Uma coceira intensa que incomoda principalmente à noite e aparece entre os dedos das mãos merece atenção. Esse padrão é típico da sarna humana, também chamada de escabiose, embora outras doenças de pele possam provocar sintomas parecidos. A suspeita fica ainda maior quando surgem pequenas lesões nos punhos, axilas, cintura ou nádegas e quando outras pessoas da mesma casa começam a sentir coceira. O diagnóstico deve ser feito pelo médico, que também define o tratamento adequado.
Por que a sarna costuma coçar mais à noite?
A sarna humana é causada pelo ácaro Sarcoptes scabiei, que vive na camada superficial da pele. A coceira ocorre principalmente pela reação do organismo ao ácaro, aos seus ovos e aos resíduos deixados na pele. Ela pode acontecer durante todo o dia, mas é caracteristicamente mais intensa à noite.
Segundo os Centros de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos, o CDC, além da coceira noturna podem surgir pequenas bolinhas e trajetos finos na pele, formados onde a fêmea do ácaro escava a superfície. Esses sinais nem sempre são fáceis de enxergar.
Quais partes do corpo costumam ser afetadas?
A localização das lesões é uma das pistas consideradas durante a avaliação. Na forma clássica da escabiose, algumas áreas são atingidas com mais frequência por causa das características da pele e das dobras do corpo.
- espaços entre os dedos das mãos;
- punhos e cotovelos;
- axilas;
- cintura e região do umbigo;
- nádegas e virilha;
- mamilos e região genital.
Em bebês, crianças pequenas e algumas pessoas idosas, a distribuição pode ser diferente e atingir também cabeça, pescoço, palmas das mãos ou plantas dos pés. Por isso, coceira entre os dedos não confirma sarna sozinha. Dermatites, alergias e outras alterações da pele também podem provocar sintomas semelhantes.

Se várias pessoas da casa estão coçando, a suspeita aumenta?
Sim. Quando duas ou mais pessoas que convivem de perto desenvolvem coceira semelhante, especialmente à noite, isso reforça a suspeita de escabiose. O ácaro é transmitido principalmente pelo contato direto e prolongado de pele com pele. Por isso, parceiros, familiares e pessoas que dividem a mesma cama estão entre os contatos com maior possibilidade de transmissão.
O CDC explica que um aperto de mão ou abraço rápido geralmente não é suficiente para transmitir a sarna. O compartilhamento de roupas, toalhas e roupas de cama também pode participar da transmissão, mas ocorre com menos frequência do que o contato prolongado entre pessoas.
Sarna é sinal de falta de higiene?
Não. Esse é um mito que pode gerar constrangimento e atrasar a procura por atendimento. Qualquer pessoa pode ter escabiose, independentemente de tomar banho regularmente ou manter a casa limpa. O problema está relacionado ao contato com o ácaro, e não à falta de cuidados pessoais.
O serviço público de saúde do Reino Unido, o NHS, esclarece que a sarna não tem relação com higiene inadequada. A transmissão pode acontecer com mais facilidade em situações de convivência próxima, incluindo famílias, creches, instituições de longa permanência e outros locais onde existe contato frequente entre as pessoas.

O que fazer quando existe suspeita de sarna?
O ideal é procurar um médico, especialmente dermatologista, para confirmar se as lesões realmente são provocadas por escabiose. A avaliação considera o aspecto da pele, os locais atingidos, o padrão da coceira e se existem outras pessoas próximas com sintomas. Em algumas situações, podem ser utilizados exames da pele para procurar o ácaro, ovos ou outros vestígios.
Os medicamentos contra sarna devem ser usados conforme prescrição e orientação médica. Quando o diagnóstico é confirmado, pessoas que convivem ou tiveram contato próximo podem precisar de tratamento ao mesmo tempo, inclusive antes de apresentarem coceira, para diminuir o risco de reinfestação. Também podem ser orientados cuidados com roupas, toalhas e roupas de cama. Feridas com pus, aumento da vermelhidão, dor ou febre precisam de avaliação, pois a coçadura pode facilitar infecções bacterianas da pele.
Este conteúdo é informativo e não substitui avaliação médica ou orientação individualizada de um profissional de saúde.









