Demência não depende apenas da idade ou da genética. Um relatório internacional publicado em 2024 identificou 14 fatores potencialmente modificáveis associados ao risco de demência ao longo da vida, entre eles perda auditiva, colesterol LDL elevado e perda de visão não tratada. A estimativa da comissão é que atuar sobre esse conjunto de fatores poderia prevenir ou adiar cerca de 45% dos casos, embora isso não signifique que todos sejam individualmente evitáveis.
O que a comissão do The Lancet encontrou?
O relatório Dementia prevention, intervention, and care: 2024 report of the Lancet standing Commission, publicado na revista The Lancet, atualizou as evidências sobre prevenção da demência. O registro do relatório no PubMed identifica a publicação de 2024 e seus autores, enquanto a University College London, instituição que liderou a comissão, informa que foram reconhecidos 14 fatores modificáveis distribuídos pelas diferentes fases da vida.
Dois deles foram acrescentados na atualização de 2024: colesterol LDL alto na meia-idade e perda visual não tratada na velhice. A perda auditiva já fazia parte das versões anteriores e permaneceu entre os fatores de maior peso estimado na população.
Por que ouvir mal pode estar relacionado à saúde do cérebro?
A associação entre perda auditiva e demência provavelmente envolve vários mecanismos. Ouvir mal pode exigir mais esforço para acompanhar conversas e favorecer afastamento de situações sociais. Além disso, perda auditiva e alterações cerebrais podem compartilhar outros fatores de risco, por isso a relação não deve ser interpretada como uma causa simples e direta.
A comissão estimou que a perda auditiva representa cerca de 7% da parcela potencialmente modificável dos casos na população. Isso não significa que 7% das pessoas com dificuldade auditiva terão demência. Identificar e tratar alterações da audição continua sendo importante para comunicação, autonomia e qualidade de vida. O Tua Saúde explica os sinais de perda auditiva e como a audiometria ajuda na investigação.

O que colesterol e visão têm a ver com demência?
O LDL elevado na meia-idade ganhou espaço no relatório por evidências que relacionam níveis altos desse colesterol a maior risco futuro de demência. Na análise da comissão, sua contribuição populacional estimada foi de aproximadamente 7%. Como o LDL alto também prejudica a saúde dos vasos sanguíneos, identificá-lo e tratá-lo conforme o risco individual é importante para a saúde cardiovascular e cerebral. O colesterol LDL pode ser identificado por exame de sangue e não costuma provocar sintomas quando está elevado.
A perda visual não tratada, por sua vez, foi associada a aproximadamente 2% da parcela potencialmente modificável. Problemas de visão podem limitar atividades, interação social e independência, além de compartilhar causas com outras doenças. Por isso, a recomendação não é apenas “usar óculos”, mas investigar e tratar alterações visuais que tenham possibilidade de correção.
Quais são os 14 fatores modificáveis apontados?
A comissão organiza esses fatores conforme o período da vida em que as evidências indicam maior importância:
- início da vida: menor escolaridade;
- meia-idade: perda auditiva, colesterol LDL elevado, depressão, traumatismo craniano, sedentarismo, diabetes, tabagismo, hipertensão, obesidade e consumo excessivo de álcool;
- idade mais avançada: isolamento social, poluição do ar e perda visual não tratada.
A University College London resume os 14 fatores identificados pela comissão e reforça que as oportunidades de prevenção se distribuem por toda a vida.

Isso quer dizer que quase metade das demências é evitável?
Os 45% são uma estimativa populacional, e não uma previsão para cada indivíduo. O cálculo procura estimar quantos casos poderiam potencialmente ser prevenidos ou adiados se esses fatores fossem eliminados ou reduzidos, levando em conta que eles se sobrepõem. Idade, genética e outros processos biológicos continuam tendo papel importante, e uma pessoa pode desenvolver demência mesmo cuidando de todos os fatores conhecidos.
Na prática, o relatório reforça cuidados já úteis para a saúde geral: acompanhar pressão, diabetes e colesterol, não fumar, manter atividade física e convívio social, proteger a cabeça contra traumatismos e investigar alterações de audição ou visão. Para entender melhor a condição, o Tua Saúde explica o que é demência, seus principais tipos e sintomas.
Este conteúdo tem caráter informativo e não substitui avaliação médica. Alterações de memória, audição, visão ou resultados de exames devem ser avaliados individualmente por profissionais de saúde.









