância e não deve ser usada como principal estratégia contra a dengue. Para reduzir o risco de picadas do Aedes aegypti, repelentes regularizados e a eliminação de água parada são medidas mais confiáveis.
A vela de citronela realmente afasta mosquitos?
A citronela contém substâncias voláteis cujo odor pode interferir na aproximação de alguns mosquitos. O problema é que, quando ela é colocada em uma vela, a quantidade dessas substâncias que chega ao redor da pessoa pode variar bastante com vento, tamanho do ambiente, distância e concentração do produto.
Em um estudo de campo com mosquitos do gênero Aedes, velas com citronela reduziram as picadas em cerca de 42% em comparação com locais sem vela. Isso mostra algum efeito nas condições daquele experimento, mas também deixa claro que muitos mosquitos continuaram picando. Outros trabalhos encontraram resultados menores ou até ausência de efeito em determinadas condições.
Por que a proteção fica restrita a uma área pequena?
A vela não cria uma barreira ao redor de todo o quintal. As substâncias aromáticas se dispersam no ar e sua concentração diminui conforme aumenta a distância da fonte. Em áreas abertas, uma corrente de ar também pode levar rapidamente o aroma para outra direção.
Por isso, mesmo quando existe algum efeito repelente, ele costuma ser mais perceptível perto da vela e não significa que quem está no ambiente esteja protegido contra todas as picadas. Alguns fatores que reduzem a utilidade desse recurso são:
- vento ou circulação intensa de ar;
- quintais e varandas muito grandes;
- pessoas posicionadas longe da vela;
- grande quantidade de mosquitos no ambiente;
- dependência exclusiva da citronela, sem outras medidas de proteção.

Vela de citronela protege contra dengue?
Não é uma medida suficiente para prevenir dengue. O Ministério da Saúde informa que produtos naturais à base de citronela vendidos como velas e incensos não têm eficácia comprovada pela Anvisa como repelentes contra o Aedes aegypti. A orientação é priorizar produtos regularizados e seguir exatamente as instruções do rótulo.
Outro detalhe é que o mosquito que transmite a dengue apresenta atividade importante durante o dia. Assim, acender uma vela apenas à noite no quintal não cobre necessariamente os horários em que a pessoa pode estar exposta às picadas.
O que funciona melhor para afastar o mosquito?
Para proteção individual, podem ser usados repelentes para a pele regularizados pela Anvisa, respeitando idade, contraindicações e frequência de reaplicação indicada pelo fabricante. Entre os princípios ativos encontrados em produtos registrados estão DEET, icaridina e IR3535.
Ao mesmo tempo, a prevenção da dengue depende principalmente de impedir que o mosquito encontre locais para se reproduzir. Em casa e no quintal, vale manter uma rotina de cuidados como:
- eliminar recipientes que possam acumular água;
- manter caixas-d’água e reservatórios bem tampados;
- limpar calhas e verificar ralos;
- guardar baldes e garrafas de forma que não acumulem chuva;
- usar telas em portas e janelas quando possível;
- aplicar repelente nas áreas expostas conforme as instruções do produto.

Então é preciso abandonar a vela de citronela?
Não necessariamente. Ela pode continuar sendo usada pelo aroma ou como um recurso complementar no ambiente, desde que não gere uma falsa sensação de proteção. Também é preciso manter a vela em superfície estável, longe de materiais inflamáveis, crianças e animais.
Para dengue, a vela de citronela não substitui repelente aprovado nem o combate aos criadouros. A proteção é mais eficiente quando diferentes medidas são combinadas, principalmente a eliminação frequente de água parada ao redor da casa.
Este conteúdo é informativo e não substitui orientações de profissionais de saúde ou das autoridades sanitárias.









