Molusco contagioso: sintomas, como pega e tratamento

Revisão médica: Drª. Aleksana Viana
Dermatologista
julho 2022

O molusco contagioso é uma infecção benigna na pele que leva ao surgimento de sintomas como pequenas bolinhas arredondadas da cor da pele ou avermelhadas, coceira ou inchaço na pele, podendo afetar qualquer parte do corpo, com exceção das palmas das mãos e das plantas dos pés.

Essa infecção é mais comum em crianças, mas também pode surgir em qualquer pessoa e em qualquer idade, sendo causada pelo vírus poxvírus, que pode ser transmitido pelo contato direto com a pele de pessoas infectadas com o molusco contagioso, ou através da água contaminada com o vírus, como em piscinas ou banheiras, por exemplo.

O molusco contagioso normalmente desaparece sozinho, no entanto, é importante consultar o dermatologista para que seja indicado o tratamento mais adequado que pode ser feito com o uso de pomadas, crioterapia ou laser, para ajudar a eliminar as bolinhas na pele e diminuir o risco de transmissão para outras pessoas.

Sintomas do molusco contagioso

O principal sintoma do molusco contagioso é a formação de bolhas na pele, que possuem algumas características, como:

  • Bolinhas firmes e pequenas, com um diâmetro entre 2 mm e 5 mm;
  • Apresentam um ponto mais escuro no centro;
  • Podem surgir em qualquer região do corpo, exceto nas palmas das mãos e das plantas dos pés;
  • Podem estar isoladas ou agrupadas, em forma de linha;
  • Geralmente peroladas e da cor da pele, mas podem ficar vermelhas e inflamadas.

No caso do molusco contagioso ter sido transmitido através do contato  íntimo, as bolinhas podem surgir especialmente nos órgãos genitais, ânus, barriga ou parte interna das coxas.  

Já em crianças, as bolinhas costumam surgir com mais frequência no rosto, tronco, braços ou pernas.

Os sintomas de molusco contagioso costumam surgir entre 2 semanas a 6 meses após o contato com o vírus, sendo importante consultar o dermatologista na presença dos sintomas, pois assim é possível que seja indicado o tratamento mais adequado.

Como confirmar o diagnóstico

O diagnóstico do molusco contagioso é feito pelo dermatologista através da avaliação da pele e das características das lesões, como tamanho, localização, cor e quantidade de bolinhas, além do histórico de saúde e histórico familiar.

Geralmente, não é necessário nenhum exame, mas nos casos de difícil diagnóstico o médico pode solicitar exames como dermatoscopia, microscopia confocal reflectante ou histopatologia, para confirmar o diagnóstico e descartar outras doenças que podem ter sintomas parecidos, como siringoma, verrugas, câncer de pele, ou outras doenças infecciosas, como criptococose ou histoplasmose, por exemplo.

Possíveis causas

O molusco contagioso é causado por uma infecção pelo vírus poxvírus, que infecta as células da camada mais superficial da pele, chamadas de queratinócitos, não penetrando no corpo ou afetando os órgãos internos. 

Ao infectar os queratinócitos, o poxvírus produz proteínas que impedem o sistema imunológico de reagir contra a infecção, o que contribui para que as lesões na pele persistam e demorem meses para melhorar espontaneamente.

Como se pega o molusco contagioso

O vírus do molusco contagioso pode ser transmitido através de:

  • Contato direto pele a pele com uma pessoa contaminada com o vírus;
  • Objetos contaminados com o vírus, como toalhas, roupas pessoais ou de cama, tapetes de academia ou brinquedos;
  • Água contaminada com o vírus, em piscinas, banheira ou sauna;
  • Contato sexual com pessoa infectada com o vírus.

Além disso, as lesões do molusco contagioso podem surgir quando a pessoa infectada coça as lesões que possui, o que faz com que o vírus seja espalhado pela pele, resultando no desenvolvimento de novas lesões em outras partes do corpo.

