Losartana: para que serve, como tomar e efeitos colaterais

Revisão clínica: Flávia Costa
Farmacêutica
junho 2022
  1. Para que serve
  2. Como tomar
  3. Efeitos colaterais
  4. Contra-indicações

A losartana é um remédio principalmente indicado em casos de hipertensão e insuficiência cardíaca, pois age promovendo a dilatação dos vasos sanguíneos, facilitando a passagem do sangue e, consequentemente, diminuindo a pressão nas artérias e melhorando o funcionamento do coração, reduzindo o risco de infarto ou derrame, por exemplo.

Assim, de acordo com o objetivo do tratamento, o médico pode indicar a dose mais adequada do medicamento, bem como o tempo de tratamento, sendo também levado em consideração a idade da pessoa e o uso de outros medicamentos.

A losartana deve ser usada apenas com indicação médica e seu uso não deve ser interrompido ou substituído por outro remédio sem orientação médica, pois parar o tratamento da hipertensão ou da insuficiência cardíaca pode trazer riscos imediatos para a saúde, como infarto, derrame ou insuficiência renal.

Para que serve

A losartana postássica liga-se ao receptor de angiotensina, inibindo a sua atividade e resultando na dilatação dos vasos sanguíneos. Assim, esse medicamento pode ser indicado pelo cardiologista nas seguintes situações:

  • Tratamento da pressão alta (hipertensão);
  • Tratamento da insuficiência cardíaca;
  • Diminuir o risco de doença cardiovascular, acidente vascular cerebral (AVC) e infarto em pessoas que possuem pressão alta e hipertrofia ventricular esquerda;
  • Proteger os rins e retardar a progressão da doença renal em pessoas com diabetes do tipo 2 e proteinúria.

Em algumas situações, a losartana pode ser associada a outros medicamentos para atingir os objetivos do tratamento e promover a qualidade de vida da pessoa.

A losartana pode causar câncer?

Recentemente, a ANVISA emitiu um alerta [1] para a presença de níveis elevados de impurezas na composição da losartana, chamadas nitrosaminas, que potencialmente podem provocar câncer a longo prazo. Desta forma, os laboratórios fabricantes da losartana, receberam uma notificação para avaliar a presença de níveis elevados dessas substâncias nos comprimidos de losartana.

No entanto, alguns fabricantes do medicamento [2] afirmam que o risco dessas impurezas causarem câncer ainda é desconhecido, não existindo dados suficientes que mostrem que a losartana tenha causado alguma mudança na frequência ou natureza dos efeitos indesejados como câncer, doenças congênitas ou problemas na fertilidade. 

É importante lembrar que o tratamento com a losartana não deve ser interrompido sem orientação médica, pois também pode ter efeitos graves para a saúde, como infarto ou derrame. Assim, o ideal é fazer uma consulta de revisão com o médico que receitou o uso do medicamento, para avaliar a possibilidade de trocar por outro medicamento.

Como tomar

A losartana deve ser tomada por via oral, com um copo de água, antes ou após uma refeição. Geralmente, este remédio é ingerido de manhã, mas pode ser utilizado em qualquer hora do dia, pois mantém sua ação por 24 horas.

As doses recomendadas devem ser orientadas por um clínico geral ou cardiologista, pois varia de acordo com o objetivo do tratamento, os sintomas apresentados pela pessoa, idade, outros remédios que estejam sendo utilizados e a resposta do organismo ao medicamento.

As orientações gerais indicam:

  • Pressão alta: normalmente é aconselhada a ingestão de 50 mg, uma vez por dia, podendo a dose ser aumentada pelo médico até 100 mg, uma vez por dia;
  • Insuficiência cardíaca: a dose inicial normalmente recomendada é de 12,5 mg, uma vez por dia, porém pode ser aumentada para até 50 mg, uma vez por dia, ao longo das semanas de acordo com a orientação do médico;
  • Redução do risco de doença cardiovascular em pessoas com hipertensão e hipertrofia ventricular esquerda: a dose inicial é de 50 mg, uma vez ao dia, que pode ser aumentada para 100 mg por dia, ou associada a hidroclorotiazida, com base na resposta da pessoa à dose inicial;
  • Proteção renal em pessoas com diabetes tipo 2 e proteinúria: a dose inicial é de 50 mg ao dia, que pode ser aumentada pelo médico para 100 mg, com base na resposta da pressão arterial à dosagem inicial.

A losartana pode demorar de 3 a 6 semanas de uso para ter o efeito anti-hipertensivo máximo, e seu uso não deve ser interrompido por conta própria e sem orientação do médico. 

Além disso, as alterações nas doses da losartana devem ser feitas somente se indicado pelo médico.

Possíveis efeitos colaterais

Alguns dos efeitos colaterais mais comuns que podem ocorrer durante o tratamento com losartana incluem tonturas, diminuição da pressão arterial, hipercalemia, cansaço excessivo e vertigens.

Quem não deve tomar

A losartana potássica é contraindicada em pessoas que tenham alergia à substância ativa ou a qualquer componente presente na fórmula.

Além disso, este remédio não deve ser utilizado por grávidas e mulheres a amamentar, assim como pessoas com problemas no fígado e rins ou que estejam a fazer tratamento com remédios que contêm alisquireno.

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Atualizado por Manuel Reis - Enfermeiro, em junho de 2022. Revisão clínica por Flávia Costa - Farmacêutica, em junho de 2022.

Bibliografia

  • CONSELHO FEDERAL DE FARMÁCIA. Sanofi Medley recolhe remédios com Losartana. 2022. Disponível em: <https://www.cff.org.br/noticia.php?id=6671&titulo=Sanofi+Medley+recolhe+rem%C3%A9dios+com+Losartana>. Acesso em 15 mar 2022
  • ANVISA. Anvisa emite comunicado sobre impurezas em remédios para hipertensão. 2022. Disponível em: <https://www.google.com/url?q=https://agenciabrasil.ebc.com.br/saude/noticia/2022-03/anvisa-emite-comunicado-sobre-impurezas-em-remedios-para-hipertensao&sa=D&source=docs&ust=1647354502666463&usg=AOvVaw1Pa018yuJrI0KnsWuRLGr2>. Acesso em 15 mar 2022
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  • EUROFARMA. Losartana potássica. Disponível em: <https://cdn.eurofarma.com.br//wp-content/uploads/2016/09/losartana-potassica-bula-profissional-eurofarma.pdf>. Acesso em 13 jan 2022
  • ANVISA. Losartana. 2018. Disponível em: <http://www.anvisa.gov.br/datavisa/fila_bula/frmVisualizarBula.asp?pNuTransacao=9446452018&pIdAnexo=10787425>. Acesso em 12 dez 2018
Revisão clínica:
Flávia Costa
Farmacêutica
Formada em Farmácia pelo Centro Universitário Newton Paiva em 2003. Mestre em Ciências Biomédicas pela UBI, Portugal.