Como é feito o tratamento

O tratamento do molusco contagioso nem sempre é necessário, pois as lesões na pele podem desaparecer sozinhas, geralmente em um período de 6 meses a 2 anos. No entanto, o dermatologista pode indicar diferentes tratamentos, para evitar a transmissão do vírus para outras pessoas, o surgimento de novas lesões ou até mesmo por motivos estéticos.

Os principais tratamentos para o molusco contagioso incluem:

1. Uso de pomadas

O uso de pomadas para molusco contagioso pode ser indicado pelo dermatologista ou pelo pediatra, no caso de crianças, para causar uma reação inflamatória na lesão, o que facilita a recuperação.

As principais pomadas para molusco contagioso que podem ser indicadas pelo médico são:

  • Podofilotoxina;
  • Hidróxido de potássio;
  • Ácido salicílico, que pode ser associado à iodopovidona;
  • Peróxido de benzoíla;
  • Tretinoína;
  • Ácido tricloroacético

O uso das pomadas para o molusco contagioso deve sempre ser feito com indicação médica, pois alguns, como a podofilotoxina e a tretinoína, são contra-indicados para mulheres grávidas, lactantes ou crianças, por exemplo.

2. Remoção cirúrgica da lesão

A remoção cirúrgica das lesões na pele do molusco contagioso pode ser feita pelo médico utilizando diferentes técnicas, como:

  • Crioterapia, em que é feita aplicação de frio sobre as bolhas, com nitrogênio líquido, o que permite congelar as bolhas e removê-las; 
  • Curetagem, em que o médico retira as bolhas com um utensílio semelhante a um bisturi;
  • Laser, que é feito aplicando o laser na lesão, para destruir as células das bolhas, ajudando a reduzir o seu tamanho.

A remoção cirúrgica das lesões do molusco contagioso é feita com anestesia local, e pode causar dor, irritação ou cicatriz na pele após o procedimento.

3. Uso de comprimidos

Alguns remédios na forma de comprimidos também podem ser indicados pelo médico, como a cimetidina, que pode ser uma alternativa de tratamento de remoção cirúrgica, especialmente para crianças.

Cuidados durante o tratamento

Alguns cuidados são importantes durante o tratamento do molusco contagioso, para evitar o surgimento de novas lesões na pele e infectar outras pessoas. Desta forma, é recomendado:

  • Lavar as mãos frequentemente com sabonete neutro, especialmente após tocar na lesão da pele;
  • Manter as bolhas limpas, secas e cobertas por roupa ou um curativo;
  • Evitar coçar ou cutucar as bolhas na pele;
  • Não tentar retirar as bolhas por conta própria ou espremer para que saia o líquido dentro da lesão;
  • Passar um hidratante na pele, recomendado pelo médico, pois a pele seca pode causar coceira, e acabar por espalhar o molusco contagioso para outras partes do corpo;
  • Usar 2 toalhas para se secar após o banho, sendo uma toalha para secar as bolhas na pele e a outra toalha para secar as partes do corpo que não têm lesões na pele;
  • Evitar depilar as áreas do corpo que têm as bolhas;
  • Evitar barbear no caso de bolhas no rosto;
  • Não compartilhar objetos pessoais, como toalhas, roupas, escova de cabelo, sabonete ou brinquedos;
  • Evitar frequentar piscinas ou praticar natação;
  • Evitar o contato íntimo, no caso de lesões na região genital, virilha ou parte interna das coxas.

Além disso, deve-se evitar atividades físicas que necessitem compartilhar objetos, como capacetes, luvas ou bolas, ou que tenham contato direto com pessoas, como judô, karatê ou jiu-jitsu, a menos que as lesões estejam cobertas.

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Atualizado por Flávia Costa - Farmacêutica, em julho de 2022. Revisão médica por Drª. Aleksana Viana - Dermatologista, em fevereiro de 2016.

Bibliografia

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Revisão médica:
Drª. Aleksana Viana
Dermatologista
Especialista em Dermatologia pela Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais, em 2007 com registro profissional no CRM/PE – 16907